defesa da frente ampla
No seu livro Politica e antipolitica, Leonardo Avritzer defende ardentemente a recomposição do ” centro”
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BRASÍLIA, DF, BRASIL 11.01.2019 Em evento na Procuradoria Geral da República, o presidente Jair Bolsonaro passou um bilhete
ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), questionando a participação de Fernando Collor(PTC-AL) na eleição  para o comando do Senado (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress, PODER)
Os aliados: Rodrigo Maia e Jair Bolsonaro | Foto: arquivo DCO

A apreciação do governo Bolsonaro pelas diferentes abordagens que constituem a Ciência Política evidência que as diferentes análises são em geral tributárias de interesses políticos muitas vezes dissimulados.

O lançamento do livro de análise de conjuntura de Leonardo Avritzer. Política e antipolítica. A crise do governo Bolsonaro, teve um impacto na imprensa, com o autor do texto sendo convidado para diversas entrevistas. Leonardo Avritzer, professor da UFMG, é considerado um representante da esquerda na Ciência Política, entretanto como veremos as posições fundamentais do seu livro coincidem com as dos setores burgueses que detém o controle dos jornais.

Para Avritzer, a crise do bolsonarismo em 2020 tem diversas expressões. Uma delas foi na segurança pública, quando Bolsonaro incentivou as greves de policiais militares nos estados da federação, em especial no Ceará. A crise sanitária provocada pela pandemia do Coronavírus foi a aparecimento decisivo para o aprofundamento da crise, com a formação de uma frente contra o bolsonarismo, envolvendo inclusive setores que faziam parte do governo.

 

“ o bolsonarismo se situa em um campo anticientífico mais acentuado que o trumpismo e outras propostas políticas de extrema direita. Mas logo teve de enfrentar uma aliança entre imprensa, cientistas, governadores e organizações internacionais como a Organização Mundial da Saúde (OMS). Ao contrário do que vinha ocorrendo no Brasil desde 2018, essa coalização tornou-se majoritária durante a pandemia. Devido à forma como o então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, se articulou com os governadores e implantou a estratégia de combate ao vírus preconizada pela OMS, o bolsonarismo apareceu cindido desde o primeiro momento de crise.”

 

Observe que na visão de Leonardo Avritzer, foi formada uma  “aliança” , uma “coalizão” que articulou “imprensa, cientistas, governadores e organizações internacionais como a Organização Mundial da Saúde ( OMS)” que se tornou majoritária, e isolou o governo, entretanto, o que Avritzer não esclarece por que motivo, a frente “ democrática” e “ cientifica” não se unificou para efetivamente derrotar definitiva do governo, e impulsionar por exemplo a proposta elementar de saída do “anticientífico” responsável pela morte de milhares de pessoas.

Dessa forma, mesmo Bolsonaro não tendo sua permanência no poder efetivamente questionada, apesar de estar  “ em rota de colisão com os governadores, com o STF, com o ministro da Saúde e com uma parte significativa do seu ministério.”

Um aspecto decisivo em todo o texto é que o autor apresenta a contraposição dos governadores, STF, Congresso com Bolsonaro, da mesma forma enviesada como é apresentada pela imprensa e pelos setores da direita “opositora”. Assim, a relação entre Bolsonaro e o golpe de Estado de 2016 é escamoteada, pois a política da frente ampla é apagar esta relação, ou seja, que Bolsonaro somente está no Palácio do Planalto devido a ação dos golpistas em 2018.

Além do mais, os que hoje se apresentam como “opositores” democratas foram os mesmos que deram o golpe de Estado contra a presidenta Dilma Rousseff  e colocaram Bolsonaro na Presidência.

A crise do governo Bolsonaro é creditada a perda dos apoios, que minou inclusive o ministério, com a demissão de Mandetta do Ministério da Saúde, e  do lavajatista Sérgio Moro, do, Ministério da Justiça. Além disso, é indicado as Investigações da polícia do Rio e da Polícia Federal se aproximam dos filhos de Bolsonaro elevou a crise, o que levou Bolsonaro a “dobrar a aposta” e ameaçar com uma ação de força.

O desdobramento da crise comportaria duas possíveis soluções: 1) Uma solução militar com o Bolsonaro no comando de um autogolpe, com o apoio dos militares, uma solução típica do “cesarismo”, classificada na atual conjuntura como uma  “situação de equilíbrio político catastrófico” na afirmação do político italiano Antonio Gramsci. A afirmação de Bolsonaro que “ Eu sou a constituição” é um resumo dessa posição.

