Intervencao militar: 11 pessoas mortas na Penha, Maré e Morro do Alemao

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A intervenção militar no Rio de Janeiro é um fiasco completo nos termos das promessas feitas pelo Governo Federal e da propaganda da mídia golpista. Isso não quer dizer que não produza resultados, ao contrário, produz muitos e eles foram sentidos desde o primeiro momento.

Não bastasse a vida dura dos moradores das comunidades, que convivem com o medo e a violência de todos os lados, todos os dias, agregaram a ele nenhuma solução, mas apenas mais medo e violência. O desrespeito e a tensão foram amplificados, assim como o terror que advem da soma de tudo isso.

Nesta segunda, dia 20, logo pela manhã já se tinha notícias de uma megaoperação na Zona Norte da cidade do Rio de Janeiro, nas comunidades da Penha, Maré e Alemão, com um saldo de mortos de 11 pessoas, além muitos feridos. Entre os mortos, um cabo do Exército.

A um custo que já alcançou R$ 46 milhões de reais, a intervenção militar no Rio não conseguiu avançar um milimetro no seu (pretexto) objetivo declarado de “combater a violência” e não trouxeram à Cidade nem paz, nem diminuição da violência, nem uma vida melhor para a sempre criminalizada periferia. Realizando seus reais propósitos, a ocupação mostra-se cada vez mais como uma operação de guerra e terror contra a população pobre, negra e trabalhadora do Rio de Janeiro; levada a uma situação explosiva diante do agravamento descomunal da crise no Estado, que bate recordes de desemprego e retrocesso nas condições de vida da maioria da população desde o golpe de Estado, em 2016.

Verdade seja dita: a intervenção militar tinha objetivos outros, de aprofundar o golpe e preparar o país para aceitar melhor a presença dos militares nas ruas. Nessas ações improvisadas, em que faz papel de polícia, as Forças Armadas apenas têm repetido as fracassadas ações de ‘combate ao crime’ usando força bruta contra os mais pobres, os mais vulneráveis.

Com foco no tráfico, nos intermediários do tráfico, é bom que se diga, fazem shows dignos de filmes de ação hollywoodianos, mas os figurantes aqui são gente de carne e osso, cuja vida não entra nas contas dos golpistas e dos intervencionistas.

Não à intervenção militar, dissolução da PM e de todo o aparato repressivo.