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Como resultado do golpe de Estado promovido pela direita, o índice dos crimes ligados a furtos e assaltos tem aumentado no País inteiro. Com o crescimento da mazela, da carestia e da falta de emprego, era de se esperar que haveria o crescimento dos pequenos delitos. Sabemos, portanto, que o crime é um produto direto dos excessos sociais, do abismo entre as classes dominantes e os explorados.

Essa situação se vê estimulada pela gigantesca roubalheira dos bancos e grandes monopólios contra a população. Os larápios banqueiros “lucraram” oficialmente cerca de R$ 98,5 bulhões no ano passado, o maior lucro da história do País.

Seguindo o prenúncio do golpe, os problemas com delitos também atingiram a Universidade de Pernambuco (UPE). Após assalto ocorrido no último dia 8, os estudantes se mobilizaram contra a falta de segurança dentro da faculdade e fizeram uma greve suspendendo os atendimentos na clínica-escola para pressionar a reitoria. Um protesto foi realizado na manhã desta quinta-feira (11), onde os estudantes saíram pelas ruas do Centro da capital pernambucana. O ato começou às 9h30 e terminou às 13h30. Segundo informações do portal G1, cerca de 200 estudantes participaram da mobilização que se reuniu na frente da reitoria da UPE, em Santo Amaro.

Durante o protesto, encontravam-se em reunião: o professor Pedro Falcão, reitor da UPE; representantes da Polícia Civil, Polícia Militar, da prefeitura de Camaragibe, da Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação e do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da universidade. Dentre as reivindicações dos estudantes, constava a instalação de um posto de policiamento fixo na FOP, um grande equivoco, uma vez que a presença da Polícia de modo algum garante qualquer segurança para os estudantes, constituindo-se – pelo contrário  – em uma ameaça ao fortalecimento da repressão no seu interior.

Segundo o professor Pedro Falcão, a reitoria “vem articulando soluções junto aos órgãos de segurança do Estado, que estão sensíveis a questão e dispostos a colaborar com o reforço do policiamento no entorno da faculdade.” A UPE chegou a lançar uma nota informando que aguarda a liberação de recursos do governo do Estado para contratar uma empresa privada de vigilância. A reitoria informou, também, que está prevista a transferência das instalações da FOP para um novo prédio no Campus Santo Amaro, região central de Recife. Ou seja, nenhuma medida diz respeito à fortalecer a universidade pública, como por exemplo, com contratação de funcionários por meio de concurso, melhoria das condições internas que ofereçam mais conforto e segurança etc.

Como resultado imediato da reunião, a reitoria decidiu acatar as recomendações da Secretaria de Defesa Social (SDS), tais como: a identificação dos integrantes da comunidade acadêmica por meio de crachás e o controle da entrada e saída da faculdade. Ou seja, a insegurança foi usada como pretexto para impor um controle, uma repressão sobre os estudantes e a própria comunidade que deve ter direito a frequentar e desfrutar das instalações da Universidade pública, sustentada com recursos advindos do trabalho da classe operária e demais setores explorados.

Embora haja um esforço dos órgãos da imprensa golpista no sentido de fomentar a introdução dos métodos policialescos em todos os locais públicos e, principalmente onde, por tradição, a esquerda desenvolve uma intensa luta política, a realidade é que não há razão alguma para colocar polícia dentro da universidade. É preciso deixar claro que não há um apelo popular sobre a questão da segurança. Apenas uma parte dos alunos de odontologia, que não têm uma tradição de luta de esquerda, reivindicaram segurança.

É tarefa de toda militância de esquerda alertar quanto ao avanço dos órgãos de repressão do Estado. A questão da violência não pode ser combatida com polícia, ela é resultado do golpe e do desemprego e empobrecimento da população em geral e, nas universidades, para politica de destruição do ensino público dos governos golpistas.

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