Vacina: um grande negócio
O mesmo imperialismo que promoveu a pandemia é o que está lucrando bilhões com a corrida pela vacina no mundo
This photo illustration show a syringe referring to the vaccine for fighting the coronavirus (COVID-19), with a representation of the virus in the background, photographed  In Rio de Janeiro, Brazil, on July 15, 2020. The Brazilian government announced agreements with the University of Oxford, in the United Kingdom, and with the Chinese company Sinovac and continues with the tests of the vaccine against Coronavirus (COVID-19) here in Brazil and may have its registration released in June 2021. (Photo Illustration by Allan Carvalho/NurPhoto via Getty Images)
Bilhões de lucros nas bolsas | Arquivo.
This photo illustration show a syringe referring to the vaccine for fighting the coronavirus (COVID-19), with a representation of the virus in the background, photographed  In Rio de Janeiro, Brazil, on July 15, 2020. The Brazilian government announced agreements with the University of Oxford, in the United Kingdom, and with the Chinese company Sinovac and continues with the tests of the vaccine against Coronavirus (COVID-19) here in Brazil and may have its registration released in June 2021. (Photo Illustration by Allan Carvalho/NurPhoto via Getty Images)
Bilhões de lucros nas bolsas | Arquivo.

Segundo informações da consultoria Economatica, as empresas farmacêuticas têm tido ganhos exorbitantes nas bolsas de valores. Os dados foram divulgados pela imprensa burguesa.

A empresa que mais ganhou no mercado de ações foi a norte-americana Novavax, que desde fevereiro de 2020 apresentou um ganho de 1.558%. O valor de mercado da empresa que era de cerca de US$ 205 milhões, em fevereiro passado, chegou a US$ 8,1 bilhões. Em segundo lugar, outra norte-americana, a Moderna, com um ganho de 585%, com isso, o valor de mercado da empresa passou de US$ 6 bilhões para US$ 49,4 bilhões. A alemã BioNTech ficou em terceiro com alta de 223% desde fevereiro.

Johnson & Johnson, AstraZeneca a Pfizer também apresentaram ganhos bilionários. Para se ter uma ideia, a Johnson & Johnson passou a valer US$ 428 bilhões.

Os dados levam em conta as ações na bolsa de valores de Nova York (NYSE) e no índice Nasdaq. Está claro o principal motivador da corrida das vacinas no mundo todo.

As gigantes do ramo farmacêutico estão lucrando com a desgraça de milhões de pessoas no mundo todo. Para os monopólios imperialistas não há “tempo ruim”.

Eis o funcionamento da atual etapa do capitalismo. Ele mesmo promove a catástrofe se se aproveita dela para aumentar os lucros exorbitantes das grandes empresas. É análogo ao que aconteceu em vários países do mundo com o neoliberalismo e sua política de devastação.

O imperialismo devastou países inteiros para colocar em marcha a política neoliberal de “reconstrução”. O que está acontecendo com a pandemia é essa mesma política mas em nível global. Segundo dados oficiais são quase 100 milhões de infectados e mais de 2 milhões de mortos. Tudo isso é resultado de um sistema degenerado, que não dá conta de resolver problemas básicos da população.

As empresas farmacêuticas se aproveitam agora dessa devastações para lucrarem à custa do sofrimento da população mundial.

Os lucros com a corrida pelas vacinas explicam por que desde o início da pandemia se investiu tão pouco em uma política de prevenção até que a pandemia tomasse proporções gigantescas. No Brasil, por exemplo, até hoje não há qualquer facilidade para conseguir testes, que é um fator decisivo no combate à pandemia, já que favorece a identificação e separação dos contaminados. Nos primeiros meses da pandemia, era quase impossível realizar testes, hoje, embora tenha aumentado o acesso, é mais fácil pagar por um teste do que conseguir fazer em uma unidade pública.

Essa política exemplifica bem a questão. Enquanto milhões de pessoas iam sendo infectadas no mudo, as gigantes farmacêuticas colocaram em marcha a busca pela vacina.

E a vacina russa?

Os lucros exorbitantes desses monopólios da indústria farmacêutica explicam também a recusa em adotar a vacina criada na Rússia.

A Sputnik V, como é chamada a vacina russa, não apenas foi a primeira a ser desenvolvida como há vários indícios de que seja uma das mais eficazes, se não a mais eficaz. Embora os dados sobre a Sputnik sejam de difícil acesso pelo boicote imposto pelos países imperialistas.

A imprensa golpista brasileira faz propaganda de João Doria e da Coronavac e das vacinas produzidas nos Estados Unidos e no Reino Unido e praticamente ignora a existência da Sputnik. É como se estivesse proibido falar da vacina russa.

A questão é simples. Os países imperialistas precisam impor as suas vacinas, caso contrário toda a operação de bilhões de dólares envolvida na corrida das vacinas estaria comprometida. Por isso, o imperialismo procurou sabotar a Sputnik.

Mesmo com a eficácia comprovada, os governos imperialistas e capachos como o do Brasil evitam sequer falar da vacina russa.

Tudo isso mostra como a esquerda pequeno-burguesa novamente se adaptou à política da direita e do imperialismo. A propaganda histérica pela vacina que está sendo reproduzida pela esquerda sequer leva em conta o que realmente está em jogo.

Ao invés de denunciar a manipulação e a política genocida desses monopólios que estão atrás de aumentarem seus lucros, a esquerda começa uma campanha histérica pela vacina ignorando tudo o que está por trás da guerra.

Especificamente no caso do Brasil, além do problema econômico, há o problema político. Como se a vacina e a ciência fossem entidades acima da política, a esquerda está se aliando com João Doria em defesa da vacina sem nenhuma crítica. Na realidade, a esquerda se tornou, depois da própria imprensa golpista, a maior propagandista de João Doria.

A Coronavac se transformou numa espécie de Deus infalível e qualquer crítica está passível de ser considerada “anti-científica”.

Enquanto a esquerda forma uma espécie de patrulha “científica” cujo único resultado é defender João Doria, os grandes monopólios da indústria farmacêutica estão lucrando bilhões, e a vacinação nem começou ainda na maioria dos países do mundo.

É preciso denunciar esse esquema genocida montado pelo imperialismo cujo principal objetivo é garantir os lucros dos especuladores. E para que isso ocorra, se for preciso, são capazes de deixar que ainda outros milhões morram no mundo todo.

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