Já existe uma disposição de protestos contra os golpistas: é preciso impulsionar o movimento

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O governo fraudulento dos militares golpistas e do arremedo de presidente, que é o ilegítimo Jair Bolsonaro, não tem mais somente a própria fraqueza e a total incompetência em governar para se preocupar. A disposição popular em protestar – e até mesmo em derrubar este governo imposto pela burguesia imperialista – contagia a população como um rastelo de pólvora em um paiol de explosivos.

Não precisou mais do que dois meses de governo para ficar claro que estamos sendo governados, mal e porcamente, por um bando de pilantras da pior espécie, gente que somente poderia chegar ao poder à base da maior fraude eleitoral que este país já viu, e cuja base popular, hoje, se restringe a um punhado de histéricos de internet, que não têm coragem nem número suficiente para qualquer ação real na rua, quando afrontados pelos trabalhadores.

Generaliza-se a sensação de revolta, por estar o Brasil à deriva, em um mar de rejeitos.

O povo está cada dia mais furioso com os golpistas, fazendo com que a tendência à luta cresça rapidamente, em uma escalada de proporções nacionais.

Em São Bernardo, os operários da Ford encontram-se em greve desde o dia em que a montadora anunciou o seu fechamento. Demonstrando a força do movimento, no último dia 26 de fevereiro os operários realizaram um imenso ato, com milhares de trabalhadores. Na ordem do dia, coloca-se a necessidade de ocupação da fábrica.

Em São Paulo, os servidores públicos paulistanos em greve foram aos milhares às ruas no último dia 22 de fevereiro em protesto contra a reforma da Previdência municipal do prefeito coxinha Bruno Covas. No dia 26 de fevereiro, a categoria aprovou a continuidade da greve, mesmo com o corte ilegal do ponto dos funcionários. Neste mesmo dia, 80 professores ocuparam a Diretoria Regional de Educação de São Mateus, exigindo que se cumpra a Constituição Federal, garanta-se o direito de greve e suspenda-se os cortes de salários.

Em Porto Alegre, desde o dia 26 de fevereiro, os funcionários públicos municipais entraram em greve pelo pagamento do décimo terceiro salário de 2018 por parte do prefeito direitista Nelson Marchezan e contra o projeto de lei que determina o fim do plano de carreira daquela prefeitura. “Estamos buscando a maior paralisação da história da categoria”, afirmou Jonas Tarcísio Reis, membro da direção do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa).

Até mesmo categorias não organizadas estão se levantando contra a repressão fascista do Estado, como os ambulantes dos trens da CPTM que, cansados de verem seus pertences serem sistematicamente roubados pelo poder público, perderam a esportiva e deram uma surra nos seguranças daquela Companhia de Trens, no último dia 21 de fevereiro, na região metropolitana de São Paulo.

No campo, a militância do MST, índios e o PCO organizaram protestos contra a privatização do Parque Nacional do Pau Brasil, momento em que foi necessário até mesmo defender fisicamente os manifestantes, ameaçados de serem simplesmente atropelados pelo automóvel em que estava o ministro fascista do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

No início do mês de fevereiro, manifestantes do MST e índios Pataxó bloquearam a estrada de escoamento da mineradora Ferrous, em Mateus Leme, Minas Gerais, em protesto contra a sistemática ação criminosa das mineradoras, cujas barragens de rejeitos mantêm centenas de pessoas em constante risco de vida.

E como não poderia ser diferente, o carnaval deste ano transformou-se em uma imensa manifestação de “Fora Bolsonaro” e “Liberdade para Lula”.

Em Belo Horizonte, logo pela manhã do sábado de carnaval, o bloco “Então, Brilha!” arrastou cerca de 100 mil pessoas pelas ruas da capital mineira, que, em diversos momentos gritaram “Ei, Bolsonaro, vai tomar no c*”, frase que se espalhou como verdadeiro mote de carnaval por todo o país, ecoando pelas ruas de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Olinda dentre outras capitais e até mesmo tomando conta de redes sociais, como Twitter e Facebook.

