Isolado, Bolsonaro terá apenas 8 segundos de TV

Entrevista com o Deputado Jair Bolsonaro

Conforme o cenário eleitoral prossegue, em alguma medida, tomando corpo para as eleições previstas para 2018, Bolsonaro, o pré-candidato à presidência pelo PSL (Partido Social Liberal) consolida-se como uma figura isolado. O fato de Bolsonaro ter implorado a aceitação da burguesia nacional chegou a lhe render alguns aplausos, mas, até o momento, a euforia do setor escravocrata e fascistóide do empresariado não foi convertido em real apoio político.

Depois de ciscar atrás de diversos partidos, sobretudo o DEM e o PP por possuírem uma bancada numerosa de parlamentares (o que é convertido em mais tempo no horário eleitoral gratuito transmito pelas rádios e emissoras de TV), o militar de baixa patente sai relegado como um candidato politicamente minoritário, apesar de possuir considerável intenção de votos.

Caso as previsões se confirmem, Bolsonaro terá apenas 8 segundos no horário eleitoral e comporá chapa com a desequilibrada Janaína Paschoal – uma das marionetes que emprestou fôlego ao farsesco impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Desta forma, vai se confirmar a análise de que Bolsonaro não é a escolha principal do mercado e que, para tira-lo, a burguesia está disposta a realizar uma arriscada operação de transferência de votos – provavelmente tendo como destino o indigesto peessedebista Geraldo Alckmin – o que pode resultar em uma situação ainda mais caótica no panorama político geral.

A manobra para minimizar Bolsonaro no primeiro turno, sem, contudo, impedi-lo de concorrer faz parte da clássica estratégia eleitoral de manipular o cenário do primeiro turno para direcionar o resultado do segundo turno. Na hipótese de um segundo turno fraudado, sem Lula para aglutinar os votos contrários ao golpe, Bolsonaro serviria como um espantalho, criando chances reais de vitória ao verdadeiro escolhido da burguesia – posição que permanece indefinida entre Marina Silva, Alckmin e o pseudo-esquerdista Ciro Gomes.

Isso tudo indica que, muito embora algumas correntes equivocadas da esquerda tentem dissipar o apoio eleitoral a Lula sob a distorcida ótica de que não se trataria de uma posição pragmática, o único candidato capaz de impor uma derrota real (muito embora não fatal) ao golpe é o ex-presidente Lula, sendo que sua prisão política é, cada vez mais, o elemento de fundamental importância no desmoronamento das instituição brasileiras.