De 1979 até aqui
Desde a revolução iraniana, domínio imperialista dos EUA sobre a região nunca mais foi o mesmo
Teerã (IRAN) 05 01 2020-I O presidente Hassan Rohanirã disse que acordo assinado de enriquecimento de urânio no país não  será respeitado depois da morte do general Qassim Soleimani pelas tropas dos Estados Unidos. Foto Presidencia Iran(Via Fotos Publicas)
O presidente do Irã, Hassan Rouhani Foto: Presidência do Irã |

Em 1979 a revolução iraniana deu um duro golpe no domínio dos EUA sobre o Oriente Médio. O Irã é o país industrialmente mais desenvolvido da região, e a ditadura do Xá Mohammad Reza Pahlavi era o regime mais próximo dos EUA até ser derrubada pela revolução. Desde então, o domínio dos EUA sobre o Oriente Médio de conjunto nunca mais foi como antes. Há uma crise permanente, com os EUA tentando manter seu domínio jogando com as contradições regionais, intervindo com guerras e financiando grupos terroristas.

A origem da crise é econômica, e começa com a crise do petróleo de 1974, que aprofundaram as contradições sociais nos países atrasados em todo o mundo, desatando um período marcado por revoluções também em outras partes do mundo, como aconteceu nas revoluções em Portugal ou na Nicarágua. A burguesia imperialista não conseguiu contornar esse problema, e viu seu controle político global se enfraquecer naquele momento.

A partir da revolução de 1979, o Irã, de ter um governo capacho dos EUA servil aos interesses imperialistas no Oriente Médio, passou a ser um fator de instabilidade do ponto de vista imperialista. Após controlar a revolução, um setor religioso xiita, que corresponde à religião majoritária no meio da população persa, conseguiu se estabelecer no poder como representante dos interesses da burguesia nacional iraniana. Nessa condição, passou a confrontar os interesses do imperialismo no Irã e em todo o Oriente Médio, graças ao ímpeto da revolução no país.

Durante os anos 80, para tentar derrotar a revolução, o imperialismo jogou com uma contradição regional para estimular uma guerra entre Iraque e Irã. Depois de 10 anos, o saldo do conflito foi de milhões de mortos e mutilados de guerra, com um enorme prejuízo para dois países atrasados. O Irã recuperou os territórios invadidos no começo do confronto, e a situação terminou indefinida, sem um vencedor.

 

Invasão do Iraque

Já em 2003, os EUA invadiram o Iraque com um pretexto mentiroso, acusando seu antigo aliado, Saddam Hussein, de armazenar armas de destruição em massa no país. O pretexto revelou-se uma farsa completa, mas já era tarde. Os norte-americanos provocaram uma enorme destruição, deixando o país em ruínas e a população desesperada, entre centenas de milhares de mortos e refugiados.

O objetivo da invasão, além de roubar muito petróleo, era controlar o Oriente Médio. Retomar o controle perdido desde 1979. A manobra, porém, fracassou completamente. Em 2007, os EUA tiveram que entrar em um acordo justamente com o Irã para procurar estabilizar a situação no Iraque e evitar uma derrota absoluta.

Esse acordo com o Irã custou a expansão da influência do Irã em todo o Oriente Médio, uma influência que leva justamente a uma política anti-imperialista. Graças a essa expansão da influência iraniana, os iranianos conseguiram evitar, junto com os russos, a queda de Bachar Al assad na Síria, derrotando os norte-americanos. O Irã também apoia o Hamas na Palestina, o Hezbollah no Líbano e os Houthis no Iêmen, fora outros grupos. Ou seja, conseguiram espalhar sua política por todo o Oriente Médio.

O sentido dessa política, da parte do Irã, é defensivo. Trata-se de evitar que os EUA consigam derrubar o regime iraniano e, desse modo, voltem a controlar o país. Essa política defensiva, porém, coloca a posição dos EUA na região em xeque. Com o domínio imperialista em crise, os EUA estão se tornando mais agressivos e imprevisíveis, com uma política desesperada.

Esse foi o sentido do bárbaro assassinato do general iraniano Qassem Soleimani pelo imperialismo no aeroporto de Bagdá na sexta-feira (3). Chefe do Kuds, grupo especial da Guarda Revolucionária Islâmica, Soleimani era justamente um articulador dessa política defensiva do Irã que ameaça as posições do imperialismo em todo o Oriente Médio. O assassinato de Soleimani, porém, não resolverá os problemas do imperialismo na região. Pelo contrário, pode desatar uma enérgica reação popular em todo o Oriente Médio.

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