Imprensa golpista quer esconder crime de Moro

Sérgio Moro e Dallagnol no Fórum Mãos Limpas & Lava Jato

No final da tarde deste domingo (9/6), o site The Intercept Brasil publica a primeira de uma série de reportagens contendo mensagens do procurador Deltan Dallagnol para seus colegas da Operação Lava Jato e para o juiz Sergio Moro. Ainda em 2016, as mensagens mostram que os procuradores estão cientes da fragilidade das provas, agem politicamente para tirar a investigação do MP de São Paulo e levá-la para Curitiba, colocando-a nas mãos do juiz Moro, com o qual já trocam mensagens e recebem orientações de como proceder com a acusação.

Enquanto a imprensa independente anuncia o furo de reportagem imediatamente, os órgãos da mídia golpista evitam o assunto. Timidamente, alguns jornais dão a notícia na segunda-feira, com um viés completamente distorcido. Entre os principais representantes do “PIG” (partido da imprensa golpista), as capas trazem o assunto com chamadas pequenas e discretas: “Site diz que Lava-Jato e Moro atuaram em conjunto” (O Globo); “Moro discutiu Lava-Jato com Dallagnol, diz site” (Folha de S. Paulo); “PF investiga invasão de telefones de Moro e do MP” (O Estado de S. Paulo). O Extra, um tabloide mais popular do grupo Globo, não toca no assunto.

Jornais de menor circulação arriscam títulos um pouco mais ousados e chamativos: “Mensagens entre Moro e Dallagnol revelam colaboração, afirma site” (Estado de Minas). Em alguns, o assunto é a chamada principal: “Segredos da Lava Jato vêm a público” (Jornal do Commercio); “Moro orientou Dallagnol, diz site” (Diário de Pernambuco); “Hackers vazam troca de mensagens entre Moro e Dallagnol. PF investiga” (Correio Braziliense).

Como se pode ver, um dos maiores furos de reportagem do jornalismo brasileira não recebe a devida atenção da imprensa comprometida com o golpe. Eles seguramente prefeririam nem tocar no assunto, mas é impossível. Sendo assim, abordam da maneira mais suave e discreta possível, tentando minimizar a importância do problema, ou desviar o foco para a suposta ilegalidade dos “hackers” que monitoraram as conversas. A mesma imprensa que – não devemos esquecer – celebrou os grampos vazados por Sergio Moro contendo conversas entre Lula e a então presidenta Dilma Rousseff, um claro atentado contra a segurança nacional.