A exigência de Liberdade para Lula também tomou as ruas mineiras através de diversos blocos de carnaval, como o “Ai que Saudade do Meu Ex” – que também organizou o Carnaval com Lula, levando uma caravana de militantes para Curitiba –, o “Sou Vermelho”, “Havayanas Usadas”, “Volta Belchior”, “Tchan da Zona Norte”; da marchinha “Solta a Jararaca”, que ganhou o 2º lugar na classificação das marchinhas de Belo Horizonte; e também pela intensa atuação do coletivo Alvorada, que distribuiu adesivos, bandanas e panfletos pela liberdade de Lula, denunciando sua prisão política, além de faixas “Lula Livre” e de um “bonecão” do ex-presidente, que fez muito sucesso entre os foliões.

Em Olinda, bandeiras pela liberdade de Lula foram espalhadas por toda a cidade e os bonecos de Bolsonaro e sua esposa Michelle tiveram que ser escondidos da população diante da reação agressiva do povo contra estes símbolos do governo golpista.

Já a direita, faz tempo não leva ninguém para a rua. Neste domingo, por exemplo, estava marcado em São Paulo, na Vila Madalena, o Bloco dos Bolsominions. Quem apareceu lá? Ninguém.

Na verdade, os fascistas estão com cada vez mais medo de aparecer nas ruas. Confrontados com crescente agressividade da reação popular que os expulsa das ruas, covardes que são, correm para o esgoto de onde nunca deveriam ter saído.

É o que ocorre com o MBL, por exemplo, desde o ano passado. Expulso do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, em novembro último, foi também colocado para correr este ano ao menos em três oportunidades: frente do Consulado de Cuba (26 de janeiro), frente à UNE de São Paulo (29 de janeiro), e em Guarulhos, pelos trabalhadores em ato contra o aumento do preço das passagens, no início de fevereiro.

Já a liderança popular do ex-presidente Lula surge como uma verdadeira tormenta no horizonte dos golpistas, com as massas prestes a mostrarem toda a sua fúria.

Veja-se a comovente repercussão popular produzida pelos breves acenos de Lula ao povo, quando do velório de seu neto Arthur, morto, em última análise, pelo descaso dos golpistas com a saúde, já que poderia ter sido salvo com certa facilidade, se logo na primeira consulta houvessem realizado o exame adequado, que detectaria a presença da bactéria da meningite que o matou.

Frente a sua imagem de dignidade e força, pelas redes sociais espalhava-se a frase que Lula, mesmo em silêncio, é sempre um ato político.

O contraste entre a liderança natural de Lula e a revolta generalizada produzida pelas declarações fascistas de Eduardo Bolsonaro, forma a imagem clara da crescente polarização existente no País, e do forte deslocamento à esquerda da população, mobilizando-se de forma mais intensa a cada dia que passa, na iminência de realmente ir para cima deste governo golpista, crítico, despreparado, incompetente, formado por paspalhões sem a mínima capacidade de conduzir o país.

O povo trabalhador precisa agora mais do que nunca de suas lideranças.

Precisa que suas organizações sindicais, seus movimentos de luta, os partidos políticos de esquerda, que realmente estejam comprometidos com os interesses das massas, as organizações de base, comitês de luta contra o golpe, comitês Lula Livre e demais coletivos, façam-se presentes nas ruas, junto às massas, organizando e mobilizando a todos para derrubar o governo Bolsonaro, e impor um fim ao programa golpista de superexploração de nosso povo e de nossas riquezas que invadiu o nosso País pela ação golpista do imperialismo. O mesmo que hoje quer derrubar também o governo legítimo e popular de Maduro, na Venezuela, para obter petróleo para os grandes monopólios, ainda que isso custe a vida de milhões de pessoas.

O Brasil está pegando fogo e precisa da coragem e da capacidade de ação de suas organizações de luta para colocar toda esta corja golpista para correr de uma vez por todas de nosso País.

A população organizada tem força para isto e somente e precisa da liderança das instituições da classe trabalhadora, para que venha a tona, e com toda a força, a enorme rebelião popular hoje em ebulição aqui e ali, e que está a ponto de se unir em luta generalizada por todo o nosso País.