Literatura
O posicionamento do famoso autor o O Senhor dos Anéis sobre o nazismo alemão em carta à uma editora em plena Segunda Guerra
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SPECIAL PRICE. The late British author J. R. R. Tolkien pictured in Oxford, 1972. He was elected an Honorary Fellow of Merton College in 1971. Tolkien died in 1973.
J. R. R. Tolkien | Divulgação

Nesta data, há 129 anos, nascia o escritor britânico J. R. R. Tolkien. Ensaísta, filólogo, e professor universitário, alcançou a fama mundial por meio da literatura fantástica moderna – ao qual é considerado pai – reconhecido em especial pela trilogia O Senhor dos Anéis, que atingiu uma proporção ainda maior de leitores após sua reprodução e lançamento cinematográfico a partir de A Sociedade do Anel, em 2001.

Tolkien, o fascinado pela linguística – o moderno estudo das línguas, com frequência, introduziu em seus livros temas épicos, algumas vezes referências religiosas, mas basicamente um pano de fundo sobre a luta do ‘bem contra o mal’, da ‘humanidade contra o caos’, etc, abrangendo para tanto as diversas ciências: a antropologia, a biologia, a sociologia, a filosofia, a arquitetura, que como a filologia, foram usadas para criar os diversos personagens, reinos, sociedades e costumes de um novo universo.

Nesse mesmo sentido, o britânico não deixou a ciência política de lado. Ao contrário do que o termo ‘fantasia’ nos induz a pensar, após o lançamento e sucesso de seu livro O Hobbit, em 1937, Tolkien foi obrigado a se manifestar politicamente. Foi no ano seguinte, quando uma editora alemã se propôs a lançar a primeira tradução da obra no país. Esta, para o lançamento, obrigou Tolkien a comprovar que não possuía descendência judia.

Revoltado com a imposição, e inclinado a desistir do lançamento em língua alemã, escreveu duas cartas-resposta a ser enviada a editora alemã. Uma delas dizia o seguinte:

Só posso responder que lamento o fato de que aparentemente não possuo antepassados deste povo talentoso. Meu tataravô chegou na Inglaterra no século XVIII vindo da Alemanha: a maior parte da minha ascendência, portanto, é puramente inglesa, e sou um indivíduo inglês — o que deveria ser suficiente. Fui acostumado, no entanto, a estimar meu nome alemão com orgulho, e continuei a fazê-lo no decorrer do período da lamentável última guerra, na qual servi no exército inglês. Não posso, entretanto, abster-me de comentar que, se indagações impertinentes e irrelevantes desse tipo tornar-se-ão a regra em matéria de literatura, então não está longe o tempo em que um nome alemão não mais será um motivo de orgulho. (Rascunho da Carta 30, 25 de julho de 1938)

Com a carta, fica clara a posição do autor frente ao nazismo. Se coloca totalmente contra a supremacia branca e ariana de Hitler. Se põe politicamente ao lado dos judeus em oposição a qualquer superioridade alemã em relação aos povos. Responde à editora nazista, não de forma burocrática sobre a origem de seu sangue, mas de forma combativa sobre a própria imposição, sobre o fascismo no país. Podemos, em seus livros, certamente relacionar, dessa forma, a luta contra o mal, como a luta contra o fascismo no mundo.

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