Desmobilização popular
Por mais que parece uma posição acertada, por trás da decisão de Biden se encontra a manutenção da ordem política vigente e a desmobilização da crescente revolta da população.
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Joe Biden, candidato à presidência dos Estados Unidos pelo Partido Democrata. | Foto: Reprodução.

Nesta última terça-feira (30), o candidato do Partido Democrata que está concorrendo à presidência dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou que não realizará nenhum tipo de ato público de campanha. Durante um discurso em Wilmington, Delaware, Biden afirmou que está tomando esta medida para diminuir os riscos de contaminação pelo novo coronavírus. Na ocasião, o democrata afirmou:

Vou seguir as ordens dos médicos – não apenas por mim, mas também pelo país – e isso implica que não realizarei nenhum comício.

Ao mesmo tempo, Biden critica ferrenhamente a posição de Donald Trump, que realizou, há dez dias, um comício em Tulsa, Oklahoma, resultando em um aumento nos casos de infecção no estado.

A decisão de Biden pode parecer, em um primeiro momento, extremamente sensata e comedida. Todavia, ainda mais durante a pandemia, temos observado que nada é o que parece, principalmente quando sai da boca do candidato à presidência da maior potência do mundo. Nesse sentido, precisamos perscrutar melhor a verdadeira motivação por trás da postura do democrata e analisar de forma crítica a situação.

Revolta popular nos EUA

Há pouco mais de um mês, surgiram, nos Estados Unidos, gigantescas manifestações populares reivindicando a dissolução da polícia e o fim da repressão policial contra a população negra como um todo. Esta insurreição foi desencadeada pela morte de George Floyd, um homem negro brutalmente assassinado pela polícia. É uma série de protestos que deixa nítido o descontentamento e a abjeção da população estadunidense frente ao modus operandi da potência imperialista.

Com isso, estava mais do que comprovado a prioridade do povo estadunidense: acabar com o estado de opressão engendrado pela política genocida de Trump e do Imperialismo como um todo. Ainda que estivessem em meio a uma pandemia, entendiam e, acima de tudo, possuíam convicção de que a mobilização popular era a única solução para a maioria dos seus problemas, notavelmente os mais enraizados na política neoliberal dos Estados Unidos.

Nesse sentido, o anúncio de Joe Biden vem em um momento extremamente crítico no sentido de perpetuar a presença do povo nas ruas. É um período decisivo no qual só existem duas opções: ou o movimento continua ou entra no caminho de sua derrocada. O ponto é que esse refluxo não é à toa, mas sim, reflexo da incompetência e – nesse caso – da falta de interesse das dirigências dos movimentos populares.

O fato é que a base eleitoral de Bernie Sanders, ex-candidato à presidência que declarou apoio à Biden, constitui boa parte das massas que estavam saindo às ruas e reivindicando a queda da ordem política vigente, o que é exatamente o que quer evitar. Portanto, no momento em que declara a sua ausência no que diz respeito à sua participação no cenário político estadunidense, procura desmobilizar seus eleitores. Afinal de contas, caso o movimento continuasse e fosse cada vez mais organizado, o resultado não poderia ser outro: o povo tomaria o poder e extinguiria a possibilidade de Biden assumir o cargo, retirando-lhe todo o prestígio o qual busca incansavelmente.

É uma situação quase que idêntica ao que tem ocorrido no Brasil. Aqui, boa parte das dirigências ditas de esquerda – o PSOL de Guilherme Boulos, em especial – tem tido um papel crucial para desmobilizar completamente o povo nas ruas. É uma equação simples que esses elementos da pequena-burguesia tem aprendido a manipular: povo nas ruas é igual à tomada do poder. Nesse sentido, procuram subtrair o primeiro termo e garantir seus preciosos cargos eleitorais, resultando numa verdadeira traição à classe operária como um todo.

Finalmente, o povo não pode ceder aos interesses da burguesia parlamentar. Precisa, acima de tudo, distinguir quem é, de fato, seu aliado, e quem atua por meio da demagogia, escondendo suas motivações por trás do pretexto da pandemia. As mobilizações populares não podem acabar, devem ser cada vez mais organizadas, centralizadas e combativas. É o único jeito pelo qual os trabalhadores tomarão o poder. Qualquer outra alternativa não passa de uma manobra da burguesia para arrefecer os ânimos da população e garantir, finalmente, a manutenção do capitalismo e da exploração sobre a classe trabalhadora.

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