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Retrospectiva 2020

Inflação de alugueis e contratos subiu 23% segundo IGP-M

Exacerbado aumento nos preços dos alugueis, reflete no aumento dos despejos e na pobreza no ano de 2020.

Tempo de Leitura: 4 Minutos

Alta no índice usado para a correção de contratos de aluguel de imóveis é a maior desde 2002 – Reprodução

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O IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) apresentou crescimento de 0,96% em dezembro em relação a novembro e fechou o ano com uma alta acumulada de 23,14% nos últimos 12 meses, a maior variação anual desde 2002, quando o índice subiu 25,31%. O índice, utilizado como referência para a correção de valores de contratos, como os de aluguel de imóveis, foi divulgado pela FGV (Fundação Getúlio Vargas) na última terça (29). Em dezembro do ano passado, o IGP-M marcou alta de 2,09% e apresentou um crescimento de 7,30% nos 12 meses anteriores. Em novembro deste ano, a alta mensal foi de 3,28%. Esses dados indicam um demasiado aumento dos preços dos alugueis, o que refletiu no aumento dos despejos e da pobreza no ano de 2020.

O gráfico abaixo ilustra a desenvolvimento do índice no ano de 2020:

igp m e1609357614864

 

 

 

 

 

Fonte: FGV IBRE

O IGP foi concebido no final dos anos de 1940 para ser uma medida abrangente do movimento de preços. Entendia-se por abrangente um índice que englobasse não apenas diferentes atividades como também etapas distintas do processo produtivo. Construído dessa forma, o IGP poderia ser usado como deflator do índice de evolução dos negócios, daí resultando um indicador mensal do nível de atividade econômica. O IGP é a média aritmética ponderada de três outros índices de preços. São eles:

  • Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA),
  • Índice de Preços ao Consumidor (IPC),
  • Índice Nacional de Custo da Construção (INCC).

Os pesos de cada um dos índices componentes correspondem a parcelas da despesa interna bruta, calculadas com base nas Contas Nacionais – resultando na seguinte distribuição:

  • 60% para o IPA,
  • 30% para o IPC,
  • 10% para o INCC.

Segundo a FGV, a desaceleração em dezembro, em relação a novembro, foi puxada pela queda no valor de commodities do setor agropecuário. As matérias-primas brutas caíram 0,74% em dezembro. As principais contribuições para este movimento partiram das commodities: soja [11,91% para -8,93%], bovinos [7,40% para -0,58%] e milho [21,85% para -2,17%].  Os preços da soja e do milho seguem em alta em bolsas internacionais e tal movimento pode limitar a magnitude das quedas nas próximas apurações, segundo nota do coordenador da FGV.

A tabela abaixo mostra as taxas de variação no ano de 2020 para IGP-M. Os três componentes do IGP-M apresentaram as seguintes trajetórias na passagem de novembro para dezembro: IPA, de 4,26% para 0,90%, IPC, de 0,72% para 1,21% e INCC, de 1,29% para 0,88%.

TAXAS DE VARIAÇÃO EM 12 MESES DO IGP-M E SEUS COMPONENTES
Data IGP-M IPA-M IPC-M INCC-M
% 12 m % 12 m % 12 m % 12 m
dez/16 7,17% 7,64% 6,25% 6,35%
jan/17 6,65% 7,16% 5,38% 6,32%
fev/17 5,38% 5,53% 4,54% 6,32%
mar/17 4,86% 4,88% 4,34% 5,87%
abr/17 3,37% 2,72% 4,27% 5,35%
mai/17 1,57% 0,15% 3,91% 5,29%
jun/17 -0,78% -3,21% 3,49% 5,12%
jul/17 -1,66% -4,33% 3,23% 4,22%
ago/17 -1,71% -4,41% 3,16% 4,36%
set/17 -1,45% -3,88% 2,90% 4,13%
out/17 -1,41% -3,86% 3,01% 4,15%
nov/17 -0,86% -3,07% 3,04% 4,26%
dez/17 -0,52% -2,55% 3,14% 4,02%
jan/18 -0,41% -2,34% 3,06% 4,01%
fev/18 -0,42% -2,27% 2,95% 3,61%
mar/18 0,20% -1,22% 2,70% 3,47%
abr/18 1,89% 1,27% 2,69% 3,84%
mai/18 4,26% 4,91% 2,65% 4,03%
jun/18 6,92% 8,68% 3,86% 3,41%
jul/18 8,24% 10,50% 4,27% 3,93%
ago/18 8,89% 11,66% 3,97% 3,83%
set/18 10,04% 13,26% 4,36% 3,86%
out/18 10,79% 14,33% 4,61% 4,00%
nov/18 9,68% 12,66% 4,40% 3,98%
dez/18 7,54% 9,43% 4,12% 3,97%
jan/19 6,74% 8,16% 4,15% 4,09%
fev/19 7,60% 9,50% 4,13% 4,14%
mar/19 8,27% 10,34% 4,58% 4,11%
abr/19 8,64% 10,73% 4,97% 4,32%
mai/19 7,64% 9,17% 5,07% 4,09%
jun/19 6,51% 7,91% 3,87% 3,76%
jul/19 6,39% 7,81% 3,58% 3,95%
ago/19 4,95% 5,53% 3,76% 4,00%
set/19 3,37% 3,18% 3,43% 4,45%
out/19 3,15% 3,09% 2,85% 4,23%
nov/19 3,97% 4,30% 2,97% 4,12%
dez/19 7,30% 9,08% 3,79% 4,13%
jan/20 7,81% 9,91% 3,72% 3,99%
fev/20 6,82% 8,38% 3,67% 4,15%
mar/20 6,81% 8,48% 3,20% 4,34%
abr/20 6,68% 8,54% 2,63% 4,02%
mai/20 6,51% 8,60% 1,65% 4,14%
jun/20 7,31% 9,77% 1,76% 4,01%
jul/20 9,27% 12,60% 2,09% 3,95%
ago/20 13,02% 18,15% 2,34% 4,44%
set/20 17,94% 25,26% 3,04% 5,01%
out/20 20,93% 29,14% 3,88% 6,64%
nov/20 24,52% 34,16% 4,42% 7,86%
dez/20 23,14% 31,63% 4,81% 8,66%
Fonte: FGV IBRE

Esses índices mostram que dos anos de 2018 e 2019 para o ano de 2020 houve um aumento exorbitante em todos os índices. A forte alta do IGP-M levou os locatários a terem que renegociar reajustes nos contratos de locação, levando ao aumento nos preços de aluguel. Dessa forma, os inquilinos, duramente atingidos pela crise econômica e sanitária, levando a ações de despejo por todo o Brasil. A falta de alternativa de renda foi o que fez muitos brasileiros não conseguirem pagar seus aluguéis. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), menos da metade da população em idade ativa está ocupada hoje no país. São 14,1 milhões de brasileiros desempregados, uma taxa recorde registrada no terceiro trimestre deste ano.

A conclusão é trágica. As famílias, sem renda, sem condições de seguir as recomendações das organizações de saúde de ficar em casa, para conter as transmissão do novo coronavírus, por não ter condições de pagar as contas de aluguel, energia e água, muitos menos comprar comida, foram mandadas para rua, ou para habitações precárias de outros parentes. Essa foi a perspectiva de 2020 do direito à moradia, para a classe média e popular, proletária brasileira.

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