Mobilizar contra intervenção!
Estudantes precisam se mobilizar contra a ditadura bolsonarista pela autonomia universitária e um sistema tripartite
UFPEL
Universidade Federal de Pelotas. | Foto: Reprodução
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Universidade Federal de Pelotas. | Foto: Reprodução

Mais um caso de intervenção bolsonarista em uma universidade federal. Desta vez, o governo fraudulento do presidente ilegítima fascista Jair Bolsonaro (ex-PSL, sem partido) atacou os estudantes da UFPEL, Universidade Federal de Pelotas, no Rio Grande do Sul, decretando a nomeação da professora Isabela Fernandes Andrade,  capacho do governo golpista posta para controlar e aparelhar a universidade como reitora.

Ordem do MEC é repudiada pela comunidade acadêmica

Em ordem emitida também pelo ministro da Educação, Milton Ribeiro, a interventora foi empossada no cargo, ignorando as eleições da comunidade acadêmica, que tiveram como nome mais votado o professor Paulo Ferreira Júnior, que teve 56 votos contra 6 da nomeada pela extrema-direita, apesar de ambos serem da mesma chapa.

De acordo com o decreto, Isabela toma posse na sexta-feira 8, para um mandato até 2024. Formada em Arquitetura e Urbanismo, a professora atua no Centro de Engenharias da UFPel desde 2013. Ela sucede o atual reitor Pedro Hallal. Em nota, a gestão de Hallal repudiou a nomeação:

“Respeitar a vontade da comunidade é um pressuposto básico da democracia. Infelizmente, num governo federal cujo líder faz apologia a torturadores, nega o racismo, é condenado por ofensas contra mulheres e prega a não vacinação da população, não é surpresa que sejamos golpeados em nossa democracia e autonomia”, diz o texto, publicado no site da universidade.

Eleições não significam nada num regime golpista

O controle ditatorial de Bolsonaro exercido sobre as universidades reflete o próprio regime político de conjunto, em que qualqeur eleição na prática significa pouco ou nada, especialmente as eleições para reitor de universidade.

Em 2020, a comunidade da UFPel votou em uma consulta informal, com igual peso para técnicos, professores e estudantes. No 1º turno, em setembro, a chapa em que Ferreira Júnior se lançou como candidato a reitor, “UFPel Diversa”, saiu vencedora. As duas foram para o 2º turno, em outubro, e a chapa de Ferreira Júnior ganhou com 56,4% contra 43,4%.

Porém, a eleição formal para reitor e vice-reitor na instituição ocorre mesmo no Conselho Universitário (CONSUN), órgão máximo da instituição. Segundo Ferreira Júnior, há um acordo tácito para que a chapa vencedora na consulta informal seja a única aseja a única a ter nomes na eleição formal, onde apenas integrantes desse Conselho votam.

A “UFPel Diversa”, portanto, ofereceu três nomes para a eleição de reitor e três para vice-reitor no Conselho. Ferreira Júnior foi o mais votado para reitor, com 56 votos; Isabela teve seis votos, e Eraldo Pinheiro recebeu dois votos. Esses três nomes compuseram uma lista tríplice, homologada em 16 de outubro e enviada ao governo genocida em seguida.

O resto disso é história que todos já sabem o final: o governo golpista decide mostrando a falência do regime e sistema de lista triplice, uma verdadeira submissão a direita e o governo golpista de conjunto que ataca os estudantes, professores e comunidade acadêmica.

Estudantes precisam intervir com um programa próprio pela autonomia universitária

Diante da intervenção bolsonarista, os estudantes precisam intervir com um programa próprio, não acreditando em recursos de ordem jurídica ou nas instituições, mas sim na força da mobilização da comunidade acadêmica, entre professores, alunos, trabalhadores técnicos, terceirizados, etc por uma verdadeira autonomia universitária que seria o sistema defendido pela AJR, a juventude do PCO: o sistema tripartite, com votos iguais para os três setores da universidade, professores, alunos e funcionários.

Nesse sentido, é preciso deixar claro que a figura do reitor, uma espécie de monarca bonapartista que controla toda uma instituição é um atraso político. É preciso defender que a direção da universidade seja realizada pela própria comunidade universitária, isto é o mais democrático, é o melhor modelo de gestão.

Finalmente, não basta apenas declarar-se contra a intervenção bolsonarista, é preciso se mobilizar de fato, com os estudantes organizando atos de rua, ocupando a universidade, lutando, enfim, contra a ditadura da direita na UFPEL e convocando a comunidade a se defender dos golpistas. Fora Bolsonaro e todos os interventores!

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