Imprensa cínica usa tragédia para fazer campanha de calúnias contra movimentos por moradia

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Depois de buscar tirar proveito comercial e político (ocultando, entre outras, a combativa mobilização pela liberdade de Lula, realizada em Curitiba e os atos em contra a prisão ilegal do ex-presidente em diversas cidades do País e pelo mundo) a venal imprensa burguesa vem tratando de usar a cobertura do incêndio seguido de demolição de um prédio de 26 andares em São Paulo e suas consequências, para atacar os movimentos de luta pela moradia e as próprias vítimas da tragédia e da falta de ação dos governos governos burgueses, como se esses fossem os verdadeiros criminosos.

Agindo de forma claramente premeditada, com argumentos comuns a políticos inimigos da população pobre, como o ex-prefeito de São Paulo, João Doria, para quem as ocupações realizadas por trabalhadores pobres sem teto são organizados por “organizações criminosas”, a TV Globo e toda imprensa golpista realizaram ao longo dos últimos dias uma intensa campanha contra inúmeras ocupações existentes na capital paulista buscando apresentar que o movimento estaria supostamente dominado por uma máfia de diferentes organizações de sem tetos.

Somente nas regiões centrais da Capital há cerca de 70 prédios ocupados, liderados por cerca de 10 diferentes movimentos de luta por moradia. Em toda a cidade as ocupações de imóveis (incluindo terrenos) já são mais de 200, garantindo moradia – quase sempre muito precária – para mais de 445 mil famílias.

O ódio da imprensa burguesa, defensora do grande capital imobiliário, especulativo, contra a população pobre que busca fazer valer seu direito à moradia é sem igual. Assim, mesmo em uma situação de calamidade, quando dezenas de famílias são alvo de uma tragédia, o ataque da imprensa golpista não cessa e se intensifica.

Em um artigo publicado na Folha de S. Paulo, de autoria de Leandro Narloch, por exemplo, aponta-se que desabrigados contaram que pagavam entre R$ 200 e R$ 500 de aluguel aos coordenadores do movimento”, ocultando propositalmente que na maioria das ocupações estas taxas se destinam quase que absolutamente ao pagamento de gastos coletivos como taxas de água, luz, limpeza, segurança dos prédios além de gastos do próprio movimento em defesa da moradia no que diz respeito à sua mobilização, defesa judicial etc. etc.

Sobre o fato de alguns poucos especuladores detém a propriedade de milhares de imóveis, auferindo ganhos milionários ou mesmo bilionários com a especulação imobiliária, nenhuma palavra, o “crime” estaria na tentativa de pessoas pobres buscarem se organizar e sustentar sua luta por moradia contra os interesses desses especuladores e da imprensa que lhe serve. Também nada dizem que esses valores, recebidos como contribuições dos ocupantes, são muito inferiores aos aluguéis e condomínios cobrados pelas verdadeiras máfias dos especuladores imobiliários de milhões de trabalhadores em São Paulo e em todo o País.

É preciso denunciar e desmascarar esta operação criminosa e de, modo algum, ficar na defensiva diante dos ataques, como fazem certos setores do movimento que buscam não se enfrentar com a imprensa golpista, inclusive, por mesquinhos interesses e ilusões eleitorais, ou seja, acreditando que se denunciarem a política da direita e de sua imprensa serão alvos de novos ataques.

Os ataques vêm de todos os lados. A Prefeitura, por exemplo, anunciou que vai inspecionar 70 prédios ocupados. Junto com a imprensa buscam “condenar” as condições – de fato – degradantes – de moradia a que estão submetidos milhares de pessoas, não com o objetivo de lhes dar proteção, fornecer melhores condições etc, mas simplesmente para buscar justificar possíveis ações contra as ocupações.

Diante da situação calamitosa de dezenas de milhares de famílias sem teto e frente aos ataques contra os movimentos é preciso mobilizar os sem teto, os moradores das ocupações e todas as organizações de luta dos trabalhadores e da juventude para saírem às ruas contra esta campanha canalha, contra os golpistas que só fazem agravar a situação com medidas como o congelamento dos gastos públicos por 20 anos e pelo atendimento das reivindicações populares, como a expropriação dos especuladores imobiliários, dos grandes proprietários de imóveis para atender às necessidades de milhões de pessoas em todo o País, que não têm um local para morar.

Para fazer vitoriosa essa política e demais reivindicações populares é preciso vinculá-las à luta contra o golpe que, nesse momento, se concentra na mobilização pela liberdade de Lula, construindo comitês de luta em cada uma das ocupações e bairros operários.