A posição da Unidade Popular
A esquerda acredita no “mal menor” Joe Biden
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Biden e Trump | Arquivo

O mais recente partido legalizado de esquerda no Brasil, a Unidade Popular (UP), um agrupamento que se reivindica stalinista, publicou uma análise sobre os últimos acontecimentos políticos nos Estados Unidos.

A matéria, intitulada “O que os povos da América Latina devem esperar da administração Biden” e publicada no último dia 7 de janeiro no sítio do jornal A Verdade pretende analisar a situação internacional ignorando o ponto central do resultado das eleições norte-americanas e embelezando a vitória de Joe Biden, representante da ala mais poderosa do imperialismo, contra Trump.

“a partir de 20 de janeiro, toma posse um presidente do partido democrata, abrindo uma novo período de oportunidades e resistência para os países dependentes do continente”

Para a UP, a vitória de Biden abre um “novo período”. Essa conclusão é tirada pela crença, compartilhada por outros setores da esquerda pequeno-burguesa, de que Biden, apesar de ruim, seria um “mal menor” em relação a Trump.

Segundo a UP, o presidente eleito irá transformar as relações na América Latina e levará adiante e uma nova política: “Este campo político construído por Biden apoiará nas eleições da região governos de estilo liberal-democrata”.

Biden é o aprofundamento da política golpista

Confusa sobre o que está em jogo nos Estados Unidos, a UP acredita que a atual etapa de golpes na América Latina deve ser modificada por governos “liberais-democratas”. Tal ideia esconde um fato importante e que permite uma avaliação totalmente errada da situação. A UP ignora que os responsáveis pelos golpes que tomaram conta da América Latina não foi Trump e seus aliados mas em primeiro lugar Biden e seus aliados.

Donald Trump, diferente do que acredita a esquerda pequeno-burguesa, foi um acidente de percurso na política do imperialismo para o mundo. Embora não tenha rompido com essa política, Trump não é o elemento mais agressivo contra os países dominados pelo imperialismo.

A política coordenada de golpes foi colocada em prática pelo governo do Partido Democrata de Barack Obama e Joe Biden. A eleição de Trump, um elemento da extrema-direita representante de setores mais fracos dos capitalistas norte-americanos, deu instabilidade à política de dominação do imperialismo norte-americano.

A UP não entende esse problema e, embora não ignore que Biden leva uma política anti-povo e de dominação do continente, acredita que Trump é o maior responsável pela política golpista no Continente.

Mesmo o governo Bolsonaro, aliado político de Trump, não é produto da política de Trump, mas do golpe articulada pelos “democratas” norte-americanos.

A eleição de Biden, portanto, tende a fortalecer a política golpista e consequentemente a própria extrema-direita. Ou seja, a política mais agressiva de Biden para o continente pode resultar em governos ainda mais anti-populares. Os “democratas” não vão apoiar governos “liberais-democratas” na América Latina, vão apoiar governos que sigam os seus interesses.

Inclusive Bolsonaro foi eleito por esses mesmos “democratas”, que se aliaram para manter o golpe no Brasil.

Outro argumento levantado pela UP é o de que Biden terá dificuldades de manter a dominação imperialista no País. 

“Essa posição defensiva é o que torna o imperialismo dos EUA potencialmente ainda mais agressivo nesta quadra histórica. Incapaz de liderar a comunidade de nações americanas por novas conquistas sociais, os estadunidenses, com Biden à frente, vão lutar para não perderem a influência e o controle econômico que exercem sobre o continente.

Será uma luta desesperada, que evidentemente trará ainda mais instabilidade política e social para a região, em um contexto de maior agravamento da situação econômica.”

Essa afirmação é apenas um aspecto do problema. Que o imperialismo está em crise, é um fato. Mas a vitória de Biden foi uma conquista do imperialismo no sentido de estabelecer certa estabilidade de sua dominação. Logicamente, nada garante que serão bem sucedidos nessa política, mas é preciso ter em conta que a derrota de Trump era uma condição importante para tal estabilidade.

A estabilidade desejada só virá com o apoio da esquerda, que até agora se mostrou completamente adaptada ao regime imperialista. A eleição de Biden e agora o apoio às medidas antidemocráticas contra Trump, mostram que a esquerda caminha rapidamente para uma colaboração com o imperialismo.

A UP ignora esse problema justamente porque participa dessa mesma política. Tal política é representada no Brasil por aqueles que defendem uma frente ampla contra Bolsonaro. São os que agora fazem alianças com a direita golpista no Congresso.

Os aliados da UP nas eleições municipais, como o caso de setores do PSOL, estão nessa política que dá sustentação ao regime político golpista e pró-imperialista no Brasil. Sob o disfarce de luta contra o fascismo, assim como fez a esquerda nos Estados Unidos, estão se aliando com os maiores inimigos do povo, os golpistas e verdadeiros fascistas que são os representantes da direita que deram o golpe e elegeram e sustentam Bolsonaro.

A UP afirma que “o isolamento do governo brasileiro de Jair Bolsonaro parece ser inevitável frente ao novo governo dos EUA.” Tal afirmação também é uma meia verdade. A derrota de Trump pode – mas isso não é garantia – isolar Bolsonaro, mas isso não significa necessariamente um avanço do ponto de vista dos trabalhadores. A derrota de Bolsonaro por uma força mais poderosa, representada por Biden e pelos frenteamplistas brasileiros, significará um retrocesso, a estabilidade que o imperialismo e os golpistas precisam para colocar em prática sua política de ataques contra o povo.

Sem uma análise concreta da realidade, a esquerda fica a reboque da direita e do imperialismo. A saída é uma ação independente dos trabalhadores, uma política que coloque em xeque a dominação do imperialismo e a estabilidade do regime político estabelecido pelo golpe, articulado por Biden e cia. É preciso lutar contra todos os golpistas e a política do imperialismo que nesse momento avança para envolver a esquerda no golpe, usando o fascismo de Trump e de Bolsonaro como espantalho.

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