Carestia
Aumento é uma mostra de que a variação dos preços atinge muito mais os mais pobres do que os demais, destruindo rapidamente as condições mínimas de sobrevivência da população

Por: Redação do Diário Causa Operária

A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que apura o aumento de preços para famílias com renda de até cinco salários mínimos, subiu 0,86% em fevereiro. Os dados são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foram divulgados na última terça (9) e representam o maior aumento desde 2016. Ou seja, para a fração mais pobre da classe trabalhadora, a inflação foi a maior desde o golpe de Estado.

Segundo o IBGE, o INPC acumula 1,09% em 2021 e 6,22% nos últimos 12 meses. Isso significa que uma família com renda de até 5 salários mínimos está ainda mais pobre. Isto porque o governo golpista de Bolsonaro reajustou o mínimo a partir de janeiro sobre a base de 5,22% do INPC em 2020, o que significou R$ 1.100,00 a partir de janeiro de 2021. Logo, os trabalhadores estão com o salário mínimo, neste momento, defasado em pelo menos 1% em relação à inflação da cesta de alimentos medida pelo INPC.

Segundo informações do IBGE, nos últimos 12 meses de pandemia, o preço do óleo de soja subiu 87,89%, o do arroz 69,80% a batata 47,84%. O preço do leite longa vida subiu 20,52%. Outros grupos de alimentos pesquisados, as maiores altas ocorreram em cereais, leguminosas e oleaginosas (57,83%), óleos e gorduras (55,98%), tubérculos, raízes e legumes (31,62%), carnes (29,51%) e frutas 27,09%.

Ou seja, todos os produtos básicos da alimentação da população subiram muito acima de qualquer índice oficial de inflação, o que é uma mostra da corrosão do poder de compra dos trabalhadores e a deterioração decorrente nas suas condições de vida.

Esta defasagem, no entanto, não mostra todo o problema. Afinal, os trabalhadores das famílias que tem renda de até 5 salários mínimos, a amostra do INPC, não apenas consomem os produtos da cesta medida pelo IBGE. Eles também moram.

Das cerca de 70 milhões de domicílios no País, 11,7 milhões pagam aluguel. O problema é que a “inflação do aluguel”,expressa no IGP-M (Índice Geral de Preços Mercado), que é medido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) foi de 2,53% em fevereiro e acumula quase 30% (28,94) nos últimos 12 meses. Assim, uma pessoa que pagava R$ 1.000 de aluguel no começo de 2020, agora estará pagando R$ 1.934. Não precisa ser especialista no assunto para deduzir quanta gente foi despejada ou contraiu dívidas impagáveis apenas por ter um teto, que em tese é um direito constitucional.

Isto para falar apenas em alimentos e moradia. Este é o retrato do Brasil dominado pelo golpe de Estado de 2016; Além de sofrer a maior alta do INPC desde o golpe de 2016, a população também não tem condições nem de manter sua moradia. Se por um lado os números mostram que a situação vai piorar, eles também permitem assimilar que só a mobilização dos mais afetados por essa desgraça nacional podem reverter o quadro de miséria e destruição nacional causado pelos golpistas.

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