Literatura
Oriundo da classe operária, ele escreveu sobre as vidas dos pobres explorados pelo sistema econômico já decadente em sua época
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Jack London, a expressão da classe opéraria do começo do século XX | Foto: Reprodução.

Nascido em 12 de janeiro de 1876, em São Francisco, John Griffith Chaney iria fazer seu nome mais conhecido pelo pseudônimo de Jack London, grande escritor de histórias de aventura, do gênero realismo e naturalismo. O autor norte-americano é considerado um dos mais importantes de sua época, foi operário e retratou a classe trabalhadora e a miséria do capitalismo em suas obras.

ORIGENS

De acordo com biógrafos, London era filho de um astrólogo chamado William Chaney e uma professora de música e espiritualista, Flora Wellman. Após ela ter engravidado, William exigiu que ela fizesse um aborto, mas ela se recusou e ele resolveu abandonar a criança. Em desespero, ela tenta cometer suicídio, mas acaba por ficar supericialmente ferida. Assim que o bebê nasceu, a mãe decide entrega-lo à ex-escrava Virginia Prentiss, que seria uma figura por toda a vida do autor e também ativista e jornalista.

Em 1876, Flora se casa com John London, um veterano da Guerra de Secessão que se encontrava incapacitado, e trouxe seu filho John ainda bebê, que mais tarde seria conhecido como Jack, para viver com ela e seu novo marido. A família se mudou várias vezes na área da Baía de São Francisco, até se fixar em Oakland, onde London completou seus estudos.

Em 1897, quando já estudava na Universidade da Califórnia em Berkley, London procurou mais informações sobre seu pai biológico através de noticias de jornal e a tentativa de suicídio de sua mãe. Escrevendo para William Channey, que na época estava residindo em Chicago. No dia 4 de junho de 1889, ele recebe a resposta em uma carta de que este não poderia ser seu pai por ter impotência e deu a entender que sua mãe tivera relações com outros homens, sendo mentira que ele tenha insistido em um aborto.

Chaney concluiu dizendo estar mais sentido que London. London ficou arrasado com a carta. Meses depois, ele deixou a universidade em Berkeley e foi para o Klondike. Uma observação: a certidão de nascimento de Jack London parece ter sido destruída nos diversos incêndios que se seguiram ao terremoto de São Francisco de 1906, e assim é impossível saber o nome de quem aparecia no documento como sendo o pai dele.

INFÂNCIA E JUVENTUDE

Desde cedo, oriundo de uma família da classe trabalhadora, London foi um autodidata. Em 1885, ele leu Signa, o longo romance vitoriano de Ouida. Segundo ele, essa foi a semente de seu sucesso literário. E em 1886, na Biblioteca Pública de Oakland, ele encontrou uma simpática bibliotecária, Ina Coolbrith, que o encorajou a aprender (mais tarde, ela se tornaria a primeira poetisa premiada da Califórnia e figura importante na comunidade literária de São Francisco).

A partir de 1889, ele começa a trabalhar em uma fábrica de enlatados Hickmott’s, em jornadas de 12 a 18 horas, como a maioria da classe operária daquele período. Buscando uma saída da jornada de exploração, Jack vai pegar dinheiro emprestado com sua mãe negra adotiva e comprar um pequeno barco a vela chamado Razzle-Dazzle, se tornando um pescador de lagostas até ser contratado como membro da Patrulha Pesqueira da Califórnia.

Em 1893, após ter lido Moby Dick, clássico de Herman Melville, se alista para embarcar na escuna Sophie Sutherland, em viagem para a costa do Japão. Ao retornar, seu país vivia tempos turbulentos, com a crise de trabalho atingindo proporções desastrosas. Oakland era assolada por agitações trabalhistas. Após trabalhos extenuantes em uma fábrica de juta e numa usina de força para bondes, London se uniu à marcha de protesto de trabalhadores desempregados conhecida como “Exército de Kelly” e começou uma carreira como andarilho. Revelou-se um mestre na arte de viajar de trem de ferro como clandestino.

