Imprensa golpista utiliza tragédia em São Paulo para atacar movimentos de moradia

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O desabamento de um prédio no centro de São Paulo, na madrugada da última terça-feira, dia 1 de maio, passou a ser utilizado de forma cínica e vil pela direita para atacar politicamente os movimentos de moradia na capital paulista. O desastre, que até o momento deixou uma pessoa morta e quarenta desaparecidas, uma verdadeira tragédia social, virou, nas mãos daqueles que deram o golpe de estado e vêm destruindo todos os direitos dos trabalhadores no último período, um instrumento para responsabilizar e criminalizar todos aqueles que se organizam e lutam por um direito básico, que é o direito à moradia.

As capas dos principais jornais do país, dos jornais burgueses e golpistas desta última quinta-feira, 3 de maio, fazem uma campanha aberta contra os movimentos de moradia, ou seja, à organização dos trabalhadores. Não há nenhuma palavra se quer de denúncia contra a verdadeira criminosa especulação imobiliária dos grandes proprietários, responsável pela falta de acesso à moradia de milhares de pessoas no país, e também pelas remoções violentas nas periferias das grandes cidades. Não, os jornais golpistas tratam de atacar a população pobre e seus movimentos de luta, taxando-os de criminosos por supostamente cobrarem taxas abusivas dos moradores, serem autoritários e violentos.

Em editorial publicado na Folha de São Paulo no último dia 2, o colunista direitista Leandro Narloch compara os movimentos sociais de luta por moradia ao crime organizado, à uma máfia que explora o povo pobre, por estarem cobrando taxas. É preciso dizer ao coxinha que o que os movimentos sociais de moradia estão fazendo é aquilo que o estado não quer fazer. Na ausência de qualquer política pública que dê moradia à população moradora de rua, o povo é levado a se organizar para resolver os seus problemas, as “altas taxas”, que não são elevadas, denunciadas pelo escandalizado direitistas, é uma forma da população se auto-organizar para custear as despesas como a conta de luz, a segurança, a conta de água e ter um mínimo de dignidade.

O argumento de Narloch revela, na realidade, o caráter fascistoide da direita, para o qual, o povo não deve ter qualquer direito, não deve se organizar para lutar por seus direitos e, deve sim, viver na miséria extrema. É necessário deixar claro que os verdadeiros criminosos são os golpistas e sua imprensa vendida, os quais vem botando abaixo todos os direitos da população.