Censura
Nathan J. Robinson foi demitido de seu trabalho como colunista do jornal The Guardian U.S. por criticar a ajuda militar americana de US$ 500 mil às Forças Armadas Israelenses.
njr
O suposto "antissemitismo" de Robinson foi criticar a ajuda militar dos EUA para Israel | Reprodução
njr
O suposto "antissemitismo" de Robinson foi criticar a ajuda militar dos EUA para Israel | Reprodução

O jornalista Nathan J. Robinson, editor da revista Current Affairs e colunista do jornal Guardian nos Estados Unidos, publicou em sua conta do Twitter um questionamento sobre a ajuda militar dos americanos ao governo de Israel, no valor de US$ 500 milhões.

No mês de dezembro, o Congresso Americano aprovou um pacote fiscal de socorro em relação aos efeitos da pandemia do COVID-19, considerado por Robinson com valores muito abaixo dos necessários para auxiliar a população. Quase simultaneamente, a ajuda militar milionária foi também aprovada. Conforme o Serviço de Pesquisa do Congresso, Israel é o maior recebedor de ajuda americana desde a 2ª Guerra Mundial, o que responde por cerca de 20% do orçamento de defesa israelense.

As críticas sarcásticas do jornalista, feitas pelo sua conta do Twitter pessoal, ao fato de os Estados Unidos enviarem centenas de milhões de dólares em equipamentos militares para Israel massacrar o povo palestino, teve como consequência sua demissão da condição de colunista The Guardian U.S., sob acusação de expressar uma concepção “antisssemita”.

É chocante que um colunista seja demitido por expressar críticas aos governos de Estados Unidos e Israel, ainda mais quando o fez por meio de suas redes sociais, sem representar a opinião do jornal. Nathan disse que a imprensa capitalista procura, de todas as formas, silenciar as vozes daqueles que defendem os direitos dos palestinos e denunciam os massacres constantes que ocorrem por parte das forças israelenses.

A União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU, sigla em inglês) assinala que existe um padrão de silenciamento daqueles que protestam, boicotam ou criticam o governo israelense. A finalidade é suprimir a liberdade de expressão de um dos lados do debate Israel-Palestina, de forma a corroborar com a visão difundida por Israel.

O Centro pelos Direitos Constitucionais também denuncia a censura e perseguição daqueles se atrevem a denunciar os crimes de Israel. “Organizações israelenses de defesa, universidades, atores governamentais e outras instituições têm censurado militantes pró-Palestina com uma série de táticas, como cancelamento de participação em eventos, processos sem base legal, sanções disciplinares administrativas, demissões e falsas acusações de terrorismo e antissemitismo”.

Às vezes, a campanha de censura contra os críticos de Israel é feita de forma aberta e se traduz na própria política governamental. Há uma campanha para que profissionais críticos a Israel não sejam contratados e se solicita juramentos políticos sobre jamais participar de campanha de boicote ao país, principal aliado dos Estados Unidos no Oriente Médio.

Um instrumento para censurar a crítica é a acusação grotesca de antissemitismo. Ou seja, qualquer jornalista, ativista, militante político ou cidadão que expresse críticas à política genocida de Israel em relação aos palestinos, mas também em relação à ação desestabilizadora e promoção de guerras no Oriente Médio, é imediatamente tachado de antissemita.  Jeremy Corbyn, uma liderança política da ala esquerda do Partido Trabalhista Britânico (Labor Party), foi acusado de ser antissemita por criticar a política israelense. O governo dos Estados Unidos acusou as ONGs Anistia Internacional e Oxfam pelo fato de estas terem apontado a grave questão dos direitos humanos em Israel.

Para a população palestina que vive em Israel, não existe o direito democrático de liberdade de expressão. Até mesmo judeus que dão apoio à causa palestina são pressionados e censurados pelo Estado.

Nathan Robinson afirmou que sua demissão do The Guardian U.S. é um fato trivial, se comparado com os massacres e mutilações causados pelas forças militares israelenses contra os palestinos. Em seu ponto de vista, a censura serve para tornar mais fácil a continuidade da política assassina, prisão de opositores políticos em Israel e na Palestina e a manutenção do bloqueio contra a Palestina, condenado pela ONU. EM 2018, durante a Grande Marcha do Retorno, os militares israelenses balearam sete crianças, médicos e cerca de mil manifestantes com munição verdadeira. As autoridades jamais foram levadas aos tribunais por este crime hediondo, enquanto os Estados Unidos continuam com o fornecimento de armas.

A política do imperialismo é defender Israel e censurar todas as críticas e denúncias mundo afora. Este país é uma base avançada do imperialismo no Oriente Médio, um posto estratégico, uma peça-chave para intervenção política e militar nos países da região. Os Estados Unidos possuem vínculos estreitos com Israel, que goza de suprimento de armas americanas para suas Forças Armadas, além de ser dispor de armamento nuclear, algo que os EUA não aceitam por parte do Irã.

Expor os crimes cometidos por Israel e criticá-los ante o mundo significa fragilizar a política imperialista no Oriente Médio. Este é o motivo da política de censura generalizada. A nova forma de pressão, chantagem e censura é acusar os críticos dos massacres e da política terrorista do governo israelense como antissemistas.

Como afirmou Joe Biden, se não houvesse Israel, os Estados Unidos teriam que inventar um para defender seus interesses.

 

 

Relacionadas
Send this to a friend