Órgão tomado pela direita
O Prosul é uma ferramenta da direita na América Latina para atacar os governos de esquerda e a mobilização popular contra os ataques neoliberais.
Argentina's President Mauricio Macri, Brazil's President Jair Bolsonaro, Guyana's Ambassador George Talbot, Colombia's President Ivan Duque, Ecuador's President Lenin Moreno Garces, Peru's President Martin Vizcarra, Paraguay's President Mario Abdo Benitez and Chile's President Sebastian Pinera pose for a photo during the Prosur summit, at the presidential palace La Moneda, in Santiago, Chile March 22, 2019. REUTERS/Rodrigo Garrido
Prosul controlado pela direita e extrema-direita latino-americana. Foto: Rodrigo Garrido/Reuters |

No último domingo (13/10), o Mercosul e os presidentes do Fórum para o Progresso e Desenvolvimento da América do Sul (Prosul) declaram apoio ao governo capacho dos norte-americanos de Lenin Moreno, no Equador. Condenaram as manifestações populares que tomaram conta do país. Segundo as organizações internacionais, trataria-se de uma tentativa de desestabilização do governo.

Manifestações no Equador

As manifestações contra o governo ocorrem em larga escala desde que o governo estabeleceu uma lei que encerrou com os subsídios estatais aos combustíveis – medida que aumentou de forma estratosférica o preço dos combustíveis no país. A política de Moreno faz parte de seu acordo com os grandes capitalistas financeiros internacionais do Fundo Monetário Internacional (FMI), após o presidente equatoriano apelar banco um empréstimo de mais de US$ 4,2 bilhões.

A medida inicialmente mobilizou diversos trabalhadores do transporte e caminhoneiros, que paralisaram atividades contra o presidente, e em seguida atingiu o conjunto da população que saiu às ruas contra o pacote de austeridade promovida pelo presidente junto ao FMI. Há semanas, como tem sido acompanhado por este Diário, o povo equatoriano tem saído às ruas para lutar contra a ditadura de Lenin Moreno, que após grandes manifestações decretou regime de exceção – que, dentre outras coisas, permitiu-o colocar as Forças Armadas nas ruas para reprimir as manifestações e estabelecer censura a órgãos da imprensa.

Internacional fascista

É essa ditadura que o Mercosul apoia. Após a derrubada dos governos de esquerda na América Latina, a organização internacional latino-americana foi tomada completamente por governos direitistas de características ou abertamente fascistas – todos eles capachos do interesses dos norte-americanos.

Nota divulgada pelo Prosul diz o seguinte: “Respaldamos os esforços que o Governo do Equador realiza para manter a paz, a ordem pública e a institucionalidade democrática, utilizando os instrumentos que lhe outorga a Constituição e a lei; Condenamos os atos de violência e as tentativas de desestabilizar o país, sua institucionalidade e o processo democrático equatoriano.”

Isto é, apoiam as medidas ditatoriais, violentas, agressivas e de repressão de Moreno “para manter a paz” (dos capitalistas estrangeiros), enquanto condenam as manifestações legítimas da população contra os ataques do governo, afirmando que seria uma tentativa de “desestabilizar o país, sua institucionalidade e o processo democrático equatoriano.”

Na realidade, quem está desestabilizando o país, jogando o povo na miséria e atacando a população é o próprio presidente Lenin Moreno, que – ele sim – atacou “o processo democrático equatoriano” quando mentiu para toda a população, candidatando-se como representante da esquerda e continuador da política de Rafael Correa, mas atuando, de forma traíra como serviçal do imperialismo.

Prosul: instrumento da direita

O Prosul tem servido como instrumento da direita na América Latina, por isso defendem Lenin Moreno. Surgiu para acabar com a União das Nações Sul-Americanas (UNASUL), que foi segundo a própria imprensa burguesa “praticamente desativada” pela divergência entre os países que formam o Prosul, sob o controle da direita, com a Venezuela e a Bolívia, que são países nacionalistas de esquerda; e que, portanto, estão em contradição com os interesses do imperialismo.

Por isso, na nota, atacam também a Venezuela, dizendo o seguinte: “Ademais, rechaçamos qualquer ação externa destinada a alterar a ordem pública e a convivência pacífica no Equador”. Essa “ação externa”, como afirmou a maioria dos jornais da burguesia, seria exercida pelo presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, que estaria incentivando as manifestações contra o governo capacho de Lenin Moreno.

A extrema-direita brasileira, através do ministro das Relações Exteriores de Bolsonaro, Ernesto Araújo, deu apoio à ditadura de Lenin Moreno. Nas redes sociais, o ministro brasileiro afirmou: “A América do Sul está mobilizada em defesa da democracia no Equador, onde forças de esquerda, apoiadas na rede criminosa do Foro de S. Paulo, com violência e vandalismo, tentam solapar o Presidente legítimo Lenin Moreno. A ameaça é continental, a resposta tem que ser continental”, defendendo a aliança da direita latino-americana contra o povo equatoriano e a esquerda do continente.

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