Comer apenas para viver
Classe trabalhadora tem comprometido metade da renda, apenas para comer alimentos básicos
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Aumento da cesta básica é desproporcional ao salário do povo | Foto: Reprodução

Mais uma vez, a sociedade brasileira é brindada com mais uma notícia de aumento da cesta básica.
Conforme a pesquisa do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), o preço da cesta básica aumentou no mês de agosto, em 13 capitais, em comparação com o mês anterior.
Os dados da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, divulgados na última sexta-feira (4), levam em conta os preços do conjunto de alimentos básicos necessários para as refeições de uma pessoa adulta.
O Dieese verificou também que o trabalhador usou uma média de 48,85% da sua renda para comprar os alimentos básicos, revelando o quanto o aumento está totalmente desproporcional com a renda média do trabalhador brasileiro, pois o seu salário não aumenta.
Só em São Paulo – onde está localizada a maior concentração de trabalhadores ativos – houve alta de 2,9% na comparação com julho. No ano de 2020, o preço do conjunto de alimentos aumentou 6,6% e, nos últimos 12 meses, 12,15%. Na cidade de São Paulo, especificamente, o tempo médio de trabalho necessário para adquirir os produtos da cesta, em agosto, foi de 113 horas e 40 minutos, e o valor da cesta corresponde a 55,86% do salário-mínimo líquido.
O Dieese estima que o salário-mínimo necessário para o sustento de uma família de quatro pessoas (dois adultos e duas crianças), deveria ser a R$ 4.536,12, o que corresponde a 4,34 vezes o mínimo vigente de R$ 1.045.
O governo ilegítimo do Sr. Jair Messias Bolsonaro se gaba de estar com uma inflação baixa. Nada poderia estar mais falso. Índices como IGP-M que atualizam o valor do aluguel e o IPCA, que atualiza produtos de consumo, como comida por exemplo, não estão baixos.
Dessa forma, podemos verificar que os dados indicam o fortalecimento das tendências inflacionárias da economia e, essa tal inflação baixa é mantida de forma artificial, pois é por meio, apenas, desse indicador que os trabalhadores tem o seu dissídio, enquanto os demais serviços e produtos que são adquiridos pelo salário do trabalhador aumentam seu valor de forma absurdamente desproporcional.
Vivenciamos um arrocho salarial histórico e a classe trabalhadora se vê forçada a comprometer praticamente a metade de sua renda apenas para consumir alimentos básicos, ou seja, está vivendo apenas para trabalhar e continuar dando algum lucro para os modernos senhores de engenho, enquanto ainda lhes restam forças, retroagindo a sociedade aos tempos de escravidão, sem sombra de dúvidas.
O governo do sr. Jair não consegue encaminhar minimamente soluções para a crise econômica brasileira, que, como não poderia deixar de ser, tem raízes na crise econômica internacional. O encarecimento do custo de vida da população, sobretudo da população pobre, é gasolina para uma crise social de proporções ainda maiores do que a atual. A polarização social tende a aumentar e as possibilidades de estabilização do regime ficam ainda mais difíceis de alcançar.
A única alternativa que resta a essa classe trabalhadora, que tem sido covardemente explorada, é o seu levante contra essa burguesia parasita, para derrubá-la e derrubar também todos os seus capachos, como o fascista que ocupa hoje a presidência da República, sr. Jair Messias Bolsonaro, e o serviçal mór da burguesia, o banqueiro especulador Paulo Guedes.
O povo trabalhador juntamente com os sindicatos precisam tomar as ruas, para lutar por uma a escala móvel de salários, como medida para enfrentar a inflação.

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