Crimes do imperialismo
EUA promoveram uma série de crimes de proporções catastróficas no Oriente Médio nas últimas décadas
syria
Foto: Jordi Bernabeu Farrús |

Dia 3 de janeiro os EUA assassinaram o segundo homem mais importante do regime iraniano, o general Qassem Soleimani, que comandava a Força Quds, divisão da Guarda Revolucionária Islâmica. O ataque ocorreu no Iraque, no aeroporto internacional de Bagdá, capital do país, e deixou mais seis mortos. Antes de qualquer outra consideração, o fato em si é mais um crime perpetrado pelo imperialismo no Oriente Médio, assassinando um membro de um governo estrangeiro a sangue frio.

O governo dos EUA alegou que o ataque seria “defensivo”, para proteger cidadãos norte-americanos de ações que seriam planejadas por Soleimani. Trata-se da retórica imperialista de sempre. Mesmo que se trate de um ataque do outro lado do mundo, e que os EUA tenha bases militares em toda a região, muito longe de seu território, ainda assim a propaganda imperialista alardeia que esse tipo de ação seria defensivo.

Soleimani era responsável pela atividade política e militar do Irã em toda a região, envolvendo milícias iraquianas, a defesa do governo de Bachar Al Assad na Síria, o apoio ao Hezbollah no Líbano, o Hamas na Palestina e o apoio aos Houthis no Iêmen. A abrangência dessa atividade reflete a ampliação do espaço político sob influência iraniana nos últimos anos, especialmente depois que os EUA invadiram o Iraque e isso não conseguiu conter a crise do domínio imperialista na região. Ou seja, é resultado da própria intervenção do imperialismo. Além disso, é toda uma atividade que tem, essa sim, um sentido defensivo, de buscar proteger o Irã do cerco norte-americano.

Os EUA promoveram uma série de crimes de proporções catastróficas no Oriente Médio nas últimas décadas. As contagens de mortos variam, mas somando-se as guerras do Iraque, a sangrenta tentativa de golpe na Síria e o cerco ao Iêmen, o imperialismo já provocou milhões de mortes na região, enquanto faz um enorme alarde em torno de ataques terroristas que são praticamente insignificantes numericamente perto dessa destruição. E mesmo esses ataques, quando acontecem, são responsabilidade do imperialismo, que dividiu a região no começo do século XX e depois passou todo um século jogando com as contradições internas da região, estimulando a violência sectária.

A solução para a crise do Oriente Médio é a saída do imperialismo de lá. No mundo inteiro, a esquerda deve condenar o ataque do governo norte-americano ao Irã. E solidarizar-se com todos os povos do Oriente Médio, que só serão livres quando se libertarem do domínio do imperialismo. Toda luta que tenha esse sentido nos países do Oriente Médio deve ser apoiada.

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