Finalmente, chegou a ser preso por 30 dias por vadiagem, em 1894, penitenciária do condado de Erie, em Buffalo. Ele aproveitou a experiência para descrever a brutalidade do sistema prisional e fazer uma denuncia da degração do ambiente esmagador das prisões inglesas, em The Road (traduzido como A estrada, ou Vagabundos cruzando a noite):

“O açoite era meramente, de fato, um dos horrores menores e impublicáveis da penitenciária do condado de Erie. Eu digo ‘impublicáveis’, mas deveria dizer mesmo indescritíveis. Para mim, eram impensáveis até que os vi, mesmo não sendo eu nenhum novato nos caminhos do mundo, nem nos horrendos abismos da degradação humana. Seria preciso um mergulho profundo para chegar ao recôndito da penitenciária do condado de Erie, mas me restrinjo à leveza das coisas superficiais e jocosas, conforme as vi.”

VIDA ACADÊMICA E O PRIMEIRO SUCESSO

Após diversas experiências como entregador de jornais na adolescência, operário fabril, pescador e patrulheiro marítimo na juventude, aos 19 anos ele tem a oportunidade de estudar. Mas é fato que toda experiência de vida do autor serviu para melhor relatar sua vivência em Londres.

London queria desesperadamente cursar a Universidade da Califórnia, em Berkeley. Em 1896, após um verão de estudo intenso para passar nos exames de admissão, foi admitido. Circunstâncias financeiras forçaram-no a deixar a universidade em 1897 e ele nunca se formou. Não há indícios de que London tenha escrito para publicações estudantis enquanto estava em Berkeley.

Em 26 de janeiro de 1903, Jack London entregou o manuscrito concluído de The Call of the Wild “A Chamada da selva” ao The Saturday Evening Post. Em 12 de fevereiro, o editor concordou em comprar a história se London cortasse até cinco mil palavras e desse seu preço. Jack concordou e estabeleceu o preço em 0,03 dólar por palavra. Em 3 de março, recebeu um cheque de 750 dólares. Dois dias depois, a editora Macmillan comprou os direitos do livro por 2.000 dólares, com a promessa de promover uma extensa publicidade.

Se naquela época Jack soubesse que seu livro se tornaria um clássico da literatura norte-americana, cujos royalties o fariam rico, a barganha teria sido diferente. Ainda assim, sem o extenso programa promocional, aquele poderia facilmente ter sido apenas mais um livro sobre cães. Isso nunca se saberá, mas Jack jamais se arrependeu de sua decisão, percebendo que a promoção extra da Macmillan fora um fator fundamental para seu sucesso.

LEGADO E MORTE

O início do século XX foi a época de origem dos movimentos de massa da classe operária que conhecemos hoje. Com toda certeza, parte do espírito de ascensão da classe operária está registrado em suas obras. Além de sua grande contribuição artística, John também foi um militante socialista. Sua obra até hoje permanece importante e atual com relançamentos em diversas línguas.

Morreu em 22 de novembro de 1916, em uma varanda de um chalé de seu rancho, com muitas fontes mais antigas descrevendo sua causa de óbito como suicídio. Sua certidão de óbito declara a causa da morte como uremia, após cólica renal aguda, um tipo de dor frequentemente descrito como “a pior dor […] jamais experimentada”, comumente causada por cálculos renais. Uremia também é conhecida como envenenamento urêmico.

Ele sentia dores extremas e tomava morfina, sendo possível que uma sobredose de morfina, acidental ou deliberada, tenha causado sua morte. Mas a bem da verdade, a própria literatura de London descreveu em muitas histórias casos e histórias de suicídio, o que certamente levou as especulações.

Precursor no que era, então, o novo mundo das revistas comerciais de ficção, London foi um dos primeiros romancistas a obter celebridade mundial somente com suas histórias, além de uma grande fortuna. Dentre suas obras mais conhecidas, também estão Before Adam (Antes de Adão), White Fang (Caninos Brancos) e The Sea Wolf (O Lobo do Mar).

A verdade é que a obra de London ficou marcada por ser a expressão da classe operária inglesa numa época de declínio do capitalismo e ascensão do imperialismo, que viria a acarretar em duas grandes guerras mundiais. London não viveu isto, mas deixou um legado que permanece extremamente relevante para a literatura, tendo descrito as vidas dos miseráveis e dos explorados pelo sistema econômico que já caia de podre em sua época.

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