Um oportunismo eleitoral
O PSOL, nas eleiçoes municipais, se mostrou além de um conivente da fraude, dos currais eleitorais, do voto de cabresto, um trampolim eleitoral para golpistas e até latifundiários
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Uma legenda que de "socialista" só tem o discurso da sua cúpula | Foto: Reprodução

No dia 15 desse mês de novembro se sucederam as eleições municipais no Brasil. Eleições essas que, em qualquer rincão do país, são uma verdadeira fraude. Desde os currais eleitorais, do voto de cabresto, do superfaturamento dos votos, até mesmo o cuidado nos números apresentado nas urnas brasileiras, que não podem ser auditadas por serem eletrônicas. No meio desse cenário ditatorial, cuja roupagem é “democrática”, a esquerda se desespera em busca de cargos. E para isso se despem de qualquer princípio político e se lançam em aventuras oportunistas e carreiristas, sendo o caso mais emblemático o caso do PSOL. Em todo País, o PSOL teve quatro prefeituras. O que foi considerado pela imprensa burguesa uma vitória, mas que é um número extremamente medíocre; para quem tem como objetivo central o fetiche nas eleições, principalmente. E, o pior, o PSOL foi apenas uma legenda de aluguel para direita. Em todas as prefeituras que “eles ganharam” está presente figuras da direita, inimigos do povo e até um latifundiário.  

O primeiro ponto é que todas essas figuras ganharam no interior do País. O chamado “Brasil profundo”. O território que quem domina o poder político não são figuras políticas populares, “o poder demanda do povo” é uma frase, nesses locais, que muito mais da metade do território nacional, o poder emana de grupos de latifundiários e oligarquias que dominam o cenário político dessas regiões. Um partido de esquerda que lança candidatos sem nenhum resquício de convicção política, que tem condições de ganhar, de “jogar o jogo”, está servindo apenas de um trampolim para os interesses dessas oligarquias locais. Um bibelô com uma fachada esquerdista para perpetuar os interesses de grupos que exploram e atrasam o País. Em suma, dos interesses da burguesia. 

Salomão Gurgel: a vitória de um carreirista profissional  

Salomão, a “grande vitória” do PSOL, é um típico político profissional da direita. Esteve em cinco partidos desde sua primeira filiação partidária, onde começou sendo a oposição política consentida da ditadura militar, o MDB. Depois esteve no Partido dos Trabalhadores, onde foi lançado como prefeito em 1982. Entrou para o PDT, onde esteve nos gabinetes da política dos oligarcas. Foi candidato a governador do estado em 1990. Em 1994 concorreu ao mandato de senador pelo PSB, ficando em 5° lugar. Assumiu uma cadeira como suplente na Câmara Federal em 2001, ainda no PSB.  Em 2004 foi eleito prefeito de Janduís, com o mandato de 2005 a 2013, já sendo lançado pelo PT. 

Uma carreira, literalmente. O fato mais interesse é que Gurgel, em 2015, quando estava em marcha o golpe de Estado que viria a derrubar o governo eleito de Dilma Rousseff, do partido a qual ele era membro, mesmo que tivesse rodopiado entre a direita e a esquerda burguesa do regime, passou rapidamente para o PSOL. O carreirista em questão sempre foi a oposição consentida.  

No momento em que esteve diante dos seus olhos a ofensiva da burguesia, não pensou duas vezes e foi para o PSOL. O partido que alimentou, após o golpe, a luta contra tudo, menos o que mais importa. Figuras como Gurgel não são raras, que abandonaram o partido que foi golpeado para se aventurar em outros. Afinal, o que manda para o carreirista, a sua orientação política, é a conveniência para seus objetivos exclusos.  

E agora a vitória do PSOL é essa: ser o trampolim para figuras carreiristas e aventureiras a lançarem e recuperarem seus cargos no Estado falido da burguesia. 

Mas o pior ainda é o segundo caso, o golpista é apenas o começo. 

 

A “vitória” do PSOL, é na verdade a vitória do latifúndio 

 

Dificilmente o PSOL poderá apresentar o seu prefeito de Ribas do Pardo (MS) como uma fiel expressão do “socialismo”, poderia se argumentar que apesar de milionário e latifundiário, João Alfredo poderia ser “socialista” de coração ou um “burguês esclarecido” que se encantou com os slogans radicais do PSOL. Mas não é esse o caso, pois o prefeito latifundiário do PSOL é terminantemente contra a pauta das mulheres, sendo contra o direito ao aborto, considera a luta pela terra como coisa de “invasores” e favorável ao uso da repressão contra os ‘maconheiros’. 

Segundo João Alfredo, o PSOL seria a ala “esquerda racional”: 

 “A esquerda séria foi a que fundou o Psol em 2004, uma dissidência do PT. Temos algumas pautas do PSOL nacional que nós discordamos frontalmente. É a questão do aborto, a questão da descriminalização das drogas. Somos contra a invasão de terras. Somos a favor de regularização fundiária através de desapropriações amigáveis. Nós temos 357 mil quilômetros quadrados no Estado. Temos terra para todo mundo”. 

Um ingênuo poderia pensar que se trata de um lapso em uma cidade pequena, e que as ideias reacionárias de João Alfredo eram desconhecidas. Acontece que não é bem assim, uma vez que as denúncias sobre João Alfredo não são novidades, e são de pleno conhecimento de todo o PSOL, uma vez que João Alfredo foi o candidato ao governo do estado do Mato Grosso em 2018, e na ocasião integrantes do PSOL denunciaram e exigiram uma comissão de ética para julgar os posicionamentos públicos de João Alfredo. 

O candidato do PSOL ao Governo de Mato Grosso do Sul, João Alfredo Danieze, está no centro de um impasse envolvendo parte da militância do próprio partido. O núcleo ‘anticapitalista’ do partido no Estado vai apresentar denúncia formal contra o advogado ao Conselho de Ética Nacional por declarações polêmicas e contrárias a algumas pautas primárias do partido. 

“A luta por ocupação de território é um dos pilares do nosso partido. O que ele expressou sobre ‘invasão de terra’ já denuncia que ele não entende nada sobre o que é ser de esquerda. Na esquerda não se fala de ‘invasão’, a gente fala de ocupação de determinados territórios com objetivo de luta”, criticou o professor Henrique Nascimento, militante do PSOL, em 2018. 

João Alfredo afirmou na campanha para o governo do estado, que era contrário ao que chamou de “invasão de terra”, a descriminalização do aborto e das drogas, A declaração provocou indignação  na base do PSOL. Além disso, João Alfredo prometeu que iria implementar no seu governo a proposta da escola sem partido, defendendo que a escola deveria seguir a cartilha da direita. O agora prefeito do PSOL já tinha sido vice prefeito de Ribas do Prado, com partidos de direita, renunciando, fazendo estardalhaço com tema do “combate á corrupção” 

Para a campanha de 2020, o PSOL se coligou com partidos “ecológicos” que apoiaram o golpe de 2016, e são sublegenda de Joao Alfredo na cidade, tendo como vice na chapa é a professora Guiomar (REDE), tendo ainda o PV na coligação na majoritária. 

Esse exemplo do prefeito eleito do PSOL é uma evidencia do grau de integração da esquerda pequeno burguesa ao regime político, e da completa falácia sobre a “ vitória” da esquerda nas eleições. O candidatos eleito pela sigla da “ esquerda radical”, não passa de um reacionário. 

 

 

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