As coincidências de sempre e a propensão a incêndios em governos do PSDB

favela

Na noite desse sábado, dia 23, foi inaugurada uma nova metodologia de desocupação pela dupla Covas/Doria. Conforme documentado pela mídia Ninja, o incêndio iniciado por volta das 19:30 na Favela do Cimento, na Radial Leste em São Paulo, foi procedido pelo pronto atendimento dos bombeiros, que chegaram ao local minutos após seu início. O que seria um caso exemplar da atuação das forças de segurança, foi procedido pelo adiantamento não oficial da ordem de reintegração expedida pela Juíza Maria Gabriella Pavlópoulos Sapolonzi, que havia previsto o prazo de uma semana para a operação, culminando então, somente na manhã desse domingo (24).

O que ocorreu concorrentemente ao trabalho dos bombeiros foi a inauguração de uma nova fase da guerra contra a população capitaneada pela dupla Doria e Covas. Moradores informaram que enquanto os bombeiros executavam seus trabalhos, agentes da prefeitura retiravam os pertences dos moradores e demoliam os barracos que ainda permaneciam em pé.

Em outra fronte, a Guarda Civil Municipal (GCM) e a Polícia Militar de São Paulo atacavam os moradores com balas de borracha e gás lacrimogênio, assim como a força tática que agredia diretamente as vítimas do fogo.

Um incêndio que atingiu grandes proporções, dada a natureza construtiva dos barracos, em sua generalidade de lona, plástico e madeira, destruiu pertences e deixou feridos.

O caso estarrecedor de um homem que conforme relatos (Jornalistas Livres) caminhou por 8 kilometros com 70% do corpo queimado, chegando ao Hospital Salvalus às 20:30. Vindo a falecer na tarde do dia seguinte. Pois, de acordo com moradores, ao local de um incêndio grave e de grandes proporções foram alocadas somente viaturas de bombeiros e policias, não havendo uma ambulância para atender uma população de mais de 500 pessoas, onde, 150 crianças e 25 idosos.

A coincidência de um incêndio a menos de 12 horas de uma ação de reintegração de posse por parte da PM/SP, a prontidão desta para a violência contra uma população desarmada e atordoada pela destruição de todos os seus pertences, a retirada destes por parte de agentes da prefeitura e inexistência de ambulâncias ou assistentes sociais para atendimento das vítimas do fogo são a evolução de outras coincidências que teimam a ocorrer nos estados e capitais sob governos do PSDB.

Rememorando algumas dessas coincidências, onde a demolição de um edifício na alameda Dino Bueno em 2017 sob ordens do então prefeito João Doria, efetuada com pessoas ainda dentro da construção. Outro caso fortuito foi o incêndio do edifício Wilton Paes de Almeida no Paissandu. Não podemos esquecer da truculência na desocupação do Pinheirinho sob o governo Alckmin.

A mídia burguesa que nesses próximos dias vai chamar especialistas na física e química da combustão de barracos para fazerem pareceres sobre as possibilidades de autocombustão da madeira, assim como as notas oficialescas sobre as inócuas medidas tomadas pelas burocracias estaduais e municipais, vão ditar a verdade factual que será vendida à classe média.

Atuação que se acumula com o ocorrido, na tarde de sábado, onde motoristas, buzinavam efusivamente e zurravam ao assistir as chamas consumirem as moradias, “vagabundos!” gritavam. Essa poeira de gente que não representa a média da população paulistana, entretanto, são os exemplos médios dos indivíduos que compõe o corpo de uma milícia fascista. Desinformados pelas rádios, estes comemoravam a destruição e morte dos trabalhadores como se fossem a de componentes de um exército inimigo.

Nesse momento em que os golpistas se mostram enfraquecidos e são obrigados a desvelar suas práticas mais violentas frente à sociedade, cabe à classe trabalhadora denunciar, informar para se opor, por meio da sua organização e formação de grupos de autodefesa, diretamente a esse ataque conjunto da burguesia.