“Intervenção é intervenção”: general Mourão pede destituição do governo do Rio de Janeiro

Os generais da reserva estão assumindo um papel de destaque no debate político nos últimos dias. Sinal de um tempo em que os militares estão avançando rapidamente sobre o poder político. Um general da reserva, Joaquim Silva e Luna, está à frente do Ministério da Defesa, é o primeiro militar a comandar a pasta desde 1999, quando o cargo foi criado. Outro general da reserva, Umberto Andrade, pediu em uma coluna de opinião no jornal carioca O Dia que a intervenção no Rio não seja apenas na área da segurança, mas em todas as áreas. Ou seja, que os militares assumam o governo do Rio.

Um novo general entrou para esse grupo hoje (28): Hamilton Mourão. Durante a cerimônia que formalizou sua entrada na reserva, Mourão, assim como Andrade, também pediu uma intervenção mais geral no Rio de Janeiro. “Se é intervenção, é intervenção. Já que há o desgaste, vamos nos desgastar por inteiro.” Segundo Mourão, a intervenção limitada à área da segurança é uma “intervenção meia-sola”.

Em setembro do ano passado, Mourão havia declarado que os militares deveriam intervir na política por meio de “aproximações sucessivas”, e atacou o Judiciário por não resolver o “problema dos políticos”. Desde então, a presença dos militares na política nacional aumentou de forma muito significativa. Todo o aparato de repressão e informação está sob controle direto dos militares, além de controlarem um estado central para o poder político no país.

Diante do avanço do golpe militar, Mourão já está pedindo mais desde já. Quer um golpe militar completo no Rio de Janeiro, com os militares comandando todas as áreas do governo. Durante a cerimônia, Mourão afirmou também que apoiará Bolsonaro nas eleições e que o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, que torturava gente sob custódia do Estado sem nenhuma chance de defesa, “é um herói”.

Eduardo Villas Bôas, comandante do Exército, também estava no evento, e defendeu “regras de engajamento” que sejam “claras” para as tropas que atuam no Rio. Na prática, o que o comandante quer é permissão ao Exército para matar nos morros do Rio de Janeiro. Se o pedido de Mourão por uma “intervenção por inteiro” for atendida, estará estabelecida uma ditadura militar completa, no Rio, pronta para tomar o resto do país. “intervenção é intervenção”.