Inglaterra vai à direita para tentar impedir Jeremy Corbyn

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Borris Johson, o sucessor de Theresa May na liderança do Partido Conservador inglês e novo Primeiro Ministro da Inglaterra, disse em seu discurso de agradecimento por ter sido escolhido como sucessor de May, que suas principais tarefas seriam: derrotar Jeremy Corbyn, manter o Reino Unido no Brexit e “unir” o país.

A crise política e econômica mundial implicou na saída de antigos representantes da burguesia, já gastas e decrépitas como May e Merkel, substituindo-as por figuras mais à direita. Tanto no partido de Merkel como no de May, há uma luta interna entre uma ala mais ligada ao centrão, encabeçada pelas duas dirigentes, e uma ala ligada à extrema-direita. Em ambos os casos a ala mais à direita ganhou. A demagogia usada para dar um verniz de renovação na política do país, a política agressiva contra a esquerda, a política de austeridade e o fim do bem estar social europeu, compõem a guinada política que necessita a burguesia europeia para conter o avanço da esquerda.

O discurso de Boris assemelha-se em certos aspectos ao de Bolsonaro. Longe de ter uma linguagem tão boçal como a do presidente brasileiro, o líder conservador fala em combater a esquerda e unificar o país. A figura  de Jeremy Corbyn é demonizada pela burguesia inglesa, e assim como caluniaram e atacaram ferozmente o PT no Brasil, sendo o principal eixo da campanha de Bolsonaro, estão fazendo com Corbyn na Inglaterra.

A popularidade de Corbyn cresceu por conta da polarização do país. O líder do Labour Party (Partido Trabalhista), é ligado aos sindicatos e tem um propostas que vão no oposto do imperialismo, prestando solidariedade à Palestina, se opondo às políticas de sanções econômicas contra outros países e atacando a indústria bélica do país e sua política de fomentar guerras.

Essa polarização da política levou à renuncia de May e da escolha de Boris e seus eixos de campanha: Entregar o Brexit, Unificar o País e Derrotar Jeremy Corbyn (leia-se derrotar a esquerda). A burguesia encontra-se desesperada para conter o avanço da esquerda e para isso está escolhendo seus representantes da extrema-direita para salvar o Partido Conservador.