Invasão de reuniões pelos militares: avanço da ditadura golpista

Moro e militares

Durante uma reunião da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada na última terça-feira, dia 23 de julho, quatro militares adentraram ao recinto e passaram a filmar a palestra do professor Sidarta Ribeiro, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), que também é diretor da entidade. Na ocasião estava ocorrendo uma palestra acerca do “Balanço das Ações em C&T do Novo Governo”. Vale deixar registrado que a SBPC é uma das organizações que foi banida recentemente, pelo presidente fraudulento Jair Bolsonaro, do Conselho Nacional de Políticas Sobre Drogas (Conad). O professor palestrante, na ocasião, criticou a decisão do governo, que considerou um “grande retrocesso” (sítio Fórum, 25/07).

Uma outra ação, igualmente ilegal, arbitrária e inconstitucional teve lugar também no dia 23, em Manaus, quando militares da Policia Rodoviária Federal (PRF), armados com metralhadoras invadiram uma reunião de professores que discutiam a organização de protestos contra a presença de Bolsonaro na capital amazonense. Os meganhas passaram a acompanhar a reunião, dizendo que estavam ali a “mando do Exército Brasileiro”.

Todos os acontecimentos que vem sendo vivenciados pelo país nas últimas semanas, particularmente depois da divulgação das mensagens comprometedoras e criminosas trocadas entre juízes, procuradores e até mesmo ministros da suprema corte, evidenciam uma indisfarçável escalada repressiva por parte do regime golpista e seus órgãos de repressão (Polícia Federal e outros), com ameaças explícitas aos setores que se opõem à obra de destruição que vem sendo implementada no país, mesmo aqueles de perfil mais moderado e inofensivo, como jornalistas, palestrantes universitários e outros.

O ex-juiz Sérgio Moro, agora ministro da Justiça do governo golpista, um dos personagens mais ativos dos diálogos criminosos revelados pelo sítio The Intercept, já fala explicitamente em enquadramento dos ‘hackers” na Lei de Segurança Nacional, um dispositivo da ditadura militar ainda em vigor, ressuscitada neste momento para intimar, ameaçar e processar quem atentar contra a “segurança nacional’. Perguntamos se não seria o caso, então, de enquadrar toda a quadrilha bolsonarista, que atualmente se encontra encastelada de forma ilegal e fraudulenta no governo?

O fato incontestável, no entanto, é que o regime político dominado pela extrema direita e pelos militares avança a passos largos em direção a uma ditadura perseguidora e repressiva, onde as instituições “democráticas” (parlamento, justiça) – cada vez mais submissas aos ditames dos quartéis – nada mais são do que uma fachada para corroborar as arbitrariedades e ilegalidades perpetradas pelos golpistas contra os interesses nacionais, o povo brasileiro e o conjunto da população pobre e explorada do país.