Indígenas denunciam invasão de garimpeiros em Terra Indígena Yanomami
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Indígenas denunciam invasão de garimpeiros em Terra Indígena Yanomami
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Já são cerca de 20 mil garimpeiros que invadiram a terra indígena Yanomami no estado de Roraima, segundo declarações do líder indígena Davi Kopenawa. O garimpo nessa região está cada dia avançando e se estabelecendo com a construção de vilas, pistas de pouso e o uso intenso de balsas de madeiras. Em decorrência do avanço da ocupação para o garimpo, os rios estão sendo poluídos, a doença da malária está se disseminando devido ao crescimento populacional vertiginoso do local, dado preocupante, uma vez que já morreram 4 crianças no estado do Amazonas na região do Marari.

Por conta da poluição dos rios, do barulho intenso das balsas e da utilização do ‘tatu’ (máquina de escavação), a configuração ambiental está sendo severamente alterada, prejudicando a subsistência das comunidades indígenas nesses locais, visto que os peixes estão começando a morrer, a água está se tornando imprópria para o uso e o ruído dos maquinários estão espantando os animais, dificultando a caça.

Fora isso, as comunidades indígenas onde há invasão de garimpeiros é constantemente ameaçada. Como os garimpeiros andam armados, não há qualquer possibilidade de diálogo. A comunidade indígena já tentou pedir para que eles se retirassem de suas, porém, foram ameaçados, alegando que os indígenas sofreriam represálias.

Esse cenário tende a piorar com o governo do presidente ilegítimo Bolsonaro. Ele já declarou que não haverá mais demarcações de terras indígenas, podendo haver, somente, revisão nas demarcações, o que levaria às comunidades indígenas a perderem suas terras.

Apesar da Funai não ser fechada pelo governo bolsonarista, sua atividade comporta somente 10% do orçamento previsto para este ano, pois foram contingenciados 90% pelo Decreto 9.711/2019. Sem recursos, torna-se impossível a operação dos postos de fiscalização da Funai. Isso deixa claro o sentido da política bolsonarista: agradar aos latifundiários e destruir as comunidades indígenas.

Em depoimento, o líder Kopenawa traduz a sua insatisfação com o governo Bolsonaro:

Eu tô achando que o governo Bolsonaro é muito difícil, (ele tem) pensamento diferente. Pensamento para ele (é que o garimpo) é bom. Mas, para nós, não é bom. O governo não vai apoiar a retirada dos garimpeiros. Eu acredito que não vai apoiar. Porque ele está querendo que os garimpeiros continuem. Até estragar nossos rios. Mas eu, Davi Kopenawa, tenho 38 anos lutando contra o garimpo. Eu não quero que o governo deixa continuar. Queria que o governo tomasse as providências para retirada dos invasores do garimpo da terra demarcada e homologada.

Diante desses ataques às comunidades indígenas, não há possibilidades de diálogo com esse governo. Desde o seu início, anunciou que beneficiaria os empreendimentos ligados à exploração da floresta e dos minérios. Essa política da direita golpista em se aliar aos capitalistas já é bem conhecida. Nesse ritmo, os ataques às comunidades indígenas pelos garimpeiros e jagunços continuarão. Então, a reversão desse quadro político depende da derrubada do governo do Jair Bolsonaro e de toda a direita golpista.