Siga o DCO nas redes sociais

Protestos na Índia
Inidianos protestam contra segregação a muçulmanos
Em diversas universidades, há protestos contra a nova legislação indiana, que segrega muçulmanos.
protestos índia grande
Protestos na Índia
Inidianos protestam contra segregação a muçulmanos
Em diversas universidades, há protestos contra a nova legislação indiana, que segrega muçulmanos.
Manifestantes seguram bandeira indiana, em Nova Délhi. Foto: DANISH SIDDIQUI / REUTERS
protestos índia grande
Manifestantes seguram bandeira indiana, em Nova Délhi. Foto: DANISH SIDDIQUI / REUTERS

Nesse mês de dezembro, a Índia foi tomada por protestos estudantis em algumas de suas principais universidades. A razão foi uma emenda legal, que deveria dar cidadania aos imigrantes que chegaram antes de dezembro de 2014 e que estão em situação irregular. A polêmica se deu porque a emenda não contempla os imigrantes muçulmanos.

Universidades em Delhi, Uttar Pradesh, Mumbai e Hyderabad, ligadas à população muçulmana, são palco de manifestações dos estudantes. Muitas delas receberam intensa repressão da polícia, como por exemplo a Universidade Jamia Millia Islamia de Nova Delhi, na qual a polícia entrou sem autorização e reprimiu duramente os estudantes, deixando mais de 200 feridos e muitos danos materiais. Contra a legislação e a própria ação violenta da polícia, a oposição convoca atos por todo o país.

A emenda à Lei da Cidadania

A emenda legal visa regularizar imigrantes de países como Afeganistão, Paquistão e Bangladesh e que pratiquem o hinduísmo, o sikhismo, o budismo, o jainismo, o parsismo e o cristianismo. O governo justifica a sua criação com o fato de que essas populações sofrem perseguição nos seus países de origem. Porém, fica clara a perseguição praticada pelo próprio governo indiano contra as populações muçulmanas, que não se encontram no texto da legislação.

A oposição liderada pelo Partido do Congresso afirmou que a emenda se trata de “uma afronta à Constituição”, além de dizer que ela fere os princípios do estado laico no país. Ghulam Nabi Azad, um dos líderes do Partido, disse que “Não podemos vincular cidadania à religião” e prometeu diversos protestos pelo país.

Protestos

Universidades com forte presença da população muçulmana receberam manifestações por conta da aprovação da emenda. Em Nova Delhi, Universidade Jamia Millia Islamia teve centenas de pessoas em protesto na segunda-feira, 16 de dezembro. O ato foi reprimido violentamente pela polícia, que invadiu o campus sem autorização da reitoria e agrediu os estudantes, além de destruir a biblioteca e outras dependências da universidade.

Por conta da violência policial nessa ação, houve também protestos na Universidade Islâmica de Aligarh, no estado de Uttar Pradesh. Neste local, o confronto entre polícia e estudantes forçou o fechamento do campus até o mês que vem.

Também na cidade de Lucknow, na universidade islâmica de Nadma, houve protesto com cerca de 400 estudantes. Assim como nas cidades de Mumbai e Hydebarad.

A perseguição aos muçulmanos e a violência da polícia contra os manifestantes pode gerar na Índia uma situação de convulsão social semelhante ao que temos visto em outras partes do mundo, o que denota a crise em que se encontra o capitalismo de conjunto. Nesse sentido, é preciso denunciar essas ações do governo indiano e aproveitar esses momentos de crise para intensificar a organização da classe trabalhadora e dos setores oprimidos da população.