Por sua vez, uma segunda “solução” seria a recomposição do centro político. “outra solução que surge no horizonte é uma saída política ao centro. Sabemos que o centro se esfacelou entre 2016 e 2018. Com o fracasso do governo Temer e a comprovação   do envolvimento de partidos como o PSDB, o PP e o DEM em escândalos de corrupção, a população se voltou a um candidato da direita radical.

Ao abordar os ataques de Bolsonaro à democracia, Leonardo Avritzer revela uma profunda ilusão sobre o caráter democracia, e dos parâmetros criados pela constituição de 1988.

 

“ a constituição de 1988 teve como pilares três pressupostos: a superação do autoritarismo do período militar via um sistema amplo e democrático de participação, organização partidária e eleições; a ampliação de direitos, principalmente os políticos e os socais, a aceitação de uma estrutura ampla de divisão entre os poderes, com protagonismo do poder judiciário, como forma de reforça o governo democrático.”

 

O autor critica a antipolítica de Jair Bolsonaro, mas apresenta como alternativa “política”, o centro “ democrático”, ou seja deposita todas as esperanças na direita que deu golpe contra a democracia, como solução para o retorno da “ política” e da “ democracia”.

 

“Formou-se uma nova aliança política no país. Esta aliança não é de esquerda, é de centro, mas o importante é que se trata de aliança pelo fim da antipolítica.”

 

Segundo Leonardo Avritz “A crise reafirma a importância da política”, e a política é a constituição do centro, sendo que o bolsonarismo é a antipolítica.

 

“ a antipolítica é a reação à ideia de que instituições e representantes eleitos devem discutir, negociar e processar respostas e temas em debate no país. A antipolítica constitui uma negação de atributos como a negociação ou a coalização.”

 

O bolsonarismo é apresentado como sendo algo abstrato, como uma “antipolítica”, que se nega a “negociação ou a coalização.” Além do mais o domínio tradicional dos grupos ou partidos burgueses é visto como uma necessidade “democrática”.

 

“A maior parte dos países não pode sobreviver sem um centro político democrático. O brasil destruir suas forcas de centro entre 2014 e 2018 por via judicial midiática. Bolsonaro rejeita a acomodação política”

 

O enfrentamento com Congresso e o STF pelo Bolsonarismo, com ameaças de fechamento ainda mais do regime política é apresentado pelo fato de “Bolsonaro rejeita a acomodação política, e não como a implementação de uma política de guerra contra os direitos dos trabalhadores e do povo, pelas classes dominantes.

Como já salientado, Leonardo Avritzer comemora a recomposição do centro, e do papel desempenhado pelo DEM. Assim, o partido oriundo da ditadura militar e responsável pela pauta regressiva do Congresso Nacional é apresentado como a esperança da lavoura

 

“Há evidencias cada vez mais fortes da reconstituição de um centro político. Isso se dá em razão da centralidade que o DEM adquiriu em 2020, do papel dos governadores na crise sanitária e da reintegração das forças de esquerda ao campo democrático centrista.”

 

Assim, fortuna ou melhor a sorte no sentido de Maquiavel possibilitou Mandetta no Ministério da Saúde no momento da pandemia, que amplificou a importância do DEM, segundo Avritzer.

 

“Os elementos da recomposição do centro no Brasil passam por uma reorganização das forças políticas. Nova liderança dos democratas ao lado dos governadores de são Paulo e Rio de Janeiro, foi forte suficiente para abalar o bolsonarismo tanto no apoio entre a classe média como na estrutura de ratificação nas redes sociais. Com a ajuda do judiciário isolou o bolsonarismo no campo das instituições.”

 

Como se vê Avritzer apresenta a intepretação contraria “a aventura bolsonarista”, mas sua análise é convenientemente critica até certo ponto, sendo no essencial uma defesa extremada do centro, o mesmo centro que é um dos pilares de sustentação da “ aventura bolsonarista”.

A posição de defesa da frente ampla não é de forma alguma uma “análise”, sendo tão somente a expressão de uma posição política de subordinação da esquerda aos políticos da direita tradicional, que constituem o “centro democrático”. Neste sentido, nada mais  coerente do que apoiar o candidato de “esquerda” da frente ampla na cidade de São Paulo, a assinatura de Leonardo Avritzer no  manifesto pró- candidatura de Guilherme Boulos ( PSOL) é indicador de como a pretensa esquerda acadêmica é tão somente uma propagandista das posições da direita “civilizada”.

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