Índios de diversas etnias e quilombolas fazem protesto em frente ao Ministério da Justiça ( Marcelo Camargo/Agência Brasil)
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A recente condenação de quatro indígenas Guarani-Kaiowá por se defender de uma emboscada realizada por policiais civis, no municiípio de Dourados, chamado pela direita de Chacina de Porto Cambira, onde dois policiais foram mortos e um ferido chamou a atenção para a perseguição realizada pelo judiciários e as forças policiais contra os indígenas para beneficiar os latifundiários.

De acordo com o Atlas Agropecuário, as terras do Mato Grosso do Sul estão nas mãos dos latifundiários de terra. Cerca de 92% das terras do Mato Grosso do Sul são privadas, sendo que 87% desse total são considerados latifúndios.

Os dados apontam que o Estado é dominado pelos latifundiários que financiam políticos, a atuação das forças policiais e até a polícia federal.

Analisando os dados oficiais em relatórios de organizações de direitos humanos e de defesa de indígenas presos apontam que o Estado do Mato Grosso do Sul é o estado que possui mais indígenas presos em todo o país. E a observação dos dados também revelam de maneira cabal que o judiciário do estado dá cobertura e apoio aos latifundiários.

Segundo dados da Agência Estadual de Administração Penitenciária de Mato Grosso do Sul, o estado tem 271 indígenas presos, sendo 73 estão em regime de prisão provisória. O estado com maior população carcerária indígena do país, quase a metade de todos os indígenas presos no país, de um total de 600 presos em todas as penitenciárias nacionais. E o Estado é a segunda maior população indígena nacional, com 73.295 pessoas, perdendo apenas para o Amazonas com 168.680 indígenas.

A defensora pública Neyla Ferreira Mendes, em reportagem ao Portal Terra, analisou os processos dos 131 indígenas presos na Penitenciária Estadual de Dourados e afirma que nenhum deles tinha intérpretes nem laudo antropológico, ambos exigidos por lei. Portanto, indígenas presos a revelia da lei.

Há muitos relatos e investigações de violência policial e tortura para que os indígenas “confessassem” o crime, sem advogados, sem documentos. Há denuncias de indígenas presos que não são registrados como tal para não contar com defesa e ser investigado com apoio da Funai e outros órgãos.

Marco Antônio Delfino de Almeida, procurador da Justiça Federal no Mato Grosso do Sul, que a falta de intérpretes é usada para fabricar depoimentos, e que a fraude é tão grande que apenas um líder indígena aparece como testemunha em mais de 100 investigações policiais. É como atua a polícia em todo o país e não é diferente com os indígenas.

Esses relatos e dados são reveladores e mostram que há uma enorme perseguição contra os indígenas e a demarcação de suas terras no estado do Mato Grosso do Sul. A polícia e o judiciário atuam em conjunto para encarceramento em massa de indígenas e suas lideranças para favorecer os latifundiários de uma maneira velada enchendo as prisões do estado de indígenas.

Essa situação tem que ser cada vez mais denunciada e colocada em evidência para mostrar um conluio entre Estado, forças policiais, justiça e latifundiários para massacrar os povos indígenas no Mato Grosso do Sul.

Fatos que revelam que a Chacina de Porto Cambira e os quatro indígenas presos acusados de assassinato de policiais não passam de presos políticos da luta por seus direitos e suas terras. é preciso pedir a imediata soltura de Paulino Lopes, Jair Aquino Fernandes, Ezequiel Valensuela, e Lindomar Brites de Oliveira por se defenderem de um ataque de policiais civis contratados por latifundiários.

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