Inquérito do Ministério Público de Mato Grosso endossa tribunal racial nas universidades

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Após a repercussão da denúncia de que pessoas brancas utilizaram cotas destinadas aos candidatos negros, pardos ou indígenas de escola pública para ingressar na Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), a Universidade divulgou uma lista com 230 nomes de estudantes que usaram as cotas raciais indevidamente. Deste total, 113 estudantes são do campus de Cuiabá, 54 do campus de Rondonópolis, 27 do campus do Araguaia, 17 do campus de Várzea Grande e 19 do campus de Sinop.

De acordo com Vinícius Brasilino, integrante do movimento negro de Mato Grosso, o motivo da denúncia foi a existência de várias queixas que foram encaminhadas para a Ouvidoria da UFMT para que as devidas providências fossem tomadas.

A assessoria do Ministério Público Federal informou que, em fevereiro, já havia sido protocolada uma denúncia a respeito da mesma acusação realizada pelo Instituto de Mulheres Negras (IMUNE), pelo Instituto de Formação, Estudos e Pesquisas Socioeconômico Político Cultural de Mato Grosso e pelo Conselho Estadual de Promoção de Igualdade Racial de Mato Grosso (CEPIR/MT). Como já havia um inquérito instaurado, a queixa foi anexada a ele.

A UFMT informou que, no ato da matrícula, a Comissão Permanente de Homologação e Acompanhamento de Matrículas por Ações Afirmativas adota vários procedimentos com o intuito de verificar a veracidade das informações contidas nas autodeclarações realizadas pelos estudantes. Caso o estudante não cumpra os requisitos, é declarado inelegido.

Essa questão de denunciar a existência de fraude no processo de cotas serve apenas para embasar a campanha da direita pelo fim das cotas. O objetivo é estabelecer um tribunal racial, que definirá quem é negro e quem não é. No entanto, esse tribunal será composto pela direita, não pelo movimento negro.