O presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Junior, disse hoje (27)  acreditar que o projeto de lei (PL) que trata da privatização da estatal seja aprovado pelo Congresso Nacional no primeiro semestre. “Eu percebo, de todas as lideranças com que falo, o reconhecimento da importância desse movimento da privatização. Não é mais uma palavra condenada, proibida”, disse Ferreira Junior, ao apresentar os resultados da empresa no ano passado.

Na contramão desta tendência neoliberal de sucateamento dos bens públicos por meio da privatização com a bravata de que a empresa é deficitária está a própria Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), e que, depois de saber desse projeto do governo manifestou-se publicamente contrária, ponderando que o impacto inicial desse processo será o aumento de tarifa para a população, a exemplo do que aconteceu na Argentina, onde houve aumento de 700% na tarifação da energia.

Os números, inclusive, de balanços anteriores mostram uma empresa em franco crescimento e muito lucrativa.

Segundo dados disponibilizados no jornal Valor Econômico, a Eletrobras – saiu de um prejuízo líquido de R$ 1,3 bilhão no segundo trimestre de 2015 para um lucro líquido de R$ 12,7 bilhões no segundo trimestre de 2016, segundo companhia recuou 32,6% no segundo trimestre de 2016, para R$ 3,3 bilhões, ante os R$ 4,9 bilhões de um ano antes. A companhia registrou lucro bruto de R$ 29,6 bilhões no segundo trimestre de 2016, mais de nove vezes acima dos R$ 3,2 bilhões no segundo trimestre de 2015. A empresa teve despesa operacional no segundo trimestre de 2016 de R$ 6,7 bilhões, em alta de 63,4% ante despesa operacional de um ano antes, de R$ 4,1 bilhões. A Eletrobras saiu de prejuízo operacional de R$ 927,0 milhões no segundo trimestre de 2015 para lucro operacional de R$ 22,9 bilhões no segundo trimestre de 2016. A companhia teve despesa financeira líquida de R$ 1,2 bilhão no segundo trimestre de 2016, quase cinco vezes maior do que a despesa financeira líquida de R$ 263,6 milhões de um ano antes.

Mas, a verdade é que o Ministério de Minas e Energia está entregue nas mãos de lobistas do setor privado que querem impor seus interesses pessoais em detrimento dos interesses da sociedade brasileira. O que equivale dizer dar às empresas de capital estrangeiro o controle dos recursos naturais brasileiros produtores de energia.

A campanha encampada pelo governo golpista de difamação da Eletrobras é o mesmo recurso disponibilizado com a Petrobrás, que começa dizendo que não dá lucro e só despesa, depois termina com a venda dela por qualquer preço no mercado para alguém que, de bandido que é, sai como salvador do Brasil por fazer o favor de comprar algo que dá prejuízo.

O impacto, contudo, não para aí no bolso do consumidor ou do contribuinte. O presidente da Eletrobras informou também que a estatal planeja reduzir o número de funcionários, atualmente em torno de 22 mil para 12 mil, até o fim do ano, e já lançou o Plano de Demissão Voluntária ou Consensual como denominou, com o alvo em mais 3 mil funcionários em todas as suas empresas, o que gerará um aumento de desempregados e um crescimento dos problemas sociais, um verdadeiro caos que o trabalhador terá que enfrentar pela falta de colocação e empregos.

O índice de desemprego no Brasil atingiu 12,2% no trimestre encerrado em janeiro de 2018. Isso signica que 12,7 milhões de pessoas estão desempregadas no país. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da pesquisa Pnad Contínua.

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