Saída temporária de Natal
Imprensa e judiciário querem cassar direitos de saída temporária
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No Brasil do golpe, os direitos dos presos não existem | Marcio Rocha Pereira
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No Brasil do golpe, os direitos dos presos não existem | Marcio Rocha Pereira

No dia de hoje o beneficio da saída temporária de Natal e Ano Novo foi concedido a diversos presos no sistema carcerário brasileiro, entre estes, algumas presidiárias amplamente conhecidas, já que protagonizaram crimes nos meios da alta burguesia e pequeno burguesa e acabaram virando celebridades com a cobertura da imprensa dadas a seus atos, como Suzane Von Richthofen, presa por matar os pais, Anna Carolina Jatobá, condenada pela morte da enteada Isabela Nardoni, e Elize Matsunaga, condenada por matar e esquartejar o marido, empresário Marcos Matsunaga.

Veículos de imprensa tradicionais e sensacionalistas, destacadamente a rede Globo, promoveram depois da liberação destas presas, ampla campanha contra esse benefício da saída temporária, a que eles chamam de “saidinha”.

As mulheres soltas cometeram crimes com grande campanha jornalística, adquirindo status de celebridades, com direito a coberturas de julgamentos, perícias televisionadas, perfis psicológicos esdrúxulos e todo o circo que se tem direito para envolver toda a população em historinhas macabras para e causar impacto na “opinião pública”. Quando na verdade, o que se apresenta são crimes como tantos outros que acontecem diariamente, mas obtém destaque porque ocorrem com a classe remediada brasileira.

A crítica sobre a saída de presas famosas, para a imprensa manipuladora brasileira é uma distração, na verdade buscam atacar o direito da saída temporária, a que todos os presos do regime semiaberto têm direito. Por ano, os presos do semiaberto podem permanecer trinta e cinco dias fora das masmorras brasileira, sendo o período dividido em algumas datas festivas do ano, como Dia das Mães, dos Pais, Páscoa, Natal e Ano novo.

As saídas do mês de março foram suspensas em 2020 com a crise da pandemia, o que acarretou diversas rebeliões e fugas em massa nos presídios de São Paulo, a retomada do benefício foi julgada no último mês de novembro com julgamento a favor das saídas temporárias de fim de ano.

A campanha sutil da Rede Globo em criticar a saída das “presas perigosas” não é por acaso, na verdade setores sociais como esses advogam a todo momento para o encarceramento em massa da população mais pobre e vulnerável, bem como contra qualquer direito que uma pessoa presa possa vir a ter, faz o apelo pela ordem e segurança social, mas a toda uma manobra pra barrar o direito ao indulto natalino, inclusive já existem representações de muitos juristas tentando barrá-lo, ou seja, buscam incutir a ideia de que presos são lixo, não tem direito a absolutamente nada, só apodrecer nas cadeias.

A que se diz a favor da população mas se coloca a favor de retrocessos de direitos legais como este é preciso lembrar que 99,9% dos presos brasileiros são pobres e vulneráveis, não são meia dúzia de mulheres brancas e de classe média e burguesa que serão as mais prejudicadas com a cassação do direito da saída, mas sim a maioria dos pobres que lotam as cadeias brasileiras, simplesmente por sua condição de classe.

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