Imprensa burguesa diz repudiar a violência, desde que a violência não seja contra o PT

bolsonaro facada

Desde quando ocorreu o suposto atentato ao candidato da extrema-direita Jair Bolsonaro, durante um ato de campanha na cidade mineira de Juiz de Fora, ocasião em que o ex-capitão do Exército teria sido golpeado com uma faca, a venal e golpista imprensa nacional deu início a um grande estardalhaço em torno do fato, com o intuito claro e indisfarçavel  de fazer despertar uma contagiante comoção em todo o país.

Todos os maiores e mais importantes veículos de comunicação (não são muitos, considerando que apenas meia dúzia de famílias são os que controlam as grandes emissoras) passaram a dar destaque especial ao fato, com intensa exploração, o que se estendeu por todo o restante do dia, inclusive com substituição da programação normal, boletins especiais, flashs ao vivo e tudo mais que o jornalismo venal e tendencioso tem como recurso quando se busca a exploração e a audiência interessada de um fato ou acontecimento.

O que se pode constatar é que desde o dia do acontecimento para cá é que o servilismo, a hipocrisia e o mau-caratismo desses vermes da imprensa tupiniquim não tem mesmo limites. Não só a intensa e vil exploração do suposto atentato ao candidato ganhou todas as principais manchetes, como todos os jornalões e outros veículos vieram com editoriais e matérias condenando de forma dura e veemente o “atentado”, exaltando que a “facada” teria atingido, antes de tudo e sobretudo, a “democracia brasileira”.

A postura destes verdadeiros impostores do jornalismo, no entanto, contrasta de forma aberta e ostensiva, em todos os sentidos, com a espiral de violência e ataques sofridos pela esquerda quando da realização de eventos relacionados ou não às eleições, todos eles praticados por elementos com vínculos estreitos ou diretamente a serviço do bolsonarismo. Os episódios se sucedem à exaustão, como nas inúmeras declarações verbais de incitação à violência contra a esquerda por parte do candidato do PSL; nos ataques com armas de fogo quando foram  disparados tiros contra as caravanas do ex-presidente Lula no sul do país; no assassinato da vereadora carioca Marielle Franco; nos tiros disparados também contra os acampamentos montados em defesa de Lula em Curitiba, sem falar nos inúmeros e vastos outros episódios envolvendo a vida pessoal e familiar do ex-presidente e da presidente deposta Dilma Rousseff, durante o processo fraudulento do impeachment.

Querem saber qual foi a cobertura, a opinião e postura desta mesma imprensa – que exige neste momento condenação ao suposto atentado ao candidato Bolsonaro – quando dos fatos relatados acima envolvendo ataques contra a esquerda? Menos de um décimo do que vem sendo dedicado neste momento ao episódio de Juiz de Fora. É verdadeiramente escandalosa a venalidade da imprensa golpista nacional quando o que está em pauta é o ataque à esquerda. Vejamos como a a golpista Folha de São Paulo trata os dois casos. Episódio referente ao suposto atentato ao candidato direitista Bolsonaro: “Recebeu imediata e unânime condenação o atentado que, na tarde desta quinta-feira (6), atingiu Jair Bolsonaro, candidato do PSL à Presidência da República”. “Apesar dos componentes francamente assustadores de sua retórica, como a sua anunciada disposição de “fuzilar a petralhada”, o fato é que Bolsonaro e seus adeptos na prática conduzem a campanha presidencial sem incidentes conhecidos de violência física”. “Mais do que nunca, é o debate de ideias e soluções para o país que deve prevalecer na disputa eleitoral. … as forças políticas — e certamente a esmagadora maioria da população — devem renovar em seu repúdio ao ato um apreço pela tolerância, pela convivência e pela democracia que, apesar dos dissensos e paixões ideológicas, se consolidou e persiste no Brasil” (site GGN, 07/09).

Quando do episódio onde foram disparados tiros contra a caravana do ex-presidente Lula – este sim um verdadeiro atentado – vejamos como se portou o jornalismo “ético e imparcial” da Folha: “É certo que protestos contra candidatos de qualquer partido nada têm de ilegítimo; o PT, por seu papel central nos escândalos recentes de corrupção, não teria como escapar ileso da indignação geral. Ainda mais porque têm sido claras as indicações de Lula no sentido de buscar o confronto e desafiar a legitimidade das sentenças da Justiça e da própria magistratura”. “Nas zonas rurais, sem dúvida o PT é identificado com os frequentes e deploráveis atos de vandalismo promovidos pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e seus congêneres. Já nos grandes centros, o surto de violência anarcoesquerdista dos “black blocks” retrocedeu” “A violência, tudo indica, tem agora outra origem — só favorecendo, de resto, o papel de vítimas que petistas assumem de modo farsesco para livrar-se das sólidas acusações que os colocam no estado de prestar contas à Justiça” (site GGN, 07/09).

Como se pode ver e constatar, uma cobertura e um ponto de vista sobre os fatos “totalmente imparcial, ético e profissional” por parte dos “guardiães” da democracia. Não devemos nos surpreender. A grande  imprensa nacional atuou como força auxiliar direta e também, em alguns casos, como protagonista principal em todos os episódios e momentos decisivos do golpe de estado de 2016, sem deixar nenhuma dúvida sobre de que lado estavam. Os golpistas da venal imprensa sempre agiram e conspiraram contra os interesses do povo trabalhador, não somente agora, mas em toldos os mais importantes momentos da vida política nacional.