Irã
Israel e os Estados Unidos são os principais suspeitos do assassinato do físico iraniano, importante figura para o desenvolvimento nuclear do país
Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
a-16
Mohsen Fakhrizadeh, físico iraniano assassinado na última sexta-feira | Foto: Reprodução

Na última sexta-feira (27), o físico nuclear e chefe da Organização de Investigação e Inovação Defensiva do Irã, Mohsen Fakhrizadeh, foi assassinado em um ato de terrorismo na região de Damavand, no norte do Irã. O físico era um dos mais importantes do país, principalmente por seu cargo no desenvolvimento do programa nuclear, que é essencial para o desenvolvimento energético, armamentístico e produtivo iraniano.

O físico era um dos iranianos mais importantes do mundo, chegando a ser uma das cinco personalidades do país a entrarem em uma lista da revista Foreign Policy em que estavam presentes as 500 pessoas mais poderosas do mundo.

Ele também vinha sendo um dos responsáveis pela política de combate ao coronavírus no Irã, sendo o dirigente de um programa de kits de testes para a identificação do Covid-19.

O atentado aconteceu exatamente em meio a um processo de mudança de gestão no imperialismo norte-americano, em que Donald Trump deixa a presidência e assume seu lugar o falcão da guerra Joe Biden. Trump foi muito duro com o Irã, aplicando uma série de sanções ao país e deixando o acordo nuclear costurado durante a gestão Obama, que, na realidade, servia como nada mais, nada menos do que um meio de estrangular o desenvolvimento iraniano.

Agora, Biden dá indícios de que tentará um novo acordo, no entanto, mais duro do que o que estava em vigor antes de Trump deixar o acordo, o que deve fazer com que o Irã não aceite o acordo e entre em contradição ainda maior com o imperialismo.

Sobre o assassinato que mexeu com o mundo e que se assemelha muito com o que ocorreu no começo do ano, quando os Estados Unidos a mando de Trump assassinaram o general Soleimani, o Irã disse que há fortes indícios de que o culpado pela morte de Fakhrizadeh seja o estado de Israel em  conjunto com os Estados Unidos.

Sobre isso, o presidente iraniano Hassan Rouhani disse: “mais uma vez, as mãos malignas da arrogância global foram manchadas pelo regime mercenário usurpador sionista”, “o assassinato do mártir [Mohsen] Fakhrizadeh mostra o desespero de nossos inimigos e a profundidade de seu ódio […] Seu martírio não vai retardar nossas conquistas” e em uma carta enviada à ONU “sobre sérios indícios da responsabilidade de Israel”.

O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu já havia citado o nome de Mohsen Fakhrizadeh em um encontro em 2018, dizendo que deveriam recordar o nome do físico, pois ele era um dos responsáveis pelo desenvolvimento do programa nuclear iraniano, o que indica que o físico era uma das preocupações do regime em Israel.

Além disso, em um livro publicado também em 2018, o analista político e militar iraniano Ronen Bergman dizia que um plano israelense para matar Mohsen Fakhrizadeh  havia sido posto em marcha em 2008, além de o nome do físico provavelmente constar em uma lista de possíveis personalidades a serem assassinadas pelo estado de Israel desde 2003.

Tanto o governo do Irã, como algumas organizações árabes disseram que o irão retaliar os responsáveis pela morte de Mohsen Fakhrizadeh. O primeiro a se manifestar nesse sentido foi o próprio líder iraniano, Ayatolá Ali Jamenei, que disse que os responsáveis materiais e intelectuais devem ser castigados de duas formas: sendo perseguidos e punidos, além de aumentar os esforços do país para seu desenvolvimento energético.

Um de seus assessores, Ali Akbar Velayati, disse em mensagem aos autores “diretos e indiretos” do crime, que esperem pela vingança. Já sobre a continuidade do desenvolvimento nuclear, o chefe da Organização de Energia Atômica do Irã, Ali Akbar Salehi, disse que o legado de Fakhrizadeh permitirá que o Irã continue o desenvolvimento de seu programa.

Um dos comandantes Corpo de Guardiães da Revolução Islâmica, o general Hosein Salami, disse que os criminosos podem esperar por uma dura vingança, pois isso já está na agenda do país.

Outro que comentou o caso foi o chefe do Poder Judiciário do Irã, Seyed Ebrahim Raisi, que disse que a justiça deve somar esforços para identificar imediatamente os culpados pelo assassinato, além de lembrar que o assassinato de cientistas iranianos é uma política frequente do imperialismo e de seus braços no Oriente Médio.

Quem concordou com o Irã foi o partido libanês Hezzbollah, que possui fortes ligações com o país persa. O partido soltou uma nota em que diz que confia totalmente na capacidade do Irã de caçar e punir os responsáveis pelo assassinato do cientista. O vice-secretário do partido também já havia se manifestado, dizendo que o Irã agiu de forma completamente correta no assunto, que ninguém deve temer a política de terror e assassinatos e que o crime é mais uma etapa da política contra o Irã, a região e a Palestina.

Outros grupos islâmicos como o Partido Islámico Dawa do Iraque, o Hamas e a Jihad Islâmica da Palestina e o chanceler iemenita Hesham Sharaf Abdulá prestaram condolências ao Irã.

Nos Estados Unidos, o tema também repercutiu. O senador democrata Chris Murphy disse que nem os EUA nem Israel estarão seguros com o assassinato do físico e, que caso esse fosse o objetivo do assassinato, ele fracassou. Já o ex-chefe da CIA, John Brennan, que dirigiu a entidade de 2013 e 2017, disse que o atentado foi “um ato imprudente e criminoso” que pode levar a uma escalada de violência na região.

Até o fechamento desta matéria, nem Biden nem Trump haviam se manifestado sobre o assassinato, o que já era de se esperar, já que os comentários feitos por Trump no início do ao sobre o assassinato de Qasem Soleimani só pioraram a situação. Porém, o Pentágono colocou as tropas norte-americanas em alerta máximo por conta do perigo de retaliação.

Ainda nos EUA, fontes que não se identificaram, incluindo um funcionário do estado dos EUA, asseguraram ao The New York Times que Israel está por trás do crime.

Já a relatora especial da ONU, AgnesCallamard, disse em sua conta no Twitter que: “um assassinato seletivo, extraterritorial, fora do conflito militar e a privação deliberada de um ser humano ao direito da vida, é uma violação do direito internacional, dos direitos humanos e uma violação à Carta das Nações Unidas, que proíbe o uso da força extraterritorial em tempos de paz”

Por fim, aqui na América Latina o chanceler venezuelano Jorge Arreaza condenou o ocorrido. A Venezuela é um dos países parceiros do Irã na América Latina e que tem recebido ajuda do governo persa por conta dos embargos imperialistas.

 

 

Compartilhar no facebook
Compartilhe no seu Facebook!
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no telegram
Telegram
Compartilhar no email
Email
Compartilhar no reddit
Reddit
Compartilhar no facebook
Compartilhe
Compartilhar no twitter
Tuite este artigo!
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no email
Compartilhar no reddit
Relacionadas