Itaú ganha R$ 70 bilhões em dois anos e mostra para que serve o golpe de Estado

Agência do banco Itaú na Avenida Paulista, em São Paulo

Um dos principais patrocinadores “nacionais” do golpe de Estado, acaba de divulgar um lucro recorde de cerca de R$ 25 bilhões no ano de 2018. O maior lucro de toda a série histórica dos bancos no Brasil e um dos maiores do mundo. Foi o quinto ano consecutivo que o banco ocupou o primeiro lugar entre todos os bancos brasileiros.

O valor supera em quase R$ 6 bilhões o lucro de outro campeão de ganhos em uma etapa de profunda crise econômica: o Bradesco, que lucro cerca de R$ 19 bilhões no ano passado.

O valor do lucro do Itaú, por exemplo:

  • equivale a cerca de 95% de todo o orçamento federal da Educação nesse mesmo ano, que foi da ordem de R$ 26 bilhões;
  • é inferior em apenas R$ 1 bilhão ao total de todo o orçamento do Estado do Ceará, atualmente o décimo primeiro estado mais rico do país e o terceiro mais rico do Nordeste, com mais de 9 milhões de habitantes;
  • é maior que o PIB de mais de 5.500 cidades brasileiras (mais de 99%, ou seja, ou seja quase todas). Apenas cerca de 30 tiveram PIB superior ao lucro do Itaú em 2017.
  • Equivale à renda média mensal de cerca de 12.000.000 de brasileiros (isso mesmo 12 milhões de brasileiros que ganharam em média pouco mais de R4 2 mil, em 2018) e, portanto, equivale à renda anual de mais de 1.000.000 (um milhão de brasileiros!!!!)

Todo esse lucro, não advém apenas da enorme “capacidade”operativa do Itaú em saquear parcela expressiva do povo brasileiro (outra parcela é assaltada pelos demais bancos). Não se trata de compensação pela chamada “meritocracia” ou eficiência dos capitalistas, como os defensores do “mercado” gostam de apregoar. É bom lembrar, por exemplo, que toda a política financeira é ditada diretamente pelo Estado capitalista e, na etapa atual, pelo regime golpista, no qual os banqueiros em geral, e o Itaú em particular, comandam postos chaves do Executivo, Legislativo e Judiciário.

Uma prova inequívoca desse controle é que, justamente no ano anterior a este lucro extraordinário (que supera em pouco mais de R$ 1 bilhão os ganhos do ano anterior) o Itaú foi contemplado com um presente gigantesco do governo golpista de Michel Temer: o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), órgão vinculado ao Ministério da Fazenda decidiu favoravelmente ao Itaú-Unibanco em processo que cobrava da empresa, atualmente o maior banco do Brasil, o não pagamento de tributos em valor superior a R$ 20 bilhões.

Em 2013, ainda no governo de Dilma Rousseff, através de auto de infração elaborado pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), foi indicado que o Itaú devia pagar cerca de R$ 18 bilhões, acrescidos de juros e multa por irregularidades na fusão entre os dois bancos que causaram danos ao povo brasileiro.

Assim, um ano depois de ser “perdoado” de uma dívida de mais de R$ 20 bilhões, Itaú obteve lucros de R$ 25 bilhões, totalizando ganhos de quase R$ 70 bilhões em apenas dois anos, por conta da generosidade do “austero” governo golpista que no mesmo período aprovou no Congresso o congelamento dos gastos públicos por 20 anos, para supostamente “conter os gastos públicos”.

Somando-se os lucros dos maiores bancos apenas em 2018, chegamos ao total de mais de R$ 100 bilhões, valor equivalente ao que o ministro da Economia, Paulo Guedes, anuncia que pretende “economizar” por ano – nos próximos 10 anos – com a reforma da Previdência, ou seja, expropriando milhões de trabalhadores, impedindo-os de se aposentarem, cortando benefícios, aumentando a contribuição dos trabalhadores etc. para justamente incentivar a previdência privada, ou seja, favorecer os já ultra favorecidos sócios do golpe de Estado, os banqueiros do Itaú, Bradesco etc.

Dados parciais que mostram claramente o regime de rapina que os bancos, associados ao grande capital internacional, estão operando no País com o golpe de Estado, sugando todos os recursos da economia nacional e agravando as já deterioradas condições de vida e de trabalho da imensa maioria da população brasileira para garantir o parasitismo dos “liberais”, falsamente defensores da “iniciativa privada”, cada vez mais dependentes da apropriação em larga escala dos recursos públicos para garantirem seus lucros em uma etapa de crise histórica do capitalismo.

Em tais condições, a única alternativa real à expropriação do povo brasileiro pelos bancos é a expropriação dos bancos pelos explorados e suas organizações, com a estatização do sistema financeiro sob o controle dos trabalhadores. Para chegar a essa etapa necessária, é preciso derrubar o regime nascido no golpe de Estado (Fora Bolsonaro e todos os golpistas!), por meio de uma mobilização revolucionária.