Caixa Econômica Federal
Como parte da política de privatizar as estatais em fatias, governo criará banco digital usando o Caixa Tem e depois repassará as contas de 105 milhões de pessoas aos capitalistas
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Gueges, Bolsonaro e o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, celebram a liquidação da estatal | Reprodução
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Gueges, Bolsonaro e o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, celebram a liquidação da estatal | Reprodução

No último dia 12, a Caixa Econômica Federal completou 160 anos e o Banco Central do Brasil deu parecer favorável à criação de um banco digital da Caixa. Na prática, significará a privatização do banco, uma das maiores estatais brasileiras. Em entrevista ao canal da TV 247 no youtube, o bancário Sérgio Takemoto, presidente da Fenae (Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa) afirmou que somada a privatização da Caixa Seguros, das Lotéricas da Caixa e da Caixa Cartões, das contas de terceiros e do FGTS, o governo federal está privatizando a empresa através do fatiamento das suas subsidiárias. Trata-se de um gigantesco ataque do governo golpista de Bolsonaro para liquidar a estatal, que tem 160 anos, e entregar todos o seu patrimônio, que é do povo brasileiro, para os capitalistas.

Segundo Takemoto, a medida põe em risco a sobrevivência da Caixa, dado que se tratam do setores mais rentáveis do banco e que dão sustentação aos programas sociais que a entidade desempenha. Segundo ele, a criação do banco digital representa “um golpe de morte na Caixa”.

Isso porque, devido ao pagamento do auxílio emergencial através do aplicativo Caixa Tem, a Caixa se tornou o maior banco digital do País, ultrapassando os bancos privados líderes do mercado. A permissão para a criação de um banco digital, que seria uma subsidiária da Caixa Econômica Federal, sua controladora, permitiria que os golpistas entregassem todos os dados das 105 milhões de contas abertas durante a pandemia, sobretudo pelos brasileiros beneficiados pelo auxílio emergencial, da Caixa para a Caixa Tem. A grande diferença é que, após permissão do Supremo Tribunal Federal (STF), subsidiárias não precisam da autorização do Congresso para serem privatizadas. Ou seja, como não pode privatizar diretamente a Caixa, o governo cria uma subsidiária da Caixa, passa para a subsidiária informações, ativos e poderes da controladora, e em seguida privatiza a subsidiária, deixando a controladora sem nada. A mesma política que tem sido adotada para a privatização da Petrobras através das suas refinarias.

“Vai ser o maior banco digital do mundo, já nasce com 105 milhões de contas.”

Para Takemoto, o governo até poderá criar o banco digital 100% da Caixa neste primeiro momento, “mas o governo já anunciou que irá privatizá-lo”. Ele explica que vai ser o maior banco digital do mundo! Pois já nasce com 105 milhões de contas, toda a população atendida no auxílio emergencial e no Fundo de Garantia Por Tempo de Serviço (FGTS). Ou seja, metade da população do País será correntista do banco.

“Um patrimônio enorme… construído pela empresa pública Caixa, pela inteligência dos trabalhadores da Caixa”

Takemoto ainda disse que esse atendimento da população só foi possível pelo fato da Caixa ser uma empresa pública e pela inteligência e capacidade dos seus trabalhadores. No entanto, o governo está transferindo todas essas inovações e conquistas da Caixa Pública, um patrimônio enorme do povo brasileiro, para o banco digital, que o governo privatizará e entregará de bandeja para os capitalistas utilizarem.

“A medida representa um passo adiante na privatização da empresa.”

O presidente da Fenae denunciou que o governo está tentando uma forma de privatização disfarçada. Divide o banco em várias partes (subsidiárias) e “realiza uma venda disfarçada de cada uma delas”.

Ele por fim pontou que:

“A digitalização do banco representa o fim da Caixa Econômica, de sua sobrevivência enquanto Banco Público.”

Um ataque gigantesco aos trabalhadores

Muito semelhante ao que ocorreu no Banco do Brasil, a Caixa lançou um PDV para demitir 7 mil funcionários. A direção da empresa, no entanto, não divulgou quanto trabalhadores aderiram. Primeiro eles fazem um terrorismo, para que os trabalhadores.

“A caixa chegou a ter 101 mil empregados em 2014, hoje está com 82 mil” Sergio Takemoto

O governo Bolsonaro vai usar o Caixa Tem para criar um banco digital desmembrado da Caixa, passar dados da Caixa para esse banco digital e em seguida privatizá-lo. Segundo o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, o banco digital terá como objetivo três eixos: o pagamento dos benefícios sociais, atuar no microcrédito e também no crédito imobiliário para famílias de baixa renda.

A manobra do governo, é destruir a Caixa “empresa mãe”, ou seja, a estatal de 160 anos de história e serviços prestados ao povo brasileiro. A direção da Caixa afirmou que estima uma avaliação em R$100 bilhões de reais para o banco digital e quer, em seguida, abrir o seu capital, ou seja, vender suas ações no mercado. A intenção, inclusive, é ofertar ações em bolsa no Brasil e no exterior.

Recentemente, em 5 de janeiro, a Caixa concluiu mais uma etapa do processo de abertura de capital da Caixa Seguridade, uma subsidiária. A empresa anunciara a consolidação do acordo, que permite à Tokio Marine Seguradora explorar, de forma exclusiva, o balcão da instituição financeira nos ramos de seguros habitacional e residencial, informou o Valor investe. O acordo tem prazo de 20 anos e o banco recebeu R$ 1,5 bilhão.

Ainda no fim de 2020, a Caixa também formalizou o acordo com a empresa francesa CNP Assurances para formação de sociedade que irá explorar, por 25 anos, os ramos de seguros de vida e produtos de previdência. A Caixa recebeu R$7 bilhões de reais pela operação.

Ou seja, fatias significativas já foram entregues para o capital privado, inclusive estrangeiro. Somados ao roubo massivo de dados da população e o ataque à categoria dos bancários, que serão demitidos massivamente, esta é mais um ataque de morte ao povo brasileiro e ao patrimônio nacional. Mostra que o governo golpista iniciou 2021 com uma ofensiva contra as estatais, o que expressa a sanha dos capitalistas em reduzir a economia nacional à de uma mera colônia de exportação, de forma que o dinheiro do povo é por séculos investido para construir empresas estatais e uma série de conquistas e riquezas que os golpista entregarão a preço de banana para os capitalistas.

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