Nova ameaça
Mutação de nova variante descoberta em pessoas que estiveram no Brasil é mais resistente à vacinação, reforçando a necessidade de um isolamento social sério para os trabalhadores
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Workers of a funeral parlour wearing protective suits carry the coffin of 72-years-old Ilda Lira, who passed away due to coronavirus disease (COVID-19), at the Parque Taruma cemetery in Manaus, Brazil, April 4, 2020. REUTERS/Bruno Kelly
Enterro de vítima da pandemia em Manaus. Trabalhadores são quase a totalidade | Foto: REUTERS/Bruno Kelly

Segundo o Ministério da Saúde do Japão, uma nova variante do coronavírus foi detectada no último domingo (10) em quatro viajantes, todos oriundos do estado do Amazonas, no Brasil. Oficiais do governo japonês afirmaram que a nova variante é diferente das encontradas no Reino Unido e na África do Sul. 

“Até o momento, não há indícios demonstrando que a nova variante encontrada nos viajantes vindos do Brasil seja altamente infecciosa”, disse o chefe do Instituto Nacional de Doenças Infecciosas do Japão (NIID, na sigla em inglês), Takaji Wakita.

Com poucas diferenças, essa variante descoberta é semelhante à que foi encontrada na África do Sul, o que gerou preocupação entre os profissionais de saúde pela elevada capacidade de disseminação.

O comunicado da agência japonesa de saúde destaca ainda que a variante preocupa por afetar a eficácia das vacinas. Segundo o NIID, uma das mutações da variante do coronavírus afetam a capacidade de anticorpos neutralizarem a infecção por coronavírus nas células:

“Existe a preocupação de que a imunidade convencional contra o vírus possa ser menos eficaz com a mutação E484”, afirma o órgão. A mutação E484 é uma das presentes na variante brasileira.

O caso mostra que ao contrário do capitalismo, a evolução do coronavírus não para,  constituindo assim uma ameaça crescente ao proletariado em todos os países, ao mesmo tempo em que derruba ilusões de quem acredita em uma solução rápida e burguesa para a mais grave crise sanitária enfrentada pela humanidade em mais de um século.

Fragilidade de um regime decrépito

A descoberta lembra a declaração dada pelo médico chefe do programa de emergências da OMS, Mark Ryan, que no final de dezembro, declarou que o coronavírus “continuará a ser uma ameaça”. Não poderia ser diferente.

A forma como os governos burgueses vêm lidando com a pandemia, longe de diminuir, impulsiona ainda mais a crise. Mesmo nos países centrais do imperialismo, a organização para enfrentar a pandemia mostrou-se um desastre, o que naturalmente teve reflexos ainda mais duros para a classe trabalhadora destes países, que a exemplo do resto do planeta, foram os mais impactados, entre os doentes e -principalmente- mortos.

Obviamente, a forma mais segura de se lidar com a pandemia é a vacinação. Porém, enquanto ela não estiver disponível, existe outra coisa possível de ser feita e de conhecimento geral: o isolamento social.

Até a obtenção de uma vacina segura e que imunize a população, seria quase uma obviedade restringir ao máximo a circulação de pessoas e evitar aglomerações. Contudo, um ano após a descoberta da pandemia, que já registrou mais de 90 milhões de contágios enquanto se encaminha para ultrapassar a marca de 2 milhões de mortos, absolutamente nada efetivo no que diz respeito ao isolamento social foi feito por governos burgueses em todo o planeta.

Seja em países atrasados, como Brasil e Índia, ou em potências centrais do imperialismo, como os EUA e a Inglaterra, a política de isolamento social nunca foi mais do que uma campanha demagógica, exceto nos casos em que a oportunidade para incrementar a opressão contra a população se apresentava.

Burguesia contra trabalhadores

Muita restrição de direitos fora visto no último período, muita repressão e, por outro lado, em nenhum momento as fábricas, os frigoríficos, as grandes cadeias de comércio varejista pararam, muitas sequer implementaram medidas sérias para evitar aglomerações nos postos de trabalho ou garantir um mínimo de salubridade, através de insumos como álcool em gel, máscaras eficazes e protetores faciais.

Com a elevada jornada de trabalho mantida, trabalhando sem a implementação dos turnos reduzidos e deslocando-se nas conhecidas latas de sardinhas humanas que são os meios de transporte público, em nenhum momento o isolamento social foi real para as massas trabalhadoras.

Devemos lembrar ainda que as condições de vida da classe trabalhadora, o que tem impacto direto na prevalência quase absoluta dos trabalhadores entre as vítimas fatais do coronavírus.

Vivendo em bairros precários, desprovidos de qualquer infraestrutura digna de seres humanos, seja nas grandes cidades ou nos sertões brasileiros, em condições igualmente miseráveis, trabalhando em ambientes insalubres e pobres demais para dispor das condições mínimas de higiene ou de tratamento médico em caso de enfermidades, não é surpresa que a classe trabalhadora tenha sido quase a totalidade entre os que morreram pela pandemia. E continuarão morrendo caso a política não mude drasticamente.

Vacinas suspeitas

Com vendas acima de US$51,75 bilhões em 2019, a Pfizer está entre os 60 maiores conglomerados capitalistas dos EUA. Além disso, a empresa lidera um grupo lobista de 400 corporações americanas, a U.S. Global Leadership Coalition. A influência da companhia na política do governo americano já foi documentada no WikiLeaks, que revelou o lobby da Pfizer contra um acordo de livre comércio entre os EUA e a Nova Zelândia que prejudicava os interesses dos capitalistas.

Em 2019, um ex-chefe da agência de Drogas e Alimentos (FDA, na sigla em inglês), Scott Gottlieb, deixou o cargo no governo Trump para assumir o corpo de diretores da Pfizer, deixando claro a força política da empresa.

Todos estes fatos ganham especial relevância quando lembramos um fato curioso, ocorrido há poucos dias, referente ao apoio recebido pela vacina produzida pela empresa, o que se deu tanto pelo governo americano quanto pela OMS.

Ambos concederam à vacina da Pfizer classificação de “uso emergencial”. Com isso, a vacina produzida ganha facilidades em seus processos de comercialização e administração. Além disso, organizações como a UNICEF e a Organização Pan-Americana da Saúde ficam liberadas para usarem a vacina em seus programas assistenciais ao redor do mundo.

Claro que tudo é muito suspeito, e reforça a desconfiança que a classe trabalhadora deve ter na vacina. Com tantos bilhões e tanta disputa política envolvida, o último interesse envolvido com a vacina é o da preservação da vida da população.

A mobilização popular é imprescindível

O contraste, entre a evolução do coronavírus e o recrudescimento reacionário do regime burguês, deixa a classe trabalhadora sem outra opção além de lutar, mobilizando-se pela defesa de seus interesses.

A deixar pela burguesia, muitos outros milhões de trabalhadores pobres morrerão enquanto os grandes capitalistas que governam o mundo, absolutamente insensíveis ao genocídio que aflige o proletariado, adotam a política do “morra quem morrer”.

É preciso que a classe trabalhadora se radicalize com a mesma intensidade. “Morra quem morrer” entre a burguesia, os interesses dos trabalhadores devem prevalecer, por qualquer meio necessário para garantir que o isolamento social seja efetivo e as vidas dos trabalhadores sejam preservadas.

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