Investigadores escondem informações do caso Marielle

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Da redação – O assassinato da vereadora Marielle Franco, do Psol, e de seu motorista, Anderson Gomes, acabam de completar 120 dias e ainda não há qualquer resquício de solução para o caso. A Comissão Externa da Câmara Federal, composta por Jandira Feghali (PCdoB-RJ), Chico Alencar (PSOL-RJ), Benedita da Silva (PT-J), Maria do Rosário (PT-RS), o coordenador Jean Wyllys (PSOL-RJ), e o relator Glauber Braga (PSOL-RJ), que acompanha a investigação das execuções denunciou a falta de transparência das autoridades públicas que investigam o caso, visto que a maioria dos requerimentos solicitados pela Comissão não foram respondidos.

O relator informou que “em um período que já é de 120 dias, cabe a essa comissão fazer uma cobrança formal e contundente, inclusive à própria Presidência da República e ao governo do estado do Rio de Janeiro, porque precisamos que as informações sejam compartilhadas de maneira adequada”, tendo a Deputada Maria do Rosário explicado em seguida que: “Estamos indignados. Na medida em que essa Comissão é desrespeitada, as vítimas são desrespeitadas. Se permitirmos que Marielle caia no esquecimento, permitimos que todas as vítimas caiam no esquecimento. Se o Estado não resolve este caso que mobiliza a sociedade e o mundo, imagina como trata as famílias de outras vítimas”.

A parlamentar Jandira Feghali entende que a morosidade das investigações favorece os responsáveis pelo crime, aduzindo que: “Essa morosidade impõe contra as investigações. Uma parlamentar foi assassinada, entendemos isso como um crime político. Como representantes do povo, todas as vidas assassinadas diariamente nos importam, mas esse crime específico é muito simbólico. Precisamos entender o que aconteceu, e, principalmente, a motivação do crime”.

O deputado Chico Alencar questiona os interesses por trás do ocultamento das informações das investigações, defendendo que “A Comissão nunca deixou de trabalhar intensamente, mas as autoridades estão deixando muito a desejar, e nos últimos tempos, deixaram de ser transparentes. Eles podem estar usando esse silêncio pesado para esconder algo, ou sua incompetência em apurar, ou porque sabem que tem gente muito graúda no Estado envolvida nos assassinatos”, mas, de acordo com o MP e com os delegados responsáveis, se trata de sigilo destinado a “garantir a segurança e o sucesso das investigações”.

Sem apoio das autoridades brasileiras, os membros da Comissão de fiscalização se comprometeram a continuar denunciando a execução de Marielle e Anderson internacionalmente, principalmente requisitando a criação de um observatório junto a organizações internacionais como a Human Rights Watch, a Anistia Internacional de Direitos Humanos, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, e os parlamentos Europeu e do Mercosul.