Indígenas de Rondônia tem suas terras invadidas por latifundiários

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Os indígenas que vivem na Terra Indígena Uru-eu-wau-wau, no Estado de Rondônia, estão denunciando a invasão de suas terras por latifundiários ligados a indústria madeireira e de mineração, e a ação de grileiros de terras.

Dentro da TI Uru-eu-wau-wau  vivem diversos povos indígenas, entre eles Jupau (conhecidos como Uru-eu-wau- wau), Amondawa, Oro Towati (Oro In) e três grupos de povos isolados. Os indígenas denunciam a ausência dos órgãos do Estado em impedir a entrada dos latifundiários e a retirada de grandes quantidades de madeira todos os dias, sem nenhuma ação para acabar com essa ação contra os povos.

As ações dos latifundiários e a imobilidade do setor público se agravou após o golpe e nos últimos meses está cada vez mais intensa. A preocupação dos indígenas também se refere as questões relativas a violência dos latifundiários e seus pistoleiros, que pode a qualquer momento atacar as aldeias e os povos isolados.

Fica evidente o apoio do governo federal nas ações dos latifundiários e na grilagem de terras, na qual o governo do Estado de Rondônia sempre foi um ferrenho defensor dos latifundiários. É preciso denunciar essas invasões e apoio dos golpistas, e formar comitês de autodefesa dos indígenas para evitar mortes e massacres realizados pelos latifundiários.

 

Veja abaixo a nota pública dos povos da TI Uru-eu-wau-wau:

 

Nota Pública: denúncia sobre violações de direitos do povo indígena Uru-Eu-Wau-Wau

A Associação do Povo Indígena Uru-eu-Wau-Wau e a Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé vem a público denunciar a violação de direitos do povo indígena Uru-eu-wau-wau diante das constantes invasões de madeireiros, grileiros e garimpeiros e a inércia por parte do Estado Brasileiro, que tem o dever de protegê-los.

A Terra Indígena Uru-eu-wau-wau/Parque Nacional de Pacaas Novos é responsável pela maior biodiversidade de Rondônia e nascente dos 17 principais rios do Estado, além disso é onde vivem os povos indígenas Jupau (conhecidos como Uru-eu-wau- wau), Amondawa, Oro Towati (Oro In) e três grupos de povos isolados, ainda sem contato com a sociedade brasileira. Estes vem sendo constantemente invadidos, seus recursos naturais destruídos e a vida dos indígenas sendo ameaçada pelos invasores.

Os indígenas e a Kanindé vêm denunciando há muito tempo as invasões e pedindo providências. No entanto, poucas ações têm sido realizadas para conter os invasores. A Fundação Nacional do Índio (Funai), orgão responsável pela proteção do território e dos indígenas, encontra-se sucateada e sem recursos humanos e equipamentos para atuar na defesa da integridade física e territorial do povo indígena, precisando urgente que o governo federal dê condições para a Coordenação Regional da FUNAI em Ji-Paraná atuar na defesa da vida e do território indígena.

Ontem, cansados de esperar por providências e a retirada dos invasores de seu território, os indígenas resolveram tomar uma atitude radical e queimaram um dos tratores dos invasores, colocando suas vidas e a dos invasores em risco – na espera que a Funai, IBAMA, ICMBio, MPF e as autoridades policiais possam ajudá-los.

Na região do Grotão e Terra Roxa a terra indígena vem sendo destruída por grileiros e madeireiros há muito tempo e se necessita expulsar os invasores das áreas. Urge que sejam tomadas providências antes que algo pior aconteça. Solicitamos a todos os orgãos públicos e sociedade brasileira que se juntem na defesa destes povos que vêm sendo massacrados há anos e que estão tendo seu território destruído e suas vidas colocadas em risco.

Porto Velho-RO, 10 de maio de 2018