Interventor no Rio pede que a população aceite as atrocidades que o Exército vai cometer

Com a aprovação pelo Senado Federal, no final da  noite de terça, dia 20, do decreto de intervenção militar no Rio De Janeiro, o general Walter Souza Braga Netto, assumiu o comando e começou a pedir “sacrifícios de toda a população”.

Em Nota emitida pelo Comando Militar do Leste (CML), o general tentou disfarçar  verdadeiro golpe militar que está sendo aplicado no Rio, com o Exército assumindo  comando efetivo do Estado, submetendo o governo eleito pela população afirmando que “que a intervenção é federal; não é militar”, com a explicação fajuta de que “A natureza militar do cargo, à qual se refere o decreto, deve-se unicamente ao fato de o interventor ser um oficial-general da ativa do Exército brasileiro”

Cinicamente, assinala que o “processo demandará, de todos e de cada um, alguma parcela de sacrifício e de colaboração, em nome da paz social e da sensação de segurança almejadas” [grifo nosso].

Na nota, o general-interventor afirma ainda que “haverá continuidade das operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) no Rio de Janeiro”, operações que serviram apenas para criar um clima de terror contra a população pobre, não servindo em nada à suposta causa do “combate à violência” que não parou de crescer – pelo contrário, se intensificou – apos as GLO’s. Agora, mais do que nunca, estas operações  servem à causa da repressão contra a população pobre e trabalhadora que cada dia se revolta com o regime golpista e seus ataques às suas condições.

O general Braga Netto, tem 43 anos de serviço militar, tendo ingressado no Exército e iniciado sua carreira de oficial, portanto, durante a ditadura militar. No ano passado, em palestra no Centro Cultural da Justiça Federal, o interventor-militar afirmou ver com reservas o emprego de militares em operações urbanas, sob a alegação de que havia “insegurança jurídica e consequências psicológicas à tropa”. Para satisfazer os desejos dos militares que, cada vez mais esta saindo detrás “das cortinas” do golpe e dando as cartas no governo Temer, foram aprovadas leis arbitrárias que garantem, por exemplo, que os militares sejam “julgados” apenas por tribunais militares, por crimes que cometam em suas investidas contra a população.