Imprensa burguesa pede aos negros que não lutem contra o racismo
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Imprensa burguesa pede aos negros que não lutem contra o racismo
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A imprensa burguesa é claramente uma das maiores inimigas da população trabalhadora e isso já ficou claro através das grandes empresas de comunicação que apoiaram o golpe e a candidatura do presidente reacionário Jair Bolsonaro. Contudo, volta e meia alguns meios de comunicação de menor escala acabam por surpreender com seu conteúdo completamento insano. Esse é o caso de uma matéria publicada na última terça-feira (20), no sítio Gazeta do Povo, onde eles afirmam que os negros devem abandonar a luta contra o racismo, argumentando que é algo “estúpido debater a existência da discriminação racial ontem e hoje.”

Na matéria direitista, intitulada “Por que os negros deveriam ignorar a pauta progressista”, o autor questiona, do ponto de vista das políticas públicas, sobre até que ponto o sofrimento dos negros pode ser explicado pela discriminação racial, então vamos esclarecer alguns pontos.

Segundo o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), a partir de dados obtidos entre 2004 e 2014, os negros possuem o dobro de chances de serem pobres em comparação com os brancos.

Após séculos de escravidão, os negros foram libertos do sistema de exploração escravocrata, mas caíram direto no sistema de exploração capitalista, formando, nos países onde houve escravidão, a maior parcela da classe trabalhadora. Além disso, a disparidade salarial entre brancos e negros chega a uma diferença média de 900 reais, ou seja, brancos recebem praticamente o dobro que os negros para os mesmo serviços.

A matéria direitista continua com argumentos mais decadentes ainda, segundo o autor, numa visão moralista e familista, a questão da marginalização e sofrimento dos negros se dá pelo fato de que muitas famílias são “desestruturadas” e por não possuem a figura de um pai, os negros acabam sofrendo mais. Mas o que a falta de um pai tem a ver com a exploração que assola a vida de milhares de negros pobres na sociedade capitalista? Essa é uma premissa completamente falsa.

O autor continua suas insanidades utilizando argumentos de Thomas Sowell, sociólogo liberal conservador, afirmando que “A família negra, que sobreviveu a séculos de escravidão e discriminação, começou a se desintegrar com o Estado de bem-estar social que subsidiou a gravidez fora do casamento e transformou a assistência social, antes um recurso emergencial, num meio de vida.” Ou seja, para ele é culpa do Estado que ampara bem mais ou menos algumas famílias negras, jogada totalmente na miséria. Para Sowell, seria melhor para os negros passar fome e morrer em condições desumanas.

Os dados mais assustadores são os de assassinatos contra negros. Segundo o Altlas da Violência, mostra em sua última edição que cerca de 75,5% das vítimas de homicídio no Brasil são negras, alcançando um recorde em 2017, que chegou a registrar uma taxa de assassinato de negros de 43,1 por 100 mil habitantes, contra 16 dos não brancos. O racismo é algo inerente ao capitalismo, esse modelo econômico de exploração se sustenta justamente através de mecanismos de exploração e opressão, como acontece com os negros pobres.

No capitalismo, negros servem bem em duas ocasiões, como mão-de-obra barata e como enfeite de propaganda de grandes empresas que querem lucrar surfando na onda das pautas “identitárias”. É necessário e urgente que os negros não abandonem a luta por sua emancipação, em conjunto com a classe trabalhadora em geral, da qual fazem parte, pela derrubada do governo golpista de Jair Bolsonaro, que busca aprofundar a exploração contra os trabalhadores e o povo pobre.