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A woman carries her child as she walks past military police on patrol near the Vila Kennedy favela in Rio de Janeiro on February 23, 2018. 
More than 3,000 soldiers supported Rio de Janeiro police Friday in a sweep of three violence-plagued favelas in the west of the Brazilian city, officials said. Brazilian President Michel Temer handed the military full control of security in Rio de Janeiro, in an increasingly desperate fight to tame runaway gang violence.  / AFP PHOTO / CARL DE SOUZA
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A Intervenção Militar no Rio de Janeiro mostrou a que veio:  relatos dos moradores das favelas registram roubos, invasões de casa, agressões físicas, incluindo estupros. O relatório parcial Circuito de Favelas por Direitos, elaborado pela Ouvidoria Externa da Defensoria Pública do Rio de Janeiro, explicitou através de relatos a série de violências vividas cotidianamente pelos moradores das favelas. Dentro do conjunto de barbaridades praticadas pela policia, está a violência sexual contra mulheres, com inúmeros casos de estupro.

“Eles entraram numa casa que era ocupada pelo tráfico. Lá tinha dois garotos e três meninas. As meninas eram namoradas de traficantes. Era pra ser todo mundo preso, mas o que aconteceu é que os policiais ficaram horas na casa, estupraram as três meninas e espancaram os garotos. Isso não pode estar certo” relatou um dos moradores entrevistados pela Ouvidoria. Em outro caso, uma adolescente descreveu ter sido revistada com duas amigas por PMs homens, o que contraria a lei — o artigo 249 do Código de Processo Penal afirma que a busca em mulher será feita por outra mulher, se não importar retardamento ou prejuízo da diligência. “Ele vem revistar a gente, já gritando, chamando a gente de piranha, mulher de bandido, drogada. Vem empurrando e mexendo na gente. Eu sei que só mulher que pode revistar mulher, mas se nós não deixar [sic] leva tapa na cara”, relembra a jovem.

Os relatos sobre abuso sexual a mulheres são só um viés do terror cotidiano a que os moradores de favelas no Rio de Janeiro sofrem. O terror de Estado contra essa população é irrestrito e faz parte do cotidiano de mulheres e homens de todas as idades.

“Conversamos com meninas de 8, 10 anos e elas narram as situações de tortura, de feridos, das mortes, onde se escondem em tiroteios com uma naturalidade… Vamos nas casas das pessoas, vemos onde ela está, as condições, é uma intrusão que fazemos. Hoje visitamos um casal jovem com dois filhos, o mais velho com 4 anos e a menina de 2 anos, e perguntei sobre tiroteio: ‘ah, a gente vai para o banheiro onde tem mais parede, menos risco de ser atingido’. Pedi para ver o banheiro: um ambiente minúsculo, eles ficam espremidos e, quando tem tiroteio de madrugada, os pais chegam no banheiro e o filho de 4 anos já está”, explica Pedro Strozenberg, pesquisador responsável pela realização do relatório.

Esse terrorismo de Estado implantado no seio do cotidiano das comunidades do Rio de Janeiro mostra qual é a finalidade real da Intervenção Militar no Rio de Janeiro: desmontar toda e qualquer forma de resistência popular, impedir a organização do povo por meio dos assassinatos em série, torturas, estupros e tiroteios, e ensinar logo as novas gerações a face monstruosa do Estado.  Os policiais militares, as Forças Armadas e todas as forças táticas são forças repressivas empregadas pela burguesia para manter a população subjugada e não para “levar segurança para a população”. Isso justifica a serie de abusos de poder por parte dessas organizações.

“O café da manhã do trabalhador que sai de madrugada às vezes é um tapa na cara”, explica um morador. “Aqui na rua que eles torturam o menino. Do lado da minha casa. Meus vizinhos foram ver o que tava acontecendo e um deles policiais disse: ‘por isso que vocês morrem’”, conta outra pessoa. Em outro caso, um casal passou por uma abordagem e o militar revistou a garota “de forma abusiva”. Segundo ela, o policial a respondeu quando questionado sobre a ação. “Se você fizer alguma coisa você vai presa por desacato, mas pra mim não pega nada porque eu sou autoridade”, relatou sobre a revista, feita em frente ao namorado.

Também são comuns os relatos de policiais drogados em serviço, utilizando-se das mesmas drogas e do mesmo trafico que a imprensa burguesa demagogicamente diz que eles combatem.

“O caveira [militar] parou e colocou uma carreira de pó no capo do carro e mandou ver. Nunca vi ninguém cheirar e ficar endemoniado como aquele polícia. Antes ele estava passando sério e sem dá nem um tchum pra nós. Depois parecia um capeta”, conta um dos moradores, seguido de outro flagrante. “Ele [militar] ficava com uma garrafinha de guaraná e toda hora ficar colocando no nariz. Guaraná não se bebe pelo nariz, né, dona?”, disse.

Tudo isso prova que a policia do Estado burguês serve como agente politico da própria burguesia. Dessa forma, é preciso lutar pela dissolução da policia burguesa, passando o cuidado da segurança para as mãos da classe e das pessoas que devem ser defendidas. Ou seja, criando grupos de autodefesa locais, as milícias populares. No Brasil hoje, para o desenvolvimento da luta contra o terror dos militares nas favelas, é preciso lutar contra o Golpe de Estado que capitaliza a repressão contra o povo brasileiro, lutar contra a ampliação do poder das Forças Armadas no Estado e lutar contra a Intervenção Militar no Rio de Janeiro. Tudo isso se centraliza na luta pela Liberdade de Lula a partir da organização do povo mobilizado nas ruas.

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