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Ucrânia no trilho do fascismo
Jogadores brasileiros sofrem racismo na Ucrânia dominada por fascistas
Taison e Dentinho sofrem ataques racistas de torcedores rivais enquanto trabalham na Ucrânia.
Ucrânia no trilho do fascismo
Jogadores brasileiros sofrem racismo na Ucrânia dominada por fascistas
Taison e Dentinho sofrem ataques racistas de torcedores rivais enquanto trabalham na Ucrânia.
Taison reage aos ataques da direita.
Taison reage aos ataques da direita.

No último domingo (10/11) os brasileiros Taison e Dentinho, atletas do Shakhtar Donetsk da Ucrânia, foram alvos de ataques racistas vindos de torcedores do Dinamo de Kiev. O jogo aconteceu no estádio Metalist em Carcóvia, mando de campo do Shakhtar, e atualmente, é o principal clássico do campeonato ucraniano. Os atletas denunciaram que durante todo o jogo estavam sendo hostilizados pelos torcedores rivais. Inconformado Taison, por volta dos 28 minutos do segundo tempo, não aguentou e respondeu aos ataques mostrando o dedo médio e chutando uma bola em direção à torcida rival. O juiz da partida, apesar de não ter tomado atitude nenhuma durante o restante do jogo, no momento, paralisou a partida e expulsou Taison por “ofender” os torcedores. Os jogadores do Dinamo pediram à sua torcida que parecem os insultos para que o jogo pudesse recomeçar. Taison e Dentinho, revoltados saíram de campo chorando.

Nas redes sociais diversos atletas se pronunciaram e repudiaram os ataques. Taison postou em sua conta no Instagram, entre outras palavras: …”jamais irei me calar diante de um ato tão desumano e desprezível! Minhas lágrimas foram de indignação, de repúdio e de impotência, impotência por não poder fazer nada naquele momento! Mas somos ensinados desde muito cedo a sermos fortes e a lutar! Lutar pelos nossos direitos e por igualdade! O meu papel é lutar, bater no peito, erguer a cabeça e seguir lutando sempre! Em uma sociedade racista, não basta não ser racista, precisamos ser antirracista!

Post de Taison no Instagram, em 10/11.

Outros atletas se pronunciaram e pediram punições aos torcedores racistas, como o jogador William, atualmente atleta do Chelsea da Inglaterra, que foi o principal jogador do Shakhtar entre 2007 e 2013, cobrou ação e punição por parte da federação ucraniana e também as demais organizadoras do futebol europeu: “Teve essa situação ontem e a federação ucraniana não se pronunciou. Teve há um tempo atrás com a seleção da Inglaterra e a Uefa também não se pronunciou. Então, situações como essa eles têm que se pronunciar, tem que ter a punição para que isso acaba de uma vez por todas. A gente fica triste e espera que isso possa acabar o mais rápido possível”, William diz ainda: Fui para a Ucrânia com 18 para 19 anos, passei por isso uma vez, não me lembro o jogo. É claro que a gente fica triste pela situação, isso já faz uns 10, nove anos. A gente espera que isso possa mudar, vemos isso acontecendo em dias como hoje, não só no futebol, mas em outras áreas também.”

Os ataques racistas no futebol europeu tem se tornado cada vez mais frequentes e como denunciam os atletas, nenhuma ação concreta é feita, para punir os agressores. As entidades políticas que seriam responsáveis por “organizar” o futebol e as gigantes multinacionais de materiais esportivos fazem simplesmente demagogia com o problema, realizando campanhas de marketing ridículas em TVs e redes sociais, que não resultam em nada.

O problema do racismo, logicamente, tem origem muito além das quatro linhas e não há como separar as situações normais do dia a dia da população, economia e política, do futebol ou nas artes, por exemplo. Como fica claro nas palavras de William, o problema, ao invés de diminuir, está aumentando, pois cresce juntamente com a situação política, cenário no qual a extrema direita vem ganhando cada vez mais espaço por toda a Europa. Na Ucrânia, a situação é ainda pior. Desde os conflitos de 2014, em que a extrema direita tem sido impulsionada pelo imperialismo para se opor às forças políticas locais que mantinham proximidade ao governo Russo, conseguindo derrubar o governo, colocar tropas fascistas nas ruas e, este ano elegeu sob grande manipulação um palhaço (de verdade) para presidente, Volodymyr Zelenskiy, como símbolo de uma política extremamente demagógica, vazia, mas que se impõe pela força da ação fascista.

Os episódios de racismo que tem ocorrido, não só na Ucrânia, mas na Rússia, na Hungria, Itália, Inglaterra etc, são reflexos da onda da extrema direita fascista que está sendo impulsionada pela burguesia internacional.

A impotência citada por Taison, é na verdade um reflexo da ação dos fascistas, que são covardes e buscam atacar sempre quando suas vítimas não tem mínimas condições de se defender. Taison, por exemplo, apenas respondeu com um gesto e foi tirado do seu local de trabalho e pode ainda ser punido pela autoridade esportiva. Porém, a forma de combater ações fascistas não é fazendo campanhas de amor ou “fim do ódio” nos gramados, mas sim, combatendo nas ruas estes grupos extremistas. E a resposta deve ser equivalente, ou seja, a população deve se impor também na força, que é a única linguagem que os fascistas entendem, a violência.

Não há diálogo com fascistas. É preciso fazê-los recuar à força, pois de outro modo eles não irão “ceder terreno”.

Os trabalhadores, estudantes, movimentos populares organizados devem formar comitês de autodefesa, nos locais de trabalho, nas universidades, nos bairros para enfrentar os ataques da burguesia fascista.