Ofensiva contra país atrasado
Imperialismo faz intensa campanha para que Moçambique aceite “ajuda” estrangeira contra revolta de insurgentes na região de Cabo Delgado
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cabo delgado
Soldados moçambicanos | Foto: Lusa

Tem se desenhado, em Moçambique, a possibilidade de um golper de estado apoiado pelo imperialismo, sob o pretexto de intervir em conflitos armados na província de Cabo Delgado. O último acontecimento foi nesta terça-feira (29), na cidade de Monjane. Na ocasião, os insurgentes entraram em confronto com o exército nacional Moçambicano numa região bastante próxima do perímetro de isolamento do projeto do gasífero da multinacional Total.

O ataque ocorreu pela manhã e há a preocupação do imperialismo de que o próprio gasífero de US$20 bilhões – o mais caro investimento privado do continente africano – tenha sido o alvo dos insurgentes, chamados pela imprensa capitalista de Al Shabaab. O confronto na região tem ocorrido desde o fim de 2017, mas se intensificou bastante desde agosto deste ano, quando combatentes das forças insurgentes tomaram a cidade de Mocimboa da Praia.

Os insurgentes são frequentemente classificado pela imprensa imperialista como grupos radicais islâmicos ou coisas semelhantes. No entanto, a realidade é bastante diferente. Tratam-se de trabalhadores moçambicanos da região, que têm se revoltado com as condições de trabalho impostas pelas multinacionais que dominam o mercado local e contra as forças de repressão tanto oficiais, quanto mercenárias contratadas, que se usam de extrema violência para reprimir os protestos.

A comunidade internacional já busca pressionar o governo do primeiro-ministro Filipe Nyusi de modo que ele aceite a intervenção estrangeira no conflito, o que caracterizaria uma tentativa de golpe de estado no país, com a finalidade, inclusive de buscar realizar a recolonização do país. Recentemente, a Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, exige essa intervenção do imperialismo na região, usando como justificativa as violações dos direitos humanos, tanto por parte dos insurgentes como por parte das forças de repressão governamentais.

Bachelet afirma que “todas as alegadas violações e abusos do direito internacional dos direitos humanos e do direito internacional humanitário cometidos por grupos armados e forças de segurança devem ser investigados de forma completa, independente e transparente pelas autoridades competentes. Os responsáveis devem ser responsabilizados”, mostrando a intensidade do interesse do imperialismo em procurar intervir na região. Um outro fator bastante importante é a presença das instalações da empresa Total, de importância gigantesca, sendo, como foi antes mencionado, o investimento privado mais caro do continente.

Toda a imprensa capitalista procura gerar um clima de medo e desorientação em torno do problema, citando “ataques terroristas”, violência como casas queimadas, pessoas raptadas ou assassinadas, decapitações e outras supostas atrocidades cometidas pelos rebeldes. No entanto, é importante ter claro que tudo isso tem a função de criar um clima propagandístico favorável à intervenção estrangeira nesta que é uma das regiões mais pobres do planeta e cuja independência foi conquistada em um período muito recente, comemorando seu aniversário de 45 anos agora em 2020.

Outra organização imperialista que recomendou a intervenção na região foi o Instituto Tony Blair, fundado pelo ex-primeiro ministro britânico, conhecido por seu histórico de apoio a guerras intervencionistas junto com os EUA. Documento publicado pela organização dá a seguinte recomendação, com relação aos conflitos: “ataques de grupos insurgentes no norte de Moçambique devem ser enfrentados a curto prazo por uma força militar regional para evitar que a situação fique fora de controle”. Inclusive, o estudo fala sobre a “urgência de uma intervenção perante a deterioração da situação na província de Cabo Delgado”.

O documento emitido pela organização apresenta uma recomendação para, inclusive, interferir em assuntos governamentais da região: “Em paralelo, dizem, o Governo moçambicano precisa de, com assistência internacional, enfrentar os fatores socioeconômicos das comunidades de Cabo Delgado através de intervenções para promover o desenvolvimento, educação e emprego”.

Além da ONU e do Instituto Tony Blair, o governo português também já declarou que estar disponível para ajudar Moçambique “no que for necessário”, afirmando sua disponibilidade em prestar ajuda a Moçambique para fazer face ao terrorismo na região de Cabo Delgado. O ministro da defesa português, João Gomes Cravinho, se colocou à disposição do governo moçambicano. Além disso, ele afirma que “há também um diálogo com a União Europeia e, havendo uma missão da UE, naturalmente que Portugal participaria”.

Um professor universitário e analista português, chamado Fernando Jorge Cardoso, que o governo moçambicano revelou “capacidade bem fraca de reação aos acontecimentos reais”. O mesmo especialista afirma que, dentro da UE, o país com a melhor capacidade militar para “auxiliar” na guerra seria a França. Além disso, o imperialismo acompanha toda essa discussão com acusações de que há tráfico de drogas na região, supostamente financiando os conflitos.

É preciso ter claro que a situação em Moçambique se trata de uma investida do imperialismo contra um dos países mais maltratados pelo capitalismo no mundo. A insurgência dos trabalhadores de Moçambique – retratada como “terrrorismo” pelo imperialismo – é uma revolta legítima de um povo que está cansado de ser esmagado pelos países capitalistas que procuram vampirizar os países atrasados do planeta. A intenção dessa ofensiva imperialista é a recolonização do país, a fim de preservar os interesses da burguesia mundial, que se vê ameaçada pela crise mundial e procura se reorganizar em todos os locais. A esquerda deve se colocar contra essa tentativa de golpe e a favor da liberdade do povo moçambicano.

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