Guerra química por omissão
Não estender a vacina aos palestinos da Faixa de Gaza é um verdadeiro genocídio
RAMAT GAN, ISRAEL - DECEMBER 19: (----EDITORIAL USE ONLY MANDATORY CREDIT -
Primeiro Ministro Benjamin Netanyahu é o primeiro a ser vancinado | Israeli Prime Ministry/ Anadolu Agency/ Getty Images
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Primeiro Ministro Benjamin Netanyahu é o primeiro a ser vancinado | Israeli Prime Ministry/ Anadolu Agency/ Getty Images

Com o reconhecimento mundial de ser o programa de vacinação mais eficiente do mundo, melhor dos que os países mais desenvolvidos, chegando a imunizar 28% da população em 25/01, é inevitável o contraste em relação aos 5 milhões de palestinos vivendo em condições precárias na Faixa de Gaza, com quem Israel vive em guerra pela ocupação da Palestina, desde a criação de seu Estado em 1948, com um sistema de saúde em franco colapso, e um grande drama na pandemia.

A atitude de Israel de não estender a vacina aos palestinos da Faixa de Gaza tem sido criticada, e se configura como um verdadeiro genocídeo com gatilho na omissão de ajudar.

Um eco neste sentido, e que apela para que Israel forneça aos palestinos excluídos vacinas contra o coronavírus, tem sido visto nos EUA, através dos parlamentares e organizações solidárias àquela população, seguindo o exigido pelas convenções internacionais em casos de ocupações.

A BBC colheu declaração de Yuli Edelstein, ministro da Saúde de Israel, que  disse, se defendendo contra as acusações de desumanidade, que, em relação ao programa de vacinação, a sua primeira responsabilidade era para com os cidadãos de Israel.

Apesar disso, a Faixa de Gaza não deve ser tratada como uma crise humanitária, mas política.

Antes da Primavera Árabe de 2011, o mundo muçulmano costumava se unir em bloco em defesa dos palestinos. Porém, esta unidade vem sendo alvo de ataques do imperialismo para que não haja uma união que crie resistência aos seus interesses. 

Nessa guerra entre os dois lados, Israel, com um exército muito superior ao dos palestinos liderado pelo Hamas,  é sempre mais letal em seus ataques desproporcionais. O bloqueio em Gaza é uma forma de punição coletiva, não diferencia quem é do Hamas e quem é civil. 

O Hamas (Movimento da Resistência Islâmica) é um dos grupos mais extremistas na luta contra a existência do Estado de Israel, criado após o fim da Segunda Guerra Mundial para abrigar os judeus. Fundado em 1987, o Hamas é liderado por um núcleo de médicos e pós-graduados – Abdel Aziz Rantissi, Mahmmoud Zahar, Ismail Hanieh e Ismail Shanab.

O grupo passou a ser classificado como terrorista pela União Europeia depois de agosto de 2003, quando atacou Jerusalém matando centenas de civis israelenses. Considerado o segundo maior movimento de guerrilha palestino contra Israel, atrás apenas do Fatah, a entidade funciona em alguns casos como uma rede filantrópica e assistencial, que ajuda algumas famílias em regiões da Cisjordânia e de Gaza. 

A Faixa de Gaza é um território palestino localizado em um estreito pedaço de terra na costa oeste de Israel, na fronteira com o Egito. Marcada pela pobreza e superpopulação, tem 1,7 milhões de habitantes e está lotada de favelas em uma área de menos de 40 km de extensão e outros poucos quilômetros de largura. Quem mora ali tem uma vida de restrições.

Após o grupo islâmico Hamas assumir o controle da região em 2007, as restrições impostas por Israel à população de Gaza ficaram ainda mais duras.

Os bloqueios criam dificuldades de abastecimento de produtos básicos, como remédios e comida, para a população.

Os palestinos que vivem ali estão sujeitos a uma rotina em que movimentos são restritos, há cortes de energia frequentes e a economia local está em frangalhos. Também há restrições para atividades como agricultura e pesca.

Um relatório da ONU do final de agosto passado sobre a Faixa de Gaza nos deu informações de que, naquela época, haviam 350 leitos para tratar pacientes com Covid-19, 97 leitos de UTI com ventiladores, sendo que dois terços já estavam em uso. “Ventiladores, monitores cardiovasculares, carrinhos de emergência totalmente equipados e máquinas de raio-X portáteis estão em falta”, contou o relatório sobre a situação por lá.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), no final de agosto,  enviou dez ventiladores e dois desfibriladores. Outras organizações também entregaram medicamentos e outros equipamentos. Mesmo assim, a opinião  entre especialistas e entidades é que isso está muito aquém da triste demanda que há por lá, e que Israel precisa autorizar a entrada de mais bens.

Analista de Israel e da Palestina do International Crisis Group informaram que há pacientes que morrem por causa dos cortes de eletricidade, e que às vezes, em enfermarias pediátricas, onde há bebês em ventiladores, as enfermeiras têm que bombear oxigênio manualmente nos pulmões dos bebês. 

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