Itália: Torcedores da Internazionale ofendem jogador negro do Napoli com insultos racistas

kalidou-koulibaly-durante-jogo-entre-napoli-e-inter-de-milao-1545873160823_1920x1280

Mais um caso de racismo nos gramados do velho continente foi registrado em uma partida de futebol nesta semana. Desta vez o lamentável e odioso episódio ocorreu durante uma partida entre dois times italianos, envolvendo as equipes da Internazionale/Milão e o Napoli, da cidade de Nápoles, situada no sul da Itália, a região considerada “pobre” do país.

Durante quase toda a partida, do começo ao fim, o jogador francês de origem africana/senegalesa, Kalidou Koulibaly, zagueiro do Napoli, foi vítima de imitações de macaco vindas das arquibancadas do estádio. O técnico do time visitante, Carlo Ancelotti, afirmou que repetidas vezes pediu para o árbitro interromper a partida, sem que fosse atendido. “Koulibaly certamente estava irritado. Normalmente ele é muito calmo e profissional, mas ele foi alvo de imitações de macaco durante o jogo. Pedimos três vezes para que algo fosse feito, mas o jogo seguiu” (ESPN, 27/12).

Ancelotti foi ainda mais enfático nas críticas dizendo que “talvez nós tenhamos que tomar providências nós mesmos na próxima vez e parar de jogar. Provavelmente perderemos o jogo se abandonarmos, mas estamos preparados para fazer isso. Não é bom para o futebol italiano” (Idem, 27/12).

Koulibaly acabou sendo expulso durante a partida, depois de uma jogada faltosa que foi interpretada pelo árbitro como passível de cartão amarelo. O zagueiro reagiu aplaudindo sarcasticamente a decisão do árbitro, no que foi expulso. Dá para entender? O árbitro, que nada fez para coibir as manifestações de racismo da torcida dirigidas ao jogador do Napoli, tomou a decisão de punir a vítima, beneficiando os torcedores racistas e o time da Internazionale, que acabou saindo vitorioso no confronto.

Depois da partida, Koulibaly se manifestou em sua conta numa rede social dizendo que “estou desapontado pela derrota, mas acima de tudo por ter deixado meus irmãos. Mas eu tenho orgulho da minha pele. Orgulho de ser francês, senegalês, napolitano: um homem” (Idem, 27/12).

Os casos de racismo na Europa, não só no futebol como em várias outras esferas da vida social, se sucedem na mesma medida que a extrema-direita avança em praticamente todos os países do velho continente, o que outrora foi chamado de “mundo civilizado”. Na Itália, onde ocorreu mais este caso de racismo, o neofascismo acaba de sair vitorioso das eleições. Milão, cidade sede do time da Internazionale, próspera e rica cidade situada ao norte do país, é uma das principais componentes do eixo político-eleitoral onde a extrema-direita italiana tradicionalmente obtém sua maior votação.

O fascismo e a extrema-direita européia, em seus discursos, atacam ferozmente os imigrantes, em particular os africanos, que fogem das guerras, da fome, da miséria e das perseguições étnicas no continente negro, tragédias essas alimentadas justamente pelos colonizadores racistas europeus.