Literatura preta
Famosa após publicar “O Díario de uma Favelada”, escritora será homenageada
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CarolinaDeJesusAutografa
Moradora da Favela do Canindé e Catadora de lixo, Carolina se consagra escritora na década de 60 | Imagem: Acervo UH/Folhapress

De acordo com a coluna de Mônica Bergamo, na Folha de S.Paulo, o Instituto Moreira Salles está organizando uma Mostra em homenagem à escritor Carolina Maria de Jesus. A abertura da mostra, prevista inicialmente para ser inaugurada nesta ano, em São Paulo, foi adiada para junho de 2021, em razão da pandemia do COVID-19. Para o Conselho Consultivo da exposição em homenagem à escritora já conta com 13 mulheres negras escaladas. Entre elas, as escritoras Carmen Silva e Conceição Evaristo, a filósofa Sueli Carneiro e a atriz Zezé Motta.

A importância da escritora para a Literatura Brasileira é inegável. A primeira tiragem (10 mil exemplares) de seu primeiro e mais famoso livro “Quarto de Despejo: Diário de uma Favelada” esgotou-se na primeira semana. O livro chegou a marca de 80 mil exemplares vendidos, superando autores já consagrados como Jorge Amado, que aparecia na lista de mais vendidos com “Gabriela”. O livro recebeu elogio de escritores como Manuel Bandeira e Clarice Lispector que afirmou que Carolina era a única escritora que conseguia retratar a realidade. O livro seguiu sendo traduzido para 14 idiomas e publicado em 46 países, virou matéria em jornais e revistas do mundo inteiro. Em Portugal, sofreu censura do Ditador Fascista Antônio Salazar, que não poderia autorizar uma denúncia tão contundente da miséria produzida pelo Capitalismo no Mundo, sendo retratada por alguém que sofreu na pele a mais profunda exclusão social.

Nascida em Sacramento, Minas Gerais, empregada doméstica em São Paulo, moradora do Canindé e “favelada” como ela mesma se dizia no subtítulo de sua obra, Carolina Maria de Jesus precisou catar lixo para sobreviver e criar seus 3 filhos. Os cadernos encontrados no lixo deram o suporte para a escrita de seus diários, foram cerca de vinte volumes manuscritos onde ela relatava seu dia a dia e refletia sobre sua condição de oprimida pela sociedade Burguesa. A metáfora que ela criou para sintetizar sua história é perfeita para ilustrar a luta entre a Classe Operária e a Burguesia. Segundo Carolina, se a cidade pode ser comparada com uma Casa, a Favela seria então o Quarto de Despejo, tudo que ali se encontra poderia ser queimado ou descartado no lixo. Ainda em vida ela lançou mais três livros: “Casa de Alvenaria” (1961), “Pedaços de Fome” (1963) e “Provérbios” (1963). Nenhum deles repetiu o sucesso do livro de estreia, pois a imprensa Burguesa não tinha mais interesse em promover a escritora que voltou a vender papelão para sobreviver.

Em tempos de identitarismo, banqueiros (como os do Instituto Moreira Salles) promovem homenagens a personalidades pretas para se passarem por instituições humanitárias. Não passa da mais pura demagogia! São essas mesmas instituições que continuam impondo condições de vida miseráveis à classe trabalhadora. São estes mesmos banqueiros os principais responsáveis pelo sofrimento de pessoas como Carolina Maria de Jesus, que denunciavam exatamente o horror dessa sociedade decadente, que permite que a maior parte do povo more em um quarto de despejo. Não bastam homenagens aos heróis do povo, é preciso lutar pela emancipação dos oprimidos diante da burguesia.

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