Autodefesa das mulheres
Agressão sexual contra deputada do PSOL repete um padrão que demonstra a necessidade da esquerda endurecer contra machões da direita e repelir ataques por qualquer meio necessário
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Cury_IsaPenna
Momento em que Cury ataca o corpo de Isa Penna. Ninguém fez nada contra o direitista | Foto: Reprodução

A deputada estadual Isa Penna, do PSOL, sofreu um assédio sexual público em plena sessão plenária na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), na última quarta-feira, 16. Diante das câmeras da Alesp, que transmitia a plenária ao vivo, e aos olhos de todos os parlamentares presentes, o também deputado estadual Fernando Cury (Cidadania) agarrou-a, com sua mão nitidamente tocando o seio da deputada.

As imagens do assédio rapidamente espalharam-se nas redes sociais, ganhando o repúdio generalizado pela atitude nojenta do político direitista e latifundiário.

Em entrevista concedida à CNN, Isa Penna denunciou que os assédios são constantes e que não considera o ato um abraço, ao contrário do que argumenta o parlamentar: “Não foi um abraço porque eu senti a mão dele. Ele pegou no peito.”

A descaracterização do ataque como abraço se deu pela alegação de Cury, que se defendeu da acusação declarando que “não houve, de forma alguma, tentativa de assédio, de importunação sexual ou qualquer outra coisa”, acrescentando ainda:

“Eu nunca ia fazer isso na frente de 100 deputados”

A alegação de Fernando Cury chama atenção por um detalhe que sua defesa acrescenta, que não lhe ajuda em nada mas evidencia a opressão sofrida pelas mulheres em geral. Afinal, com um ataque contra as mulheres ocorrendo na “frente de 100 deputados”, onde estavam e o que faziam esse expressivo contingente de pessoas enquanto a deputada era atacada de maneira tão nojenta?

O caso lembra uma situação envolvendo um notório inimigo das mulheres: o presidente ilegítimo Jair Bolsonaro.

Então deputado federal pelo PTB-RJ, no ano de 2003, Bolsonaro ameaçou de maneira pública, diante das câmeras de tv, que “jamais vou estuprar você por que você não merece”. A ameaça fora feita contra a também deputada Maria do Rosário (PT-RS), na Câmara dos Deputados.

Na sequência, diante da indignação da deputada petista, Bolsonaro chega a empurrar Maria do Rosário. Diversas pessoas acompanham o ocorrido, incluindo o empurrão de Bolsonaro contra Maria do Rosário. Nenhuma faz nada.

No caso da parlamentar psolista, a mesma situação se observa, uma total inércia de 100 deputados diante do ataque sexual sofrido por uma parlamentar aos olhos de todos. É preciso lembrar ainda que a Alesp conta com 15 parlamentares de esquerda, sendo 10 do PT, 4 do PSOL e 1 do PCdoB, que nada fizeram também.

É preciso um amadurecimento político por parte da esquerda diante de ataques contra mulheres desta natureza. A violência física contra machões como Fernando Cury ou Bolsonaro -apenas para ficar em dois casos-, em retaliação às suas agressões, podem não ser uma política desejável mas diante de ataques como os sofridos por Isa Penna e Maria do Rosário, devem ser encaradas como reações naturais de oprimidos contra seus opressores.

Direitistas, via de regra, são criaturas nojentas. Representantes diretos dos interesses da burguesia, uma classe social parasita que depende da submissão violenta do restante da sociedade para manter seus privilégios, é compreensível que seus representantes reproduzam estes aspectos da política burguesa. O que não se pode mais tolerar é que o ataque sexual sofrido por Isa Penna ou as ameaças e agressões físicas sofridas por Maria do Rosário pelo fascista Bolsonaro passem em branco.

Pedir cassação, abrir processo desta ou daquela natureza, registrar inquéritos, buscar, enfim, refúgio no aparato de repressão do Estado burguês, estruturado para esmagar as mulheres e oprimi-las ao nível da barbaridade não fez de Bolsonaro o último a agredir mulheres de maneira covarde, nem eventuais sanções contra Fernando Cury farão deste o último.

O próprio Bolsonaro, ante a inércia da esquerda, voltou a atacar a deputada petista, tornando-a um dos principais alvos de seus ataques machistas.

“Fica aí, Maria do Rosário, fica. Há poucos dias, tu me chamou de estuprador, no Salão Verde, e eu falei que não ia estuprar você porque você não merece. Fica aqui pra ouvir”, disse o fascista no plenário da Câmara depois do ocorrido.

É preciso denunciar amplamente o ataque sofrido pela psolista Isa Penna, entendendo a agressão de que foi vítima como reflexo da política da direita.

Mas é preciso também que a esquerda reflita sobre os casos envolvendo agressões contra mulheres, que continuam ocorrendo pela falta de reação da esquerda. Já temos antecedentes, o caso da Maria do Rosário, que deveriam ter ensinado a esquerda.

Dizer nas redes sociais que a direita é homofóbica, machista, misógina e não fazer nada efetivo quando manifestações extremas destas situações ocorrem, de que valem?

A esquerda tem que superar as ilusões de que a burguesia vai combater a direita e organizar a luta nas ruas, chamar o movimento organizado de mulheres para ocupar a Alesp, organizar a autodefesa da população feminina, para que possa reagir prontamente a casos como os citados sem depender dos seu principal algoz, o Estado burguês, mobilizando as minorias oprimidas para que superem a violência a que são rotineiramente submetidos, pelos meios que se mostrarem necessários.

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