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Exemplo a seguir

Insurreição popular na Colômbia mostra o caminho

A mobilização dos trabalhadores na Colômbia revela cabalmente que a única saída efetiva para os trabalhadores é a mobilização

Tempo de Leitura: 3 Minutos

Protesto na Colômbia contra a ditadura Ivan Duque – Foto: AFP/AFP

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Os holofotes da política latino-americana voltam-se todos, nesse momento, para a Colômbia. Um amplo movimento popular, com greves e manifestações por todo o país, ganhou as ruas contra a política neoliberal do governo semi-ditatorial de Ivan Duque, levando o país à beira de uma situação revolucionária. O movimento, que já passa de uma semana, pela extensão e pela radicalidade, embora não tenha ainda adquirido uma feição organizada e revolucionária, causou calafrios na burguesia colombiana e na dos países da região, é o primeiro sintoma da reação popular que pode atingir todo o subcontinente contra a política neoliberal e genocida do imperialismo. A mobilização não apenas alarmou a burguesia, como mostrou as massas oprimidas o caminho a seguir.

O invólucro de estabilidade econômica e política que encobria a real situação da Colômbia, se rompeu completamente, vendida como modelo de democracia neoliberal estável, mostrou-se completamente como é: uma semi-ditadura neoliberal contra as massas populares e em favor dos banqueiros e do imperialismo. O estopim da crise fora a proposta de Reforma Tributária, ao estilo neoliberal, encaminhada pelo governo ao Congresso em 15 de abril. A reforma previa o aumento da base de cobrança do imposto de renda, estendendo o imposto para faixas de remuneração mais baixas, antes isentas, aumento de impostos indiretos (IVA), que elevaria o imposto para gasolina de 5% para 19%, por exemplo, além de muitos outros produtos essenciais, que teriam significativo aumento de preço, além da criação de impostos para faixas mais altas de remuneração, dentre outros aspectos.

É necessário considerar que a pandemia, com a continuidade da política neoliberal do governo, elevou enormemente a crise social no país, pelo menos entre 2020 e 2021 cerca de mais 3 milhões de pessoas caíram na extrema-pobreza, a miséria crescente já atinge 42,5% da população, que vive na pobreza. A situação da pandemia também é severa, o país já atingiu mais de 2 milhões de infectados e passa dos 76 mil mortos. Uma situação extremamente crítica.

Para manter a arrecadação e garantir os pagamentos internacionais, ante a queda de arrecadação devido à crise, o governo neoliberal de Ivan Duque encaminhou a famigerada reforma, o rechaço popular foi imediato. No dia 28 de abril foi convocada a primeira manifestação que tomou as ruas de cidades de grande porte, como nas cidades de médio e pequeno porte, sobretudo na cidade de Cali, epicentro da mobilização e da radicalização, onde várias delegacias foram incendiadas. O movimento conta com a classe operária e os sindicatos, a população indígena e se estende até a classe média, também espremida pela situação econômica.

A magnitude das manifestações, que foi tomando feições cada vez mais radicais, com greves gerais, paralisações de estradas, ataques a prédios e empresas, fez o governo recuar rapidamente, além de lançar uma repressão selvagem e militarizar várias cidades. O governo suspendeu a proposta para a realização de mudanças, no dia 03 de maio o governo retirou o texto e o Ministro das Finanças, Alberto Carrasquilla, demitiu-se.

A manifestação, no entanto, não arrefeceu, a mobilização continuou, mesmo sob dura repressão das forças de segurança, da polícia e do exército, pelo menos 24 pessoas morreram durante os protestos, a maioria deles, muitos filmados, foram assassinados pelas forças de repressão. Na última quarta-feira (05) grande mobilização tomou conta das ruas, sobretudo em Cali e Bogotá, houve repressão do governo com gás lacrimogêneo e bombas.

A mobilização inicialmente contra uma medida específica, tornou-se uma avalanche popular para soterrar a política neoliberal e a ditadura de Ivan Duque, do partido Centro Democrático, e os partidos Liberal e Conservador que se alternam no poder a tempos.

A mobilização na Colômbia mostrou de maneira cabal a toda a esquerda latino-americana e mundial que a única saída que abre perspectivas de vitória aos trabalhadores é a mobilização popular, esperar pacientemente uma saída vinda pelas mãos da burguesia é o pior dos erros. Na Colômbia, assim como no Brasil, a burguesia e seu governo não romperam com o pacto neoliberal mesmo diante da pandemia, o que levou, tanto lá, como aqui, a situação catastrófica, a paralisia é o que permite que a burguesia aprofunde a política neoliberal e com isso a catástrofe econômica e o genocídio da população e nada indica em lugar nenhum que recuará dessa política por considerações humanitárias, ao contrário está aplicando.

A política do “fique em casa”, sob a justificativa da pandemia é nesse momento contemporizar com a massacre do povo, que não é que vai ocorrer se sair de casa para protestar, que já está ocorrendo em grande escala e com a destruição das condições de vida de milhões, que são jogados na miséria e no desespero. O povo colombiano rompeu com tal contemporização e tomou as ruas, em pouco tempo conquistaram com sangue e suor grandes vitórias e abriu caminho para muitas outras, como a derrubada do regime neoliberal organizado pelos EUA e que vige há décadas. É esse o caminho que devemos percorrer também no Brasil para derrotar o regime golpista, o neoliberalismo, a ditadura e para barrar o massacre espantoso pelo vírus a que o povo brasileiro está condenado enquanto estiver sob o regime golpista. Seguir o exemplo dos trabalhadores colombianos, tomar as ruas, fechar as estradas, parar as fábricas, por fora Bolsonaro e todos os golpistas, por um conjunto de medidas imediatas para salvar a população do vírus, quebra e produção de vacinas já, abaixo as privatizações e todo o programa neoliberal.

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