Entregues à própria sorte
Sem apoio do governo federal, indígenas agem para tentar impedir o avanço do coronavírus nas aldeias.
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Foto: MelQui BenTo/Metro Fm/FotosPublicas |

Coronavírus, a mais nova ameaça aos indígenas

Atacados desde o início do governo ilegítimo e anti-indígena de Bolsonaro, os povos originários do país se veem agora completamente desassistidos pelo Estado brasileiro em meio à pandemia do COVID-19, que tem provocado milhares de mortes por todo o mundo.

A falta de ações sanitárias para atender esta população se soma à carta branca dada aos invasores de terras indígenas e ao aparelhamento de órgãos como a Fundação Nacional do Índio (Funai) e a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), esta última vinculada ao Sistema Único de Saúde (SUS).

O Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, um membro da bancada ruralista, já havia tentado extinguir a Sesai, recuando após uma série de ocupações de prédios públicos e fechamento de rodovias por povos indígenas. Sua primeira indicada para chefiar a Sesai, a militar Silvia Nobre Waiãpi, chegou a barrar a contratação de profissionais de saúde já aprovados em concurso para atuar no baixo Tapajós, sem dar qualquer satisfação aos profissionais ou à população. Após uma série de protestos por parte dos movimentos indígenas, a secretária sob a qual pairavam ainda suspeitas de fraudes em licitações abandonou o cargo, sendo substituída por outro militar.

Vale lembrar ainda que o fim do programa Mais Médicos já feriu gravemente a atenção médica aos indígenas, retirando mais de 80% dos profissionais de medicina que atendiam pela Sesai.

Fechamento de estradas

Os últimos dados oficiais apontam quatro casos suspeitos de COVID-19 em indígenas que tiveram contato com estrangeiros. Considerando a falta de confiabilidade dos dados oficiais, pode-se ter como certo que o número é muito maior, tendo como agravantes a falta de recursos básicos, como água tratada, sabão e álcool em gel, por exemplo, nas comunidades indígenas.

Sem poder contar com o apoio do poder público, várias comunidades estão bloqueando por conta própria os acessos à suas aldeias, inclusive fechando estradas que atravessam reservas indígenas. Estas ações de implementação de quarentena voluntária estão se dando em todo o território nacional como medida emergencial pelas próprias comunidades.

A situação atual evoca tristes lembranças aos povos que foram gravemente dizimados por epidemias trazidas pelos brancos. Mais de cinco séculos após a chegada dos primeiros europeus, os indígenas seguem sendo atingidos por surtos de doenças contagiosas, como H1N1 e sarampo, por exemplo.

Se a pandemia atual do COVID-19 já colocou em colapso sistemas de saúde de países capitalistas centrais, como Itália e Espanha, seu potencial destrutivo num país atrasado como o nosso é muito perigoso. E, neste panorama, os indígenas se encontram em situação alarmante, pois já faltam condições básicas de atendimento à sua saúde no cotidiano.

Os movimentos indígenas devem agir para tomar o controle sobre a Sesai e assim garantir que a saúde indígena tenha a atenção que precisa do governo federal. O combate ao governo Bolsonaro é cada vez mais uma questão de sobrevivência